Mesmo com braço amputado, músico não desiste de tocar violão: "Tudo é possível ao que crê"

Mesmo diante da adversidade, com seu braço esquerdo amputado, Vitor Lobo decidiu aprimorar uma técnica para continuar tocando seu violão e exercendo seu ministério de música.

fonte: Guiame, por João Neto

Atualizado: Segunda-feira, 26 Setembro de 2016 as 3:30

Aos 19 anos de idade, o cantor e violonista paraense Vitor Lobo pensou que a amputação de seu braço esquerdo poderia acabar com a sua carreira musical promissora. Porém ele não imaginava o quanto mais poderia aprender com aquela situação, ainda que inicialmente dolorosa.

O músico foi divulgado nesta segunda-feira (26) pelo pastor e ministro de louvor Asaph Borba com um vídeo em sua página oficial.

Falando com exclusividade ao Guiame, Vitor contou que foi acometido de um tumor ósseo em um período da sua vida, que estava cheio de planos e expectativas.

"Quando perdi meu braço, achei que minha vida tinha ido embora com ele. Eu tinha 19 anos. Estava no auge da juventude, da auto afirmação na sociedade, no auge da busca pela vaidade.
Para completar, era musico, tocava violão e compunha minhas próprias músicas. Também tinha uma banda, que na época que tinha chances de assimar com uma gravadora.

Mas quando tive que operar e perder meu braço esquerdo, realmente achei que meus sonhos tinham morrido ali", contou.

No total, foram duas amputações no mesmo braço (uma em 2006 e outra em 2010).

"As duas foram terriveis e dolorosas", revelou o músico. "Cheguei a tomar 80 ampolas de morfina por dia para aliviar minha dor e não passava".

Além da dor que parecia não ter fim, a enfermidade também lhe causou efeitos desastrosos em outras partes do corpo.

"Minha coluna quebrou. Tive metástase do braco para o pulmão e do pulmão para a coluna. Uma vértebra se quebrou e a coluna desabou. Fiquei 3 anos deitado em uma cama, sem ter força nem para sentar... Tomando corticoide para voltar a sentir a perna, pelo menos, passei de 65 kg (meu peso normal) para 140kg", contou.

Vitor ainda conta que não foi fácil lidar com o preconceito, após tornar-se portador de uma deficiência física, mas isto não se comparava à dor de saber que não tocaria mais seu violão.

"A pior dor foi achar que nunca mais tocaria meu violão, porque esse instrumento era a minha linguagem não falada de expressão da alma. Era o meu diálogo com com o sobrenatural e, de repente me vi sozinho, como em um 'barco à deriva", confessou.

Vitor Lobo não decidiu não desanimar dianta da adversidade da amputação de seu braços esquerdo e hoje toca e compõe com seu violão. (Foto: Facebook)


Mas a vontade de continuar tocando foi maior que a decepção na vida de Vitor. Ele decidiu buscar novas formas de tirar sons de seu instrumento e, com uma mistura de 'tapping' e dedilhados, encontrou um jeito de voltar a tocar.

"Com o tempo, comecei a 'namorar' o violão aos poucos, tentar fazer bordões no instrumento para me ajudar a dar, pelo menos o tom, as notas das minhas composicões novas... De repente, eu estava formando acordes estáticos e de repente eu estava fazendo ritmo e melodia no violão com uma mão só", disse.

"Hoje eu posso tocar qualquer musica no violão com uma mão só. Hoje componho minhas musicas somente com essa mão que me restou. Sou um músico realizado e faço melhor do que fazia antes, quando toco meu violão. Tudo é possivel aquele que crê".

Em seu depoimento, o músico aproveitou para enviar uma mensagem àqueles que talvez se sintam desanimados diante das adversidades.

"Se você crer como eu, você pode tudo! Se um amputado como eu pode tocar violao de novo, de forma muito eficiente, imagina o que você não pode fazer para Deus! Ouse sonhar, acredite e tudo será possivel!", declarou.

"Tenho 28 metastases de tumores no meu corpo. Desde a cabeça, 4 tumores nos pulmões. Mas tenho uma vida quase normal ou melhor, incrível, pois faço tudo o q eu quero".

Atualmente com 33 anos, Vitor toca e canta na Banda Lirica, compondo suas canções e viaja por todo o Brasil, compartilhando seu impactante testemunho. Em 4 anos, mais de 1.000 pessoas já se converteram por meio deste ministério.

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