Bruno Branco lamenta rótulos na música gospel: "Se não tem o 'evangeliquês', está desclassificado"

O cantor - ou poeta, como prefere ser chamado - falou sobre o seu novo CD "Prato e Sino" e também comentou o atual contexto da música gospel no Brasil.

fonte: Guiame

Atualizado: Sexta-feira, 22 Agosto de 2014 as 4:45

Ele tem visto suas canções conquistarem o gosto do público, mas não a música exatamente como uma profissão. Formado em Direito e agora fazendo pós-graduação também dentro da área jurídica, Bruno Branco vê na música, ou melhor, na poesia, um hobby, com o qual expressa sua fé e fala sobre os seus pontos de vista em relação ao mundo em que vive.

Tendo lançado o álbum "Prato e Sino" em junho deste ano (2014), Bruno assinou recentemente, um contrato com a Som Livre e começa a ganhar cada vez mais espaço nas playlists dos que acompanham esta recente geração de músicos cristãos.

Em entrevista ao site Lagoinha.com, o cantor - ou poeta, como prefere ser chamado - falou sobre o seu novo CD. Bruno destacou que as canções deste trabalho trazem um conteúdo que aborda temas sociais, como a corrupção a falta de amor de muitos políticos pelo seu próprio povo.

"As músicas do disco carregam também muitos protestos sociais. Na época que gravei estava vivenciando uma onda de manifestações pelas ruas do Brasil. O nome do álbum também faz uma analogia com os “pratos vazios” das pessoas que muitas vezes pensamos que está vazio de arroz, feijão, saúde, mas que no fundo no fundo está vazio é de amor, porque os governantes não amam as pessoas. Se amassem, usariam os recursos para o bem da população", disse.

Falta de amor, não somente por parte dos políticos, mas também da parte de muitos líderes religiosos estão sendo abordados neste álbum.

"O nome do disco também fala da questão do “prato da fé”, das pessoas que estão sendo comercializadas dentro das igrejas. Elas também estão vazias de amor. Então, fiz essa relação com os sinos das igrejas, porque não adianta, também fazendo uma analogia, estarem cheias de 'congressos', 'eventos”, e 'shows' e continuarem vazias de amor", alertou.

Rótulos
Quando questionado sobre a proposta mais poética de suas canções, Bruno destacou que rótulos impostos à música cristã têm a formatado e contribuído para desviar o seu foco original: o evangelho.

"Para muitas pessoas cantar música 'gospel' ou 'cristã' significa usar determinadas palavras. Então, se a música não tem a palavra 'Jesus' cinco, seis ou mais vezes é como se ela estivesse em um sub-nível e não fosse classificada para ser cristã. Mas no fundo do fundo, quando falamos do que Jesus fez, do que Ele foi e do que nós somos Nele, por Ele e para Ele, automaticamente, estamos falando dEle", disse.

Ainda falando sobre o assunto, Bruno lamentou o fato de muitas pessoas se prenderem a um formato carregado de "jargões" e dispensarem trabalhos recheados de poesia e belas mensagens.

"Muitas vezes as pessoas se preocupam com a linguagem e não com a mensagem. É triste saber que a gente tem pilhas e pilhas de discos que a palavra 'Jesus' aparece muitas vezes, mas que as letras não têm nenhum conteúdo do Evangelho. Infelizmente esse preconceito não é com a mensagem, porque se você observar os discos do Palavrantiga, da Lorena, você encontrará muito Cristianismo. Então, as pessoas preferem criticar quando o trabalho não carrega certa bandeira, do que ouvir e compreender o que aquela pessoa está dizendo. Portanto, se não tem o 'evangeliquês' que estamos acostumados, o projeto está desclassificado, e por isso, acabamos perdendo muitas pessoas", disse.

Confira no vídeo abaixo, a canção "Prato e Sino", de Bruno Branco:

Com informações da Lagoinha.com

 

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