Cega desde criança, ela tornou-se a maior compositora de hinos da História

Cega desde criança, ela tornou-se a maior compositora de hinos da História

Atualizado: Segunda-feira, 3 Maio de 2010 as 12

A vida da poetisa e compositora Fanny Jane Crosby (1820-1915) é t&>59;o impressionante quanto à qualidade e quantidade de seus hinos. Ao todo s&>59;o quase nove mil hinos que incentivam a mudança de vida de pecadores, encorajam crist&>59;os e inspiram toda a humanidade até os dias de hoje. É difícil ficar passível diante da força das palavras do hino 15 do tradicional Cantor Crist&>59;o, cujo título é Exultaç&>59;o: A Deus demos glória, com grande fervor, Seu Filho bendito por nós todos deu / A graça concede ao mais vil pecador, abrindo-lhe a porta de entrada no céus / Exultai, exultai, vinde todos louvar a Jesus, Salvador, a Jesus redentor / a Deus demos gloria, porquanto do céu, seu filho bendito, por nós todos deu! A beleza e o poder contidos nesses versos surpreendem ainda mais por terem sido escritos por uma mulher que ficou cega com apenas seis semanas de vida. Sua vida foi a prova de que dificuldade alguma pode conter a unç&>59;o de Deus, nem mesmo tirar o prazer de um dos servos. Em outro de seus mais famosos e belos cânticos, intitulado Segurança, ela escreveu: Vivo feliz, pois sou de Jesus, e já desfruto o gozo da luz [...] Canta minha alma, canta ao Senhor, rende-lhe sempre ardente louvor.

Outra curiosidade na vida da maior autora de hinos da história da musica sacra é o fato de ela ter escrito seu primeiro cântico aos 44 anos.

Infecção nos olhos - Nascida em 24 de março de 1820 no município de Putnam, em Nova Iorque, Fanny tinha pouco mais de um mês de vida quando sofreu uma infecç&>59;o nos olhos. O clínico geral estava fora da cidade e um outro médico fora chamado para tratar do caso. Receitou cataplasmas de mostarda quente e o efeito foi desastroso: a menina ficaria cega pelo resto da vida. O "médico" teve de fugir da cidade, tamanha a revolta suscitada entre os parentes e vizinhos do bebê.

Aos cinco anos, foi levada pela mãe para consultar o melhor especialista no país, o Dr. Valentine Mott. Uma coleta feita entre os vizinhos pagou a viagem. O pai de Fanny já havia morrido e a situaç&>59;o financeira da família era muito difícil. O sacrifício, infelizmente, foi em v&>59;o, já que o médico decretou o caso como incurável.

A menina teve então de acostumar-se às dificuldades, ao mesmo tempo em que demonstrava uma habilidade incomum para compor poesias.

Naquela época, a mensagem do Evangelho foi plantada no coraç&>59;o da jovem Fanny, por intermédio de sua avó. Era ela quem passava horas lendo Bíblia para a menina, que demonstrava ter uma memória extraordinária: decorou diversos trechos do Livro de Rute e dos Salmos. Aos 15 anos, ela entrou para o Instituto de Cegos de Nova Iorque, para onde voltaria anos depois para ensinar Inglês e História. Como aluna e professora, Fanny passou 35 anos na mesma escola.

Testemunho do fé - Em 1844, escreveu seu primeiro livro de poemas - A menina cega e outros poemas. Uma de suas primeiras participaç&*17;es como compositora aconteceu em um dos cultos de Dwight L. Moody, um dos maiores pregadores da história do Evangelho, que realizava uma conferência na cidade de Northfield, no estado de Massachussetts. Impressionado com o talento de Fanny, Moody pediu que ela contasse o testemunho pessoal de sua fé e de seu relacionamento com Deus. Assustada, Fanny a princípio relutou, mas depois leu a letra de um hino que acabara de escrever: Eu o chamo de meu poema da alma. Ás vezes, quando eu estou preocupada, eu repito isto para mim mesma, e essas palavras trazem conforto ao meu coraç&>59;o, disse ela, antes de recitá-lo. O hino, é verdade, n&>59;o é citado em sua biografia, mas isso, de fato, pouco importa, já que poderia ser qualquer um daquelas centenas de cânticos que embalaram o avivamento americano no século 19, período que ficou conhecido como O Grande Despertamento. Naquela ocasi&>59;o, os momentos de apelo à convers&>59;o eram frequentemente inspirados por palavras como as do hino Mais perto da Tua cruz, composto por Fanny Crosby, em 1 868: Meu Senhor sou Teu / Tua voz ouvi, a chamar-me com amor [...] mais perto da Tua cruz leva-me, ó Senhor. Fanny era membro da Igreja Episcopal Metodista, de Nova Iorque. Ela era uma oradora devota e frequentemente preparava os cultos infantis da igreja.

Casamento - Em 1858, Fanny casou-se com o professor de música e cantor de concerto Alexander Van Alstyne. Nessa época, ela havia deixado o ensino para acompanhá-lo tocando piano e harpa em apresentaç&*17;es públicas. Compôs diversas canç&*17;es populares nesse período. Na mesma ocasi&>59;o, a vida trouxe-lhe urna das maiores afliç&*17;es que uma pessoa pode enfrentar: a perda de um filho. A criança, seu único filho, morrera ainda pequena.

Em 1864, por influência do famoso evangelista, escritor e compositor William Bradbury, que tem dezenas de canç&*17;es registradas nos hinários e cantores crist&>59;os até hoje, Fanny passou a escrever exclusivamente musicas sacras. Apaixonada por crianças e motivada pela perda irreparável de seu filho, a compositora criou um estilo próprio: Achei que as crianças também tinham de entender as letras e as melodias teriam de ser simples também. Ela esforçou-se para retratar os temas do céu e o retorno de Cristo com palavras simples.

Ímpeto criativo - O número extraordinário de composiç&*17;es da autora pode ser explicado n&>59;o só pelo ímpeto criativo de Fanny, mas também pelo fato de ela ter um contrato de trabalho com uma editora, a Biglow & Co., que a obrigava a entregar três composiç&*17;es novas a cada semana. Ela chegou a compor sete canç&*17;es em apenas um dia. Como de hábito, n&>59;o iniciava seu trabalho sem antes dedicar horas à oraç&>59;o.

Curiosamente, Fanny n&>59;o escrevia as letras de seus hinos, por nunca ter dominado o método Braille. Dona de uma memória extraordinária, memorizava-as facilmente. Quando morreu, aos 94 anos, amigos e parentes escreveram na lápide de sua sepultura: Ela fez o máximo que pôde. Sem dúvida, foi uma heroina da fé.

Edição por Rosa Araújo   

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