Presidente da Turquia demite 492 funcionários religiosos, ao impor Islã conservador

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, tem reunido esforços para impor uma linha do islamismo mais conservadora no país.

fonte: Guiame, com informações de Christian Today

Atualizado: Quarta-feira, 20 Julho de 2016 as 4:20

Manifestantes sobem em tanque do exército em Ancara, capital da Turquia. (Foto: Reuters/Tumay Berkin)
Manifestantes sobem em tanque do exército em Ancara, capital da Turquia. (Foto: Reuters/Tumay Berkin)

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, demitiu 492 funcionários religiosos sob o argumento de suspeitas de "terrorismo", após sofrer uma tentativa de golpe militar no último sábado (16).

Nas primeiras horas do golpe, militares tomaram o controle das duas principais pontes em Istambul (que ligam o lado europeu ao asiático da cidade), do aeroporto de Istambul e da TV estatal.

No entanto, algumas horas depois, a Organização Nacional de Inteligência da Turquia informou que a situação no país “voltou ao normal”. Após a informação do fracasso do golpe militar, mais de 50 mil pessoas foram demitidas ou presas.

A Presidência de Assuntos Religiosos da Turquia, a partir da qual os 492 funcionários foram demitidos, confirma seu dever de "executar trabalhos relativos às crenças, culto e ética do Islã, esclarecendo ao público sobre a religião [do país] e administrando os lugares sagrados de adoração".

A entidade de Assuntos Religiosos, conhecida na Turquia como “Diyanet”, tem sido vista como uma linha liberal do islamismo, depois de permitir mulheres na pregação, fertilização in vitro e pílulas anticoncepcionais.

Por outro lado, o presidente Erdogan tem reunido esforços para impor uma linha do islamismo mais conservadora. O Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AK, na sigla em turco), no Erdogan faz parte, tem proposto envolver as doutrinas no Islã na política, a fim de criminalizar práticas como o adultério, por exemplo.

Além dos funcionários religiosos da Diyanet, o presidente turco já prendeu mais de 6 mil militares, demitiu cerca de 9 mil policiais e suspendeu cerca de 3 mil juízes. As demições também se estendem a 15.200 professores e educadores, 1.577 reitores de universidades, 8.777 funcionários do Ministério do Interior, 1.500 funcionários de finanças e 257 funcionários do gabinete do primeiro-ministro.

veja também