Damares fala sobre evolução da música gospel no Brasil: "Somos vistos de forma diferenciada"

Em entrevista exclusiva ao Portal Guiame, a cantora pentecostal falou sobre seu constante desejo de agregar novas ideias aos seus projetos, a evolução da música gospel no Brasil e como tem aproveitado esta grande projeção para falar sobre o amor de Cristo pelas pessoas.

fonte: Guiame, João Neto

Atualizado: Quarta-feira, 27 Maio de 2015 as 11:15

Damares é atualmente um dos maiores nomes da música gospel nacional, com mais de 8 milhões de seguidores nas mídias sociais.
Damares é atualmente um dos maiores nomes da música gospel nacional, com mais de 8 milhões de seguidores nas mídias sociais.

O sucesso estrondoso do seu CD 'O Maior Troféu' - lançado pela Sony Music Gospel - os diversos convites para participar de programas de rádio e TV - tanto do meio gospel, como do secular - e os mais de 8 milhões de seguidores nas mídias sociais não são suficientes para fazer com que Damares se acomode.

Em entrevista exclusiva ao Portal Guiame, a cantora pentecostal que é atualmente um dos maiores nomes da música gospel nacional falou sobre seu constante desejo de agregar novas ideias aos seus projetos, a evolução da música gospel no Brasil e como tem aproveitado esta grande projeção para falar sobre o amor de Cristo pelas pessoas.

Confira a entrevista na íntegra logo abaixo:

Portal Guiame: O CD 'O Maior Troféu' já ganhou todos os tipos de premiações existentes no mercado fonográfico, como Disco de Ouro, Diamante, Platina... O que te leva a não se acomodar diante de tantos bons resultados?

Damares: É Deus quem me impulsiona. Eu sou muito guiada por aquilo que Deus quer para mim e eu amo o que eu faço. Eu não me imagino fazendo outra coisa. [Cantar / ministrar] É o que eu sei fazer de melhor! Eu procuro batalhar, estar sempre inovando, trazendo coisas diferenciadas, para que eu não caia na mesmice e não fique sempre aquela coisa 'mais do mesmo'. Eu sei que é um pouco cansativo, até para as pessoas que estão ouvindo, passa dois, três anos e vem um disco novo de tal cantor, aí passa mais dois ou três anos e vem mais um disco novo. E aí tem horas que as pessoas não aguentam mais ouvir Damares ou 'A', 'B' ou 'C'. O ser humano é muito complicado [risos]. Você mesmo, às vezes enjoa de se ouvir - embora eu goste de me ouvir. Às vezes a gente chega em alguma cidade e precisa pegar o carro para ir até determinada cidade do interior e as pessoas perguntam: 'Posso colocar o teu CD aqui para tocar? Tem cantor que vem aqui e não gosta que coloque os CDs deles'. Eu digo: 'Não... pode deixar tocando! Eu me amo. Se eu não gostar de me ouvir, quem vai gostar? [risos]'.

Eu gosto de trazer coisas novas, porque eu também gosto de ouvir coisas novas na minha voz. Eu gosto de desafios, às vezes eu ouço uma música e falo assim: 'Puxa, que música bonita, diferente! Será que eu sou capaz de cantar esta música?'. Aí eu aceito o desafio tento trazer aquele novo estilo no próximo CD, sem perder a minha característica, obviamente. Então isto me motiva, me traz um gás, para estar todos os dias para eu continuar. Realmente, eu estou com quase 20 anos de ministério, às vezes me sinto um tanto cansada, óbvio, como em qualquer profissão, em qualquer área da vida. Mas eu sou motivada pelo Espírito Santo, pela graça de Deus e eu faço realmente aquilo que eu amo, eu faço com prazer. Acho que aí é que está um grande segredo: você fazer aquilo que você ama. Isto faz toda a diferença.

Guiame: Falando em coisas novas e até mesmo desafios, quais cantores / grupos têm feito parte da sua playlist ultimamente? Algum deles teria uma canção que pudesse representar este desafio de gravar algo diferente?

