Por que o Estado Islâmico é tão cruel?

Estupros, decapitações e os mais diversos tipos de tortura estão entre as atrocidades que o grupo terrorista faz questão de exibir publicamente. Mas qual a razão de tanta crueldade? Um pesquisador respondeu a esta questão.

fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Atualizado: Quinta-feira, 21 Julho de 2016 as 10:40

Terroristas do Estado Islâmico se posicionam para executar cristãos. (Foto: Reuters)
Terroristas do Estado Islâmico se posicionam para executar cristãos. (Foto: Reuters)

Na esteira do massacre do 'Dia da Bastilha' em Nice, a brutalidade do Estado Islâmico parece não ter fim. No atentado, o tunisiano Mohamed Bouhlel jogou seu caminhão contra uma multidão em Nice, França, matando 84 pessoas e ferindo 200. Dez crianças estavam entre os mortos.

Na mesma época, foi relatado que oficiais franceses suprimiram relatos terríveis de tortura, incluídos nos ataques terroristas ao teatro Bataclan, em Paris no ano passado, como decapitações, olhos arrancados e abuso sexual.

Em meio a tantas atrocidades, surge a questão: Por que o Estado Islâmico está fazendo isso? Como eles podem ser tão cruéis e sádicos?

Um estudo recente, intitulado "ISIS: Inside the Army of Terror" ("Estado Islâmico: Dentro do Exército do Terror") explora exatamente essa pergunta. Segundo o autor do estudo, Hassan Hassan, um analista do Instituto de Delma, um centro de pesquisa em Abu Dhabi, há de fato uma lógica bastante brutal por trás das atrocidades do grupo terrorista.

Hassan aponta para uma proeminente literatura 'jihadi', intitulado 'Idarat al-Tawahush' ou 'Gestão de Selvageria'. A obra foi escrito por um ideólogo jihadista que atende pelo nome de Abu Bakr Naji.

O livro é considerado essencial para o 'currículo' de um combatente do Estado Islâmico. Naji argumenta que as derrotas das cruzadas não foram o resultado de batalhas de grande escala entre exércitos, mas sim através um longo processo de esgotamento e exaustão (guerrilha).

Além dos ataques terroristas em países da Europa (França, Bélgica e Turquia) e nos Estados Unidos, o Estado Islâmico também é o responsável pelo genocídio de cristãos e outras minorias religiosas no Oriente Médio (Foto: Reuters).

 

Nas palavras do pesquisador Hassan: "De acordo com o Estado Islâmico, a violência tem que ser firme e precisa sempre chocar e dissuadir. Atos aleatórios de violência não são suficientes neste contexto. A brutalidade tem que ser cada vez mais selvagem, criativa e chocante. É importante ressaltar que o Estado Islâmico aumenta o nível de sua selvageria em momentos críticos, em vez de se intimidar".

É por isso que o grupo terrorista considera tão importante que seus atos de violência sejam públicos, vistos por todos. Esse precedente foi estabelecido pelo fundador do Estado Islâmico, Abu Musab al-Zarqawi, quando ele filmou o assassinato do americano, Nick Berg, em 2004.

Com relação aos atos específicos de brutalidade, Hassan vê uma 'teologia' distintivamente prática, incorporada ao Estado Islâmico, que ele chama de "Shariacinético". Ao invés de basear sua violência em textos teológicos, O Estado Islâmico tende a utilizar narrativas, histórias e biografias de figuras muçulmanas "cheias de autoridade" como exemplos para seus segudidores promoverem fielmente a jihad ("guerra santa").

Hassan observa: "O Estado Islâmico usa essas histórias, combinadas com ideias e conceitos aceitos por seus seguidores, como parte de um projeto político e de ideologia".

O "gênio" do Estado Islâmico acaba sendo aquele que faz uma comparação, não entre seus atos e a "teoria" da jihad, mas entre seus atos e os atos de exemplares originais do Islamismo.

Como a antropologia política observou, a política tem sido sempre um grande teatro. Com a teologia encarnada do Estado Islâmico, é como se o mundo continuasse a se portar como uma plateia de espectadores de horrores indescritíveis.


Genocídio
Além dos ataques terroristas em países da Europa (França, Bélgica e Turquia) e nos Estados Unidos, o Estado Islâmico também é o responsável pelo genocídio de cristãos e outras minorias religiosas no Oriente Médio.

Seguindo sua linha de atrocidades, o grupo terrorista usa o comércio de escravas sexuais - muitas delas, ainda meninas, a partir de 7 anos de idade - como fonte de renda e também registra as execuções daqueles que considera infiéis em vídeos e fotos que são posteriormente publicadas na internet.

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