"Acredito que não estou deixando o Palavrantiga", diz Marcos Almeida

Em entrevista ao site Lagoinha.com, Marcos falou sobre a nova falou mais sobre o assunto e a nova fase que está vivendo, artística e ministerialmente.

fonte: Guiame

Atualizado: Sexta-feira, 4 Julho de 2014 as 10:22

"Acredito que não estou deixando o Palavrantiga", diz Marcos AlmeidaO anúncio da "saída" de Marcos Almeida da banda Palavrantiga gerou dúvidas e questionamentos em muitos que acompanham o grupo. "Seria para seguir uma carreira solo?"; "Seria o Nossa Brasilidade agora um projeto definitivo na carreira do cantor e compositor?" Estas e outras indagações permearam as redes sociais e blog's de música.

Segundo os perfis da própria banda nas redes sociais divulgaram, o vocalista entraria em um "tempo sabático", para descanso.

Em entrevista ao site Lagoinha.com, Marcos falou sobre a nova falou mais sobre o assunto e a nova fase que está vivendo, artística e ministerialmente.

Confira na entrevista logo abaixo:

Esse é o seu último mês com o Palavrantiga e uma pergunta que tem inquietado o público é a causa de tê-lo levado a deixar a banda, teria como explicar o motivo da sua saída?

Acredito que não estou deixando o Palavrantiga. Depois de 10 anos de caminhada com os rapazes, na verdade 7 anos como banda e mais outros anos como parceiros, resolvi retirar um tempo sabático. Chamei o restante da banda para conversar informando que precisava de um período para “descansar” o coração. Tenho dito que mais do que descansar, o tempo sabático é o ápice do viver, é o clímax. No sétimo dia, Deus terminou a criação. Ou seja, há uma ação no sétimo dia, que é “terminar”. E esse “descanso” para mim envolve outros projetos como o “Nossa Brasilidade”.

O pessoal do Palavrantiga e eu somos muito unidos. Não é uma banda de rock que nos une, mas o amor que emana do Cristo que é o centro de tudo. Tivemos um momento muito especial com a “despedida” em São Luís e São Paulo e fiquei admirado com a maturidade do pessoal da banda e também do público em perceber que é necessário na caminhada não se prender a uma obra ou a um projeto. Nessa despedida ficou bem claro que existe a possibilidade de em outros momentos nos reencontrarmos como banda, mas continuamos amigos e parceiros de ministério.

Então esse tempo sabático envolve o “Nossa Brasilidade”?

Está relacionado o “Nossa Brasilidade”, mas também exerço funções ministeriais na minha igreja local. Trabalho com o grupo de louvor na nossa comunidade local. Sempre fui envolvido e agora pretendo investir mais na igreja e também no meu projeto. Acreditamos que o “Nossa Brasilidade” é muito além da promoção de um projeto pessoal, mas um movimento que entendemos que Deus deseja fazer no Brasil. Trazer novos artistas cristãos que pensam na arte não como propaganda religiosa, nem como arte litúrgica, eclesiástica, mas uma arte profundamente brasileira e com a raiz cristã.

Não temos medo de expor a nossa fé e também não acreditamos que a fé é um ato restritivo que nos tira da cultura porque somos todos brasileiros. Acreditamos que estamos em um tipo de pós-movimento gospel.

O “Nossa Brasilidade” seria um pouco desse movimento pós-gospel?

Na verdade quando a gente diz “igreja brasileira” é preciso pensar bem, porque não existe nenhuma igreja brasileira, existem pelo menos 20 denominações grandes, fortes, que têm pelo menos três repostas diferentes para a questão da cultura. Existe uma ala que é totalmente contra a cultura e acredita que trazer o reino de Deus para terra, é se isolar da sociedade e construir dentro da igreja e em volta dela uma resposta para a sociedade. Nessa ala não existe diálogo, existe uma segunda que é ambígua, que usa elementos da cultura que as pessoas entendem como secular, e também da cultura relacionados ao universo das igrejas. Acho que o “gospel” é um malabarismo entre o universo da fé e do entretenimento. Ora é culto, ora é entretenimento.

Acredito na transformação da cultura. Quando Jesus nos diz que temos autoridade para fazer discípulos por todas as nações. Deus tem interesse nas nações. Nos últimos dias acredito que povos, línguas e todas as nações se dobrarão diante Dele. Então me interessa muito a identidade brasileira, “o que é o povo brasileiro?” e não uma igreja que não se sente brasileira. Existe também aquela ideia que diz que “não somos desse mundo”. É uma questão muito curiosa, porque não tem como deixar de fazer cultura, até aqueles que a negam estão construindo, mesmo os movimentos mais radicais.