Damares: De uns anos para cá eu tenho ouvido mais música internacional - não que eu entenda o inglês completamente. Eu busco músicas internacionais que eu goste no Youtube e o que eu não entendo da letra, busco versões daquelas canções em português para ver do que se trata. Eu sou muito curiosa. Eu tenho ouvido bastante Casting Crowns, já escuto há muitos anos a Jacy Velasquez, também tenho escutado a Marcela Gandara, que eu acho uma cantora fantástica. Inclusive eu já falei com o Maurício [Soares, CEO da Sony Music Gospel Brasil] para fazer alguma versão de uma música internacional para o meu próximo CD, provavelmente alguma música do Casting Crowns, porque eles são da Sony Internacional. Tem muitas músicas deles que são lindas! Eu sou fã deles! Eu vou no Youtube, procuro a tradução e sinto a presença de Deus com as músicas deles. Tem umas músicas lá que dão certo para mim e posso trabalhar na voz, para que fique algo dentro do meu estilo, mas sem perder a qualidade do estilo deles, porque tem que estar à altura também. Eu sou muito categórica, exigente e chata comigo mesma. Não adianta fazer uma versão e ficar aquela coisa meia boca, que não vai chegar ao rastro. Então se eu não consigo chegar ao 100%, quero chegar ao menos perto do original.

Eu tenho ouvido muita música internacional de uns anos para cá e tenho aprendido bastante, até mesmo com a interpretação. Eu fico muito feliz quando escuto pessoas dizendo assim: 'Como mudou o seu trabalho, dos primeiros discos para este último'. O DVD "O Maior Troféu" é o meu terceiro DVD e automaticamente, o terceiro CD ao vivo. Eu sou suspeita para falar, mas este é o meu CD ao vivo que eu mais gosto. A minha interpretação está muito centrada, madura. É um pentecostal forte, que é o meu estilo, mas ao mesmo tempo está suave, gostoso de ouvir. A minha voz está muito equilibrada, madura e não está agressiva, porque o pentecostal traz aquela coisa forte! É como o Maurício fala: 'O pentecostal é nervoso' [risos]. A gente trouxe um novo disco dentro de outro que já existia. O Melk trouxe uma característica bem americana, tem muitos sons de guitarra. Está diferenciado e é o melhor disco ao vivo que eu já gravei, sem sombra de dúvida. No próximo CD, eu gostaria de fazer algo na linha deste ao vivo e, de repente trazer versões internacionais traduzidas para o português.

Guiame: Recentemente, você foi homenageada pela Ordem dos Músicos do Brasil. Como você avalia o reconhecimento que a música gospel tem alcançado, tanto técnicamente, como na mídia?

Damares: É algo crescente. É uma conquista. A música gospel é muito inovadora! A gente passou por grandes batalhas, mas hoje a gente vê as portas abertas de uma maneira que gente consegue enxergar um novo tempo. A música gospel tem vivido um novo tempo e eu fico feliz de ter chegado a este tempo de coisas que nos trazem uma segurança, uma estrutura, que outrora a gente não tinha. Há quase 20 anos, eu comecei no tempo do discão, do Vinil. Eu vivi um tempo assim de muito sofrimento. A gente não tinha o espaço que a gente tem atualmente. Hoje a música gospel é respeitada, é visualizada de uma forma muito positiva, como um todo. Agora o povo lá de fora [secular] olha para a nossa música sem aquele olhar assim: 'que música brega!', um olhar preconceituoso, de que aquilo ali não vai dar em nada. Hoje as pessoas do secular amam as músicas gospel. Sempre encontro nos aeroportos por aí, cantores, jogadores de futebol. Agora, recentemente a Solange, vocalista do Aviões do Forró postou no Instagram dela, um vídeo dela cantanda "Sabor de Mel". Quantas vezes, jogadores de futebol não pediram músicas minhas no Fantástico? Eu fui convidada ao programa da Xuxa, dois anos atrás e a produção do programa dela disse assim: 'Não é a produção do programa que está fazendo um convite para a Damares. A Xuxa disse que é uma ordem dela. Que ela quer a Damares no programa dela, porque as músicas têm sido de grande ajuda para a vida dela. E ela faz questão de que a Damares participe do programa dela. Então é um alcance, é algo muito precioso, que a gente tem que valorizar.

A Ordem dos Músicos entrou neste tempo, que nos traz para algo mais profissional. Hoje a música gospel é reconhecida, nós somos vistos pela sociedade como cantores profissionais. A gente conquistou isso, o nosso espaço e nós somos respeitados por isso. As pessoas olham a gente de uma forma diferenciada, que outrora a gente não era olhado. Eu louvo a Deus por esta grande conquista. Não foi algo que a gente conquistou da noite para o dia. Foi degrau por degrau. Eu recebi a carteirinha [da OMB], o diploma de Honra ao Mérito, fui homenageada, cantei lá... Foi muito legal! Fiquei muito honrada! E outros cantores também estão entrando para a Ordem dos Músicos. Isto é muito importante para a gente.

