Pastor Mark Driscoll fala sobre aborto em caso de estupro: "O bebê não pode ser outra vítima"

Mark Driscoll reconheceu a gravidade sobre a qual se concentra o crime de estupro, mas também ressaltou que uma vida inocente não pode pagar o preço de um crime tão tenebroso.

fonte: Guiame

Atualizado: Quarta-feira, 30 Novembro de 2016 as 4:27

"Você acredita que o aborto em caso de estupro é errado?". Quando o pastor Mark Driscoll se viu diante dessa pergunta anos atrás, compreendeu que era hora de abordar um questão delicada, porém importante em sua igreja (na época, a Mars Hill Church).

Durante uma sessão de perguntas e respostas, após uma de susas pregações, o pastor se deparou com a pergunta e teve que tomar fôlego para conseguir respondê-la.

"Sim!", respondeu o pastor à pergunta. "Eu digo isso como um homem que sabe que um terço das mulheres nesta igreja foram estupradas ou abusadas sexualmente. Eu digo isso como um homem que já aconselhou uma longa lista de vítimas de estupro".

Driscoll reconheceu a gravidade sobre a qual se concentra o crime de estupro, mas também ressaltou que uma vida inocente não pode pagar o preço de um crime tão tenebroso.

"Eu também acredito que o estupro está entre os mais violentos, maldosos e devastadores dos pecados e crimes", acrescentou. "Uma vida é uma vida. Mas apesar da mulher ser uma vítima, não vamos fazer da criança uma vítima também".

O pastor afirmou que não cabe à Igreja ou sua liderança se colocar na posição de juízes deste caso, mas sim de confidentes, pessoas dispostas a ajudar mulheres feridas, física e psicologicamente.

"Uma mulher que foi estuprada tem um dilema ético muito difícil em suas mãos. Eu ficaria aqui e julgaria? Claro que não. O que nós procuraríamos fazer seria conhecê-la, amá-la, aconselhá-la, ouvir a sua história, saber o detalhes, observar as variáveis, pintar o quadro", destacou.


Contextualização
Na noite da última terça-feira, o Supremo Tribunal Federal acabou apontando que a interrupção da gravidez até o terceiro mês de gestação "não configura crime" e decidiu mandar soltar cinco médicos de uma clínica clandestina de abortos.

A decisão tem gerado muitos protestos e até acabou levando à criação de uma Comissão Especial na Câmara Federal para rever este posicionamento do STF.

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