Presidente do Irã vai ao Vaticano e pede ao Papa Francisco que "ore por ele"

Rouhani teve uma reunião privada com o Papa durante sua viagem de quatro dias à Europa, o que analistas dizem que se destina a restabelecer laços com potências ocidentais depois que sanções econômicas contra a República Islâmica foram suspensas.

fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Atualizado: Quinta-feira, 28 Janeiro de 2016 as 10

O presidente iraniano, Hassan Rohani reuniu-se com o Papa Francisco no Vaticano na última terça-feira (26), e pediu orações ao pontífice, enquanto seu país no Oriente Médio tenta melhorar sua relação com a comunidade internacional.

Rouhani teve uma reunião privada com o Papa durante sua viagem de quatro dias à Europa, o que analistas dizem que se destina a restabelecer laços com potências ocidentais depois que sanções econômicas contra a República Islâmica foram suspensas.

Durante sua visita, Rouhani teria pedido ao papa que orasse por ele, acrescentando que visitar o local sagrado católico era um "verdadeiro prazer".

"Peço-lhe que ore por mim", disse Rouhani ao papa após a sua reunião privada, segundo o Washington Post.

Segundo relatos da CNN, a conversa de 40 minutos entre o papa e Rouhani provavelmente centrou-se nas conturbadas relações do Oriente Médio com os Direitos Humanos - como por exemplo as constantes violações da liberdade religiosa.

"As partes salientaram a importância do diálogo inter-religioso e da responsabilidade das comunidades religiosas para promoverem a reconciliação, a tolerância e a paz", disse o Vaticano em um comunicado após a reunião.

O Vaticano acrescentou em sua declaração de que "durante os cordiais colóquios, valores espirituais comuns surgiram e fez-se referência ao bom estado das relações entre a Santa Sé ea República Islâmica do Irã, a vida da Igreja no país e a ação da Santa Sé para favorecer a promoção da dignidade da pessoa humana e da liberdade religiosa".

A declaração da Santa Sé acrescentou que o papa e o líder iraniano também discutiram a importância global do Irã, reduzindo seu programa nuclear.

"Passou-se então à conclusão e aplicação do Acordo Nuclear e do importante papel que o Irã é chamado a desempenhar, juntamente com outros países da região, promovendo soluções políticas adequadas para os problemas que afligem o Oriente Médio, para lutar contra a propagação do terrorismo e do tráfico de armas", disse o Vaticano.

A reunião com o presidente do Irã vem depois de as Nações Unidas e a União Europeia determinarem que as sanções econômicas impostas à nação poderiam ser suspensas depois de cumpridos os regulamentos para seu programa nuclear.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Itália, Paolo Gentiloni disse à CNN que ele acredita que a recente visita do líder iraniano a Roma é indicativo da tentativa do Irã em restaurar as relações com as potências mundiais.

"Eu acho que a reunião do presidente Rouhani com o papa é um dos sinais do fato de que, após o acordo nuclear, temos a possibilidade de uma participação relevante do Irã em um quadro regional e global", disse Gentiloni.

Na sequência do recente acordo nuclear, Rouhani disse em um comunicado que o acordo foi uma "página de ouro" na história da nação.

"O acordo nuclear é uma oportunidade que devemos usar para desenvolver o país, melhorar o bem-estar da nação, e criar estabilidade e segurança na região", disse Rouhani ao parlamento, após a assinatura do acordo.

Segundo a NBC News, Israel ainda permanece desacreditado de que o acordo nuclear venha a promover alguma mudança eficiente na atitude do Irã com relação ao respeito aos Direitos Humanos e também com os países vizinhos.


Saeed Abedini
Recentemente, o Irã esteve no foco das críticas de ativistas do combate à perseguição religiosa. A "gota d'água" foi a prisão do pastor Saeed Abedini, que passou mais de 3 anos e meio detido no país e sofrendo com sessões de tortura e espancamento, que visavam forçá-lo a negar sua fé cristã.

A libertação de Saeed não chegou a ser um colocado na negociação deste novo acordo nuclear.

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