Refugiada cristã, atleta síria nadou em mar aberto para salvar 20 vidas

A nadadora síria Yusra Mardini não conseguiu se classificar para as semifinais dos 100 metros no nado borboleta. Mas isso não apagou o forte significado que sua participação teve nos Jogos Olímpicos.

fonte: Guiame, com informações do Premier.UK

Atualizado: Domingo, 7 Agosto de 2016 as 9:10

Yusra Mardini é uma das integrantes da delegação especial de refugiados destes Jogos Olímpicos do RJ. (Foto: USA Visa)
Yusra Mardini é uma das integrantes da delegação especial de refugiados destes Jogos Olímpicos do RJ. (Foto: USA Visa)


Uma refugiada cristã que foi forçada a saltar de hum barco que correu risco de naufrágio no mar Egeu, voltou a emocionar o mundo nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

A nadadora síria Yusra Mardini fugiu da Síria com sua irmã há quase um ano e agora faz parte de uma equipe especial de refugiados nas Olimpíadas.

A jovem atleta de 18 anos de idade foi a primeira integrante da delegação olímpica de 10 membros a competir no Brasil, ganhando a bateria dos 100 metros nado borboleta.

Seu ritmo de 1 minuto e 09,21 segundos não foi o suficiente para lhe garantir um Lugar no top 16 e qualificá-la para as semifinais no último sábado (6), mas isso não apagou o forte significado que esta prova teve para sua vida.

Há menos de hum ano, Yusra arriscou sua própria vida para saltar para mar Egeu e nadar para ajudar a empurrar o barco no qual ela estava, com outros 20 imigrantes. Sua coragem, força e determinação foram lembradas como uma das histórias mais inspiradoras destes Jogos Olímpicos.

“Eu nadei para sobreviver quando meu barco virou na ida para a Alemanha. Hoje, a natação é que salva a minha vida e me dá a oportunidade de representar não só a bandeira olímpica como o mundo todo”, conta Yusra.

"Sem nadar eu nunca estaria viva agora", acrescentou.


Ato heróico

Mardini, e sua irmã Sarah nasceram em uma família cristã na Síria e tiveram que fugir de sua comunidade - também de maioria cristã - em Damasco, enquanto a guerra civil e a perseguição religiosa, promovidas por grupos terroristas como o Estado Islâmico, se intesificavam em seu país. Elas passaram pelo Líbano e, em seguida, pela Turquia, antes de de enfrentarem o perigo para chegar à ilha de Lesbos.

Durante a viagem pelo mar, o motor do barco quebrou, deixando os 20 imigrantes da embarcação à deriva.

Yusra, sua irmã e outra mulher mergulharam na água e se revezaram, nadando e empurrando o barco durante três horas e meia, até que chegassem a um lugar seguro.


Proatividade
Quanto ao resultado da prova, mesmo não demonstrou tristeza e se disse satisfeita pelo simples fato de participar das Olimpíadas.

"Eu voltei a nadar há apenas dois anos. Então só agora estamos retomando os meus níveis de antes. Mas estou satisfeita", contou.

"Tudo foi incrível", disse Mardini, que atualmente está treinando na Alemanha. "Competir com todos esses grandes atletas é muito animador".

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