Vaticano é acusado de má gestão e desvio de doações em novo escândalo

Dois livros, que serão publicados nesta semana, baseiam denúncias em documentos secretos que apontam a má gestão das finanças do Vaticano e o desvio de doações aos pobres, que na realidade são usadas para manter o estilo de vida luxuoso de cardeais.

fonte: Guiame, com informações de G1

Atualizado: Quarta-feira, 4 Novembro de 2015 as 10:28

Documentos secretos revelam os males da Cúria Romana e uma forte resistência às reformas financeiras que o papa Francisco tenta implementar. (Foto: Reprodução/ David Nesher)
Documentos secretos revelam os males da Cúria Romana e uma forte resistência às reformas financeiras que o papa Francisco tenta implementar. (Foto: Reprodução/ David Nesher)

Com base em documentos secretos vazados na Itália, denúncias apontam a má gestão das finanças do Vaticano e o desvio de doações aos pobres, que na realidade são usadas para manter o estilo de vida luxuoso de cardeais.

O escândalo, batizado de "Vatileaks", surgiu com o lançamento de dois livros que serão publicados nesta semana, escritos com base em documentos secretos que revelariam os males da Cúria Romana e uma forte resistência às reformas financeiras que o papa Francisco tenta implementar.

Os documentos foram fornecidos através do padre espanhol Lucio Ángel Vallejo Balda e da laica italiana Francesca Chaouqui, acusados de terem roubado documentos confidenciais do Vaticano, um delito que o Estado pune com até oito anos de prisão.

Os livros são "Avaricia", escrito por Emiliano Fittipaldi, jornalista da revista L'Espresso, e "Via Crucis", de Gianluigi Nuzzi, jornalista do grupo de televisão Mediaset.

Desvios de doações

Segundo denúncias de Fittipaldi, o Vaticano concentra os recursos de doações para os pobres na sua administração central. Cerca de 400 milhões de euros, com doações provenientes de todo o mundo, teriam sido desviados do "Óbolo de São Pedro" para a Cúria Romana.

Vários cardeais, inclusive aposentados, residem em luxuosos apartamentos às custas da Cúria Romana, alega Nuzzi, autor do livro escrito com base em documentos roubados do escritório do papa Bento 16 - e que marcou o final desse pontificado.

Segundo o autor, devido à má gestão das finanças vaticanas, foram registradas "perdas por diferenças no inventário" e "buracos" de até 700 mil euros no balanço do supermercado do Vaticano e de 300 mil euros no da farmácia vaticana.

Nuzzi disse ainda que o papa presidiu uma reunião a portas fechadas em 2013, lamentando que "os custos estejam fora de controle", após indicar um aumento de 30% do número de funcionários em 5 anos.

Traidores do Vaticano

Chaouqui foi a única mulher nomeada em 2013 pelo pontífice argentino para fazer parte do comitê que estudou, por quase um ano, a reforma das instituições econômicas e administrativas da Santa Sé. 

Nuzzi ressalta que tanto o padre como a laica italiana, "fontes" de suas denúncias, queriam "ajudar o papa" com a publicação dos documentos aos que tiveram acesso.

Na segunda-feira (2) o Vaticano advertiu que esta "não é uma maneira de ajudar a missão do Papa", e que os considera "traidores". O Estado ainda ameaçou denunciá-los penalmente, se for o caso.

"Este trabalho começou há um ano e baseia em informação verificada", garantiu Fippipaldi. "Entendo que o Vaticano esteja preocupado (...). A investigação revela a distância entre a posição do papa e o funcionamento real", comentou o jornalista.

Os livros citam e-mails, atas de reuniões, conversas privadas gravadas e notas que demonstram o excesso de burocracia, a má gestão, o desperdício e os gastos milionários com aluguéis.

Divisão interna

Desde o início do seu pontificado, Francisco critica em público a Curia Romana, que, para ele, é um centro de "intrigas, fofocas panelinhas com ambições de fazer carreira".

No passado, durante as celebrações do Natal, o pontífice descreveu as "15 doenças da Cúria", entre elas o "Alzheimer espiritual".

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