Guiame: A sua participação mais recente no programa do Ratinho chamou a atenção do público por você ter aproveitado para testemunhar e 'pregar' sobre Jesus Cristo e a Bíblia após ter cantado. Você imaginava que isto fosse gerar tanta repercussão?

Damares: Não foi nada programado, porque tudo ali é muito inusitado. Você viu que não é fácil. A gente tem pouco espaço para falar alguma coisa. A gente é convidado para cantar. Então eles interrompem... não tem como, porque o programa é ao vivo, não tem como editar e tudo é muito rápido. Eu aproveitei uma brecha que eu tive e mergulhei. Eu estava ali atrás e coloquei isto diante de Deus. Eu falei: 'Senhor, vai na minha frente e que seja feita a tua vontade e não a minha'. O ambiente ali é totalmente desproporcional, bem diferente dos lugares que a gente costuma estar. Você não tem meios de entrar, ali é muito complicado. Teve outros programas de TV que eu fui e foi muito mais fácil para eu falar alguma coisa, pregar a Palavra e não apenas cantar. Ali no programa do Ratinho é muito difícil. As pessoas que estão do outro lado não têm noção da dificuldade que eu encontrei ou que a gente tenha de falar alguma coisa ali. Então eu tinha que chegar, cantar e pronto. Tinha alguém ali atrás das câmeras - creio que comandando o programa - o tempo todo dando sinal, que era para parar. Isso ninguém está vendo, né? Então eu estava falando aquelas coisas e ele dando sinal de que eu tinha que parar [risos]. Não é que eles não querem que a gente fale de Deus, mas é porque não dá tempo mesmo. Teve muita gente que reclamou de que outros cantores do secular têm tempo para falar. Mas eu não sei... Deus é que sabe!

Eu aproveitei, agarrei com unhas e dentes a oportunidade que eu tive. Eu peguei aquela brecha, mas não programei nada, diante do Espírito Santo. Eu estava orando ali na mesa, em um ambiente que não tem nada a ver comigo, não tem a ver com os evangélicos. Eu chamei o Ratinho e ele já tinha dado o 'xeque-mate', já tinha falado do meu DVD. Quando ele me respondeu, eu não sabia o que falar, justamente porque não tinha programado nada. Mas eu fui direcionada pelo Espírito Santo de Deus. Depois eu assisti e me emocionei, porque eu consegui falar direitinho e trazer o recado, deixar a mensagem às pessoas que estavam do outro lado, me assistindo. Eu não imaginava que iria causar toda esta repercussão e foi muito bom, muito positivo. Eu fiquei muito feliz com o resultado. Consegui cantar e falar alguma coisa - o que eu também queria muito. Da outra vez que eu tinha ido, não consegui falar o que eu queria e desta vez eu consegui deixar a mensagem como eu queria. Eu fiquei muito feliz porque o nome do Senhor foi glorificado.

Guiame: Que mensagem você pode deixar agora para os nossos internautas, que estão lendo esta entrevista?

Damares: Peço que todos continuem orando por nós, até mesmo para que Deus continue nos dando estratégias, para que a gente consiga pregar o evangelho em lugares inalcançados, que a gente não tem possibilidade de falar de Jesus. Que a gente possa aproveitar as oportunidades e deixar o recado, mostrar para quê viemos e que possamos colocar Jesus no lugar mais alto. Que Ele brilhe em nós, que a gente diminua e que o Senhor Jesus apareça 100% em nossa vida. Agradeço ao Portal Guiame, que sempre com tanto carinho, me abençoa, me acompanha, dá cobertura aos projetos que a gente lança. Estamos juntos! O que vocês precisarem, é só chamar que eu estou à disposição. Deus abençoe vocês, parabéns pelo trabalho que vocês têm feito, têm desenvolvido. Parabéns pelo profissionalismo, pela competência. Aplausos a vocês pelo trabalho brilhante que vocês têm feito. Obrigada pelo apoio! Portal Guiame, vocês são incríveis, são muito especiais. Que Deus abençoe poderosamente.

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