"Houve muito preconceito", lembra Perlla sobre sua conversão

Assuntos como ter superado a depressão e até mesmo a vontade de cometer suicídio foram abordados com sinceridade pela cantora, que atualmente é casada, mãe de duas filhas e segue carreira na música evangélica.

fonte: Guiame

Atualizado: Quarta-feira, 7 Maio de 2014 as 4:58

 "Houve muito preconceito", lembra Perlla sobre conversão

Ela tinha uma carreira de sucesso no funk nacional, mas como ela mesma afirma: "tinha muito e dinheiro e ao mesmo tempo parecia que não tinha nada". Em entrevista ao site da Igreja Batista da Lagoinha (MG), Perlla falou mais sobre o seu testemunho, conversão, casamento, ministério, entre outros assuntos.

Assuntos como ter superado a depressão e até mesmo a vontade de cometer suicídio foram abordados com sinceridade pela cantora, que atualmente é casada, mãe de duas filhas e segue carreira na música evangélica.

Confira na entrevista logo abaixo:

Você já contou em outras entrevistas que seu nome foi inspirado na cantora paraguaia chamada Perla. Sua família já tinha o desejo em vê-la seguindo carreira como cantora artística?
Perlla: Meu avô gostava muito da Perla. E um tempo após o falecimento dele, eu nasci, e meu pai decidiu fazer uma homenagem a ele colocando em mim o mesmo nome da cantora que ele gostava. Mas também era um sonho do meu pai me ver cantando e ser conhecida por esse talento.

Você nasceu em lar cristão. Quando ocorreu a ruptura com o evangelho?
Perlla: Lembro que tinha 13 ou 14 anos de idade. Muitas coisas aconteceram ao mesmo tempo e fizeram com que eu deixasse a igreja. Sentia desânimo e algumas situações me deixaram chateada. O ápice da minha saída foi quando recebi o convite para ir a um show de pagode. Quando participei da apresentação, decidi que não retornaria mais para a igreja.

E o que a sua família achou de sua saída?
Perlla: Meu pai não era cristão, então quem ficou mais decepcionada foi minha mãe. Ela não aceitava de forma alguma e também não me apoiava em nada. Ela dizia: “Se você quer sair, a decisão é sua, mas saiba que não tem o meu apoio”.

Você começou a cantar na igreja, já existia um sonho em ser cantora conhecida?
Perlla: Sonhava gravar um CD, mas sabia que não conseguiria dentro da igreja, porque é um mercado muito complicado, isso é um ponto negativo em nosso meio. Existem muitas pessoas com talento, mas com poucas oportunidades. Por isso, muitos se afastam do Evangelho por não encontrarem espaço para crescerem como profissionais.

Como você entrou para o funk?
Perlla: Na verdade foi uma oportunidade que surgiu, não tinha em mente ser funkeira. Na época, o funk fazia muito sucesso no Rio de Janeiro e vi que poderia fazer o estilo funk melody. Algo de qualidade, para as pessoas gostarem. Naquele tempo foi novidade, hoje esse estilo musical é comum. Recordo que fui a primeira mulher no funk melody, porque nesse seguimento só havia homens.

A sua carreira estourou quando você era ainda muito jovem, como foi administrar tudo isso?
Perlla: Fui andando conforme a “carruagem”. No começo tive um impacto muito grande, mas quando comecei a ver o resultado nas ruas, a aceitação das pessoas, disse: “É isso mesmo que quero para a minha vida”. Na época não queria saber de Deus, de ninguém nem de nada. A fama sobe à cabeça, as pessoas começam a idolatrar você e estranhamente você se acostuma com isso.

Mas mesmo com o sucesso e o dinheiro, você teve depressão.
Perlla: Com o tempo percebi que tinha muito dinheiro, mas era como se não tivesse nada. Almejava e conseguia tudo que queria, mas nada tinha valor para mim. Já havia pensado até em suicídio, mas não consegui completar. Tentei me jogar do apartamento que ficava 22º andar, mas algo me prendia. Percebi que faltava algo dentro de mim.

E quando tudo mudou?
Perlla: Quando conheci meu marido, Cássio, na banda que cantava. Olhava para ele e via que era um homem diferente. Ele era cristão, acho que esse era o seu segredo. Apaixonei-me por ele a primeira vista. Tentei aproximar dele, mas ele me dizia que não queria se relacionar por no futuro as pessoas passarem a conhecê-lo apenas por ser meu namorado, e não pelo que ele era. Então, passei a desabafar meus problemas com o Cássio. E a todo o momento ele dizia que minha angústia era a falta de Deus, e passou a orar por mim. Começamos a namorar e ele começou a me levar à igreja. Na época fazia shows e paralelamente frequentava os cultos. No começo conseguia conciliar tudo, mas quando o Espírito Santo passou a falar ao meu coração o que Deus tinha para mim, percebi que não dava apenas para ir à igreja, precisava servi-lo também.

Como foi o impacto das pessoas ao saberem que você havia se tornado cristã?
Perlla: No começo não contei a ninguém. Fiquei cumprindo agenda até dezembro de 2011. Meu coração não estava mais nos shows, mas precisava cumprir com os contratos. Sumi dos eventos e fiquei um bom tempo sem falar com ninguém da imprensa. Esperei até março de 2012 para dar a notícia a todos, porque pensava sobre como as pessoas receberiam o que tinha para falar. Imaginei que alguns pensariam que eu estava ficando louca e que a igreja estava impondo a minha saída.

Como a igreja lhe recebeu após deixar o “mundo”?
Perlla: Houve muito preconceito; no entanto, meu compromisso não é com homens, mas com Deus. As pessoas estão com excesso de religiosidade, preocupadas em como a pessoa vai se comportar, se está cumprindo tudo direitinho. Elas acabam se esquecendo das almas e se preocupando mais se alguém está ou não seguindo as regras da igreja. É uma pena tanta resistência na igreja, porque o compromisso não é com rótulos, mas com aquilo que você é em Cristo.

Você namorou em um curto intervalo e após poucos meses se casou. O matrimônio foi difícil nos primeiros momentos?
Perlla: Cássio tinha uma vida em santidade e também era virgem. Por isso, optamos por fazer tudo conforme o padrão bíblico, mas a verdade é que eu iniciei tudo: namoro, noivado e até ao casamento. Eu o pedi em casamento (risos). Disse a ele: “Já coloquei os papeis para correr, vamos casar”. No início foi uma pressão muito grande para ele, porque ainda fazia shows e tinha toda a minha vida de artista. Era muito para ele. Como era bastante independente e para frente, queria impor coisas e continuar do meu jeito, mas sabemos que o homem é o sacerdote do lar e assim não funciona. Então, bem no começo nos separamos por algumas semanas, mas depois reatamos e estamos juntos.

Você está cursando seminário, pensa em ser pastora?
Perlla: Não penso. Estou fazendo seminário para conhecer mais a Palavra de Deus. Contudo, tenho convicção de que não podemos dizer “não” para o que Deus deseja fazer. Por isso, se um dia Ele me direcionar a esse caminho obedecerei.

Como você se define hoje?
Perlla: Estou super feliz, me encontrei e entendi que o que Deus tem preparado para mim é bem melhor. Gradativamente, quis trazer nas minhas novas canções um pouco também do estilo Perlla. Não sou cantora do estilo congregacional. Amo esse tipo de música, mas não é meu ritmo. Acredito que no meio cristão as pessoas gravam quase sempre a mesma coisa, eu procurei trazer um pouco do batidão para o meu álbum.

Com informações da Lagoinha.com

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