A ideia é pensar o seguinte: Qual a contribuição da fé cristã para a identidade brasileira? Ou qual seria a brasilidade contada a partir de um cristão? A identidade da cultura brasileira é determinada por um público não cristão e até mesmo anticristão. Essa concepção de que o brasileiro é o cara que gosta de cerveja, de Carnaval, de bossa nova e samba, é uma construção feita por um grupo de intelectuais. E existe até certo desprezo pelo Cristianismo.

O que estamos tentando dizer é que não há uma separação. Acredito que existe um mundo só. Tanto a cultura “secular” está sendo influenciada pela cultura evangélica, assim como a cultura evangélica é influenciada por tudo que está em volta dela. O que é preciso é ter sabedoria para saber o que se deve rejeitar e o que a igreja pode acolher.

Então você procura mostrar pelo “Nossa Brasilidade” que não existe essa separação entre o gospel e o secular?

Existe uma divisão clara na Bíblia entre o santo e o profano. Contudo, o linguajar gospel criou uma ideia diferente de separação entre gospel e secular. Existe muita música gospel que é profana, que não tem nada a ver com a Bíblia, assim como há muita música secular que aponta para elementos extremamente bíblicos e verdadeiros. A gente entende então que há necessidade de outro vocabulário. E estamos de certa forma dando essa contribuição para esse novo vocabulário. E o “Nossa Brasilidade” é uma amostra que tentamos apresentar a partir das músicas.

Essa tentativa de enfatizar que não há separação tem gerado críticas a vocês?

A gente recebe algumas críticas. A primeira vista parece alguma coisa muito “carnal” muito “pensado”, mas a gente vê que é um movimento que o Espírito Santo está fazendo no Brasil. Existem muitos grupos que vieram desse meio da cultura gospel que não estão mais relacionados ao movimento, como a Lorena Chaves, a Lilian Soares, o Bruno Branco, alguns músicos do Nordeste e também de Brasília que não usam esse vocabulário. Acredito que o gospel é mais uma forma de comunicação do que um estilo de música. O gospel tem o seu linguajar. O “Nossa Brasilidade” está tentando aproximar mais com o vocabulário de “rua”, mais com o “português” do que com o “evangeliquês”. Se fosse resumir, diria que o nosso projeto são artistas cristãos falando em português.

A tentativa de aproximar com o vocabulário de “rua” é na verdade aproximar com aqueles que ainda têm resistência com o Evangelho?

Na verdade, tudo que você faz é uma anunciação. O que é evangelizar? É trazer as boas notícias, e quando você faz algo bem feito, Deus é exaltado, porque muita gente tem interesse em saber de onde vem o que está sendo produzido. Então, quando você trabalha com a canção, fica escancarado sua confissão de fé. Quem conhece as nossas músicas sabe que não estamos tentando ser simpáticos com o mundo. Estamos provocando muitas coisas, mas com beleza, poesia e na língua corrente das ruas e não nos jargões evangélicos.

Em Ipatinga você e a Lorena cantaram uma nova música “Danço” com o projeto “Nossa Brasilidade”. Teria como adiantar mais informações sobre essa canção? Tem outras músicas novas chegando?

Foi muito engraçado a forma como criamos. Pensei que não iríamos compor outra música juntos depois de Cartão Postal. A Lorena foi para minha casa, para ensaiarmos para o “Nossa Brasilidade”. Ela sentou-se na sala com o violão e começou a tocar algumas coisas. A minha esposa estava próxima a nós cuidando do meu filho, e eu disse a Lorena: “Bonito isso que você tocou”. Então, ela disse que estava compondo algo, mas que ainda não estava completo. Peguei um caderno e passamos a escrever juntos, ela, minha esposa e eu. Sendo assim, a autoria é de nós três (risos).

A utilização de instrumentos diferentes do habitual é para trazer também um pouco da brasilidade para a apresentação?

É também, mas até a coisa do “clichê”, a gente está tentando mexer. O Brasil não é só aquele que gosta de samba, de frevo, mas há também os que gostam de rock e de outros ritmos. E 95% do repertório é autoral, são músicas da Lorena, minha e da Lilian, e de outros artistas.

*Entrevista por Érica Fernandes

Com informações da Lagoinha.com

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