"Orem por nós", dizia mensagem enviada por vítima do tiroteio na Califórnia

Quando os tiros saíram do Centro Regional Inland, mensagens de texto pareciam ser a maneira mais segura de se comunicar com os que estavam do lado de fora e até mesmo com os que estavam dentro do prédio. As poucas e abreviadas palavras e os textos curtos davam uma ideia de todos os que estavam dentro do local.

fonte: Guiame, com informações da CNN

Atualizado: Quinta-feira, 3 Dezembro de 2015 as 10:28

Tudo o que o treinador aposentado Terry Pettit podia fazer era se preocupar, enquanto ele estava perto dos escritórios do Centro Regional Inland em San Bernardino, Califórnia. Notícias de tiroteios na sede de atendimento às pessoas com necessidades especiais foram se espalhando rapidamente e tudo o que ele sabia sobre sua filha, era que ela estava dentro do edifício, após receber suas mensagens de texto pelo telefone celular.

"Tiroteio no meu trabalho. Pessoas baleadas. Orem por nós. Estou trancada em um escritório", dizia a mensagem enviada por sua filha.

Pettit chorou por sua filha enquanto ontem à tarde com os repórteres locais, enquanto sirenes soaram ao fundo.

"Ela está se escondendo", disse ele.

Os detalhes de mais um tiroteio em massa foram surgindo lentamente na última quarta-feira.

Um homem e uma mulher entraram atirando no local, matando pelo menos 14 pessoas e ferindo pelo menos outras 17, disseram autoridades.


"Há um atirador no trabalho"
Quando os tiros saíram do Centro Regional Inland, mensagens de texto pareciam ser a maneira mais segura de se comunicar com os que estavam do lado de fora e até mesmo com os que estavam dentro do prédio. As poucas e abreviadas palavras e os textos curtos davam uma ideia de todos os que estavam dentro do local.

Marcos Aguilera, 39 anos, de Riverside, recebeu uma mensagem de sua esposa, uma assistente social, que ajuda bebês diagnosticados com autismo.

"Há um atirador no trabalho", escreveu Elaine Aguilera.

"Onde vc tá?... Policiais tão aí?" e "Vc tá seguro?", ele escreveu de volta.

"Trancada em um escritório com outras 3 pessoas", avisou ela uma mensagem e, em seguida acrescentou: "Eu te amo".

Marcos, que trabalha no departamento de finanças do Superior Tribunal de Riverside, deixou o trabalho e correu para o escritório de sua esposa.

Ele disse que sua esposa ouviu os tiros que soaram pelo complexo de três edifícios perto de Saint Ana River.

"Ela ouviu os tiros e (outras pessoas) chorando", disse ele.

Quando alguém puxou o alarme de incêndio, muitas das cerca de 200 pessoas na instalação ficaram confusas, disse Aguilera.

Uma equipe da SWAT, posteriormente resgatou a esposa de Marcos e dois outros colegas de trabalho. No início, ela confundiu os oficiais com os atiradores. Quando ela saiu, viu vários corpos no chão, disse Aguilera.

"Eu estive pensando: quem iria entrar atirando em um edifício assim ... contra pessoas que estão ajudando as crianças", disse ele. "Eu simplesmente não sei. As pessoas estão loucas hoje em dia".

Rudy Peralta também recebeu uma mensagem de texto de sua esposa, Christina Gonzalez-Peralta, outra assistente social do Centro de Inland Regional.

Ela twittou: "Veja os noticiários. Não tenho certeza se nós estamos com um atirador ainda ativo".

Gonzalez-Peralta e 12 colegas encontraram uma sala de arquivos como refúgio, e se sentiram seguros ali, porque o local não era bem conhecido, segundo Rudy. Mas quando alguém sugeriu que mudasse os móveis para barricar a porta, os outros funcionários se apavorram demais para fazê-lo.

"Todo mundo estava com muito medo, eu disse para manterem a calma e não fazerem barulho", disse Rudy Peralta, contando sobre a mensagem de texto que enviou à sua esposa.

Os 13 se esconderam por mais de meia hora até que as autoridades os resgataram de seu esconderijo na sala de arquivos.

Enquanto contava a história de sua esposa, Rudy Peralta disse que acabara de ouvir no rádio que os suspeitos estavam em um impasse com as autoridades.

"Eu ouvi que eles estão cercados", acrescentou Rudy Peralta. "Estou ansioso para vê-la e me certificar que ela está bem".

Em seguida, sua esposa ligou.

"Essa é a primeira vez que falei com ela", disse o marido, visivelmente feliz.

"Ela simplesmente se sente aliviada agora", disse Peralta. "Você ouve no noticiário, mas você nunca pensa que teria chegado tão perto de sua casa".


Estações de triagem
Na quarta-feira à tarde, no entanto, a área que circunda o centro se assemelhava a uma zona de guerra, com dezenas de pessoas andando para fora do prédio com as mãos para o alto e linhas de policiais fortemente armados, apontando suas armas. Alguns dos feridos foram levados em macas. Estações de triagem foram criadas do lado de fora.

Kristin Krause, que trabalha em uma escola a menos de 2 quilômetros de distância, disse que a equipe e os 400 estudantes da instituição de ensino se trancaram no prédio da escola, assim que ficaram sabendo do ataque.

"Os alunos estavam seguros", disse ela. "Deixamos todos os portões trancados. Estamos fazendo tudo que podemos para assegurar que nossos filhos estão protegidos".

Autores do tiroteio
Na manhã desta quinta-feira (3), a polícia identificou e prendeu Syed Farook, um homem de 28 anos e de nacionalidade americana, e Tashfeen Malik, uma mulher de 27 anos e de nacionalidade ainda desconhecida.

O chefe da polícia local informou que Farook era um funcionário público, que trabalhava no edifício do Centro Regional. Na última quarta-feira ele compareceu a uma confraternização que acontecia no local, por ocasião do Natal, mas que teria deixado o local "enfurecido" e retornou depois, armado e com sua parceira, para iniciar o ataque.

Colegas de trabalho de Farook relataram que ele teria feito uma viagem à Arábia Saudita, recentemente e retornou casado com uma mulher que conheceu pela internet. O casal já tinha uma filha de seis meses.


"Padrão"
Segundo presidente norte-americano, Barack Obama o ataque seguiu o que parece ser um padrão nos ataques em massa que já ocorreram nos Estados Unidos.

"O que sabemos é que temos um padrão, agora, de tiroteios em massa nesse país, que não tem paralelo em nenhum outro lugar do mundo. Há alguns passos que podemos adotar, não para eliminar todos esses tiroteios em massa, mas para melhorar as chances de que não aconteçam tão frequentemente", disse Obama à emissora americana CBS News.

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