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Aécio Neves diz que não tem medo de Marina Silva e diz estar mais preparado do que ela

fonte: Globo.com

Atualizado: Quinta-feira, 28 Agosto de 2014 as 8:44

O candidato do PSDB à Presidência da República, senador Aécio Neves, disse nesta quarta-feira (27) que "respeita muito" sua adversária Marina Silva (PSB), mas que ele e sua equipe estão "muito mais preparados" para governar o país. Questionado durante sabatina ao jornal "Estado de S. Paulo" se tinha medo da ex-senadora, respondeu:

"De forma alguma, eu tenho enorme respeito pela Marina Silva, o que tenho é grande confiança no nosso projeto", acrescentando que a presença dela na disputa, assim como foi a do Eduardo [Campos], é muito importante".

Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira (26) mostra que Aécio está em terceiro lugar nas intenções de voto, com 19%. Dilma Rousseff (PT) está com 34% e Marina Silva (PSB), 29%.

Ao responder à pergunta sobre medo de Marina, o tucano lembrou que o PSDB atuou para "impedir a manobra" que o PT tentou fazer no Congresso Nacional a fim de "impedir pela força da sua maioria a criação do partido da Marina". Ele se referia à Rede Sustentabilidade – que teve o registro negado pela Justiça Eleitoral por falta do mínimo de assinaturas.

"Essa não é uma atitude de quem teme a Marina. Respeito muito a Marina, mas acho que estamos muito mais preparados para os desafios que vamos viver", disse Aécio.

O tucano disse que Marina Silva ainda não apresentou suas "ideias" e argumentou que o PSDB é a "oposição coerente" do país. "Nós somos a oposição no Brasil, e não essa situação circunstancial", disse em referência à candidata do PSB.

"Não mudamos de lado, temos um projeto para o Brasil que executamos quando éramos governo e que agora queremos resgatar", afirmou. Marina Silva era militante do PT e foi ministra do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cinco anos antes de filiar-se ao PV, em 2008, para depois concorrer à Presidência pela primeira vez, em 2010.

Economia
Aécio disse que a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, não "consegue dizer para que caminho pretende levar o Brasil" no campo econômico. Ele disse que, ao antecipar o nome de Armínio Fraga como seu futuro ministro da Fazenda, quer mostrar como o PSDB vai "trazer os empregos de volta e como vai fazer o país voltar a crescer".

Em sua eventual gestão, disse, o Brasil terá uma "política fiscal absolutamente transparente". O tucano evitou responder de quanto será o superávit primário que seu governo perseguirá, mas disse que será crescente e sem incluir despesas não correntes.

"Buscaremos o superávit, mas será precipitação dizer qual será. É preciso que antes assumamos o governo, porque não sei quais serão as bombas relógios que virão daqui para frente”.

O candidato voltou a se referir a Marina Silva ao falar sobre os "nomes qualificados que estão surgindo" no processo de montagem de sua equipe econômica. "Ontem ouvi uma candidata falar em time. Nós temos uma seleção brasileira", afirmou.

Ele ainda repetiu que o Brasil "não é para amadores". "O futuro que nos espera precisa de experiência e competência", disse.

Ministérios e cargos comissionados
Na entrevista, Aécio voltou a prometer um corte no número de ministérios, dizendo achar "razoável" governar com a metade das atuais 39 pastas do governo federal. O candidato tucano ainda disse que são "dispensáveis" um terço dos cerca de 22 mil cargos comissionados, preenchidos sem concurso público e, em geral, por indicações políticas.

"O que o Brasil quer é um Estado eficiente, que gaste menos com a estutura para gastar mais com as pessoas", disse, prometendo "racionalizar o Estado". Acrescentou que seu ex-vice e sucessor no governo de Minas Gerais, Antonio Anastasia, está fazendo um "novo desenho" da estrutura do governo para realizar as mudanças.

Aécio antecipou que ele pode ser um de seus ministros. "Espero primeiro que ele tenha um cargo no Senado, para depois ir para o ministério", quando questionado sobre o assunto.

Reforma tributária
Questionado sobre como será realizada sua reforma tributária, Aécio disse que primeiro vai trabalhar pela "simplificação" do sistema, argumentando que atualmente as empresas gastam cerca de R$ 40 bilhões "para manter a máquina pagadora funcionando".

Ele afirmou ser importante que as despesas do governo também aumentem num ritmo menor que o crescimento da economia. "Vamos qualificar as despesas, não estamos falando em cortes em programas socias. Vamos fazer o Brasil voltar a crescer, mas as despesas supérfluas, vamos cortar sim".

Aeroporto
Aécio voltou a defender, na entrevista, a construção de um aeroporto, quando era governador, na cidade de Cláudio (MG), próximo a fazendas de sua família. Questionado se isso era um problema "moral", ele disse que "foi uma bora correta, planejada e feita para beneficiar a populção deaquela região".

Como argumento, disse que seu governo também investiu na interligação por asfalto de 224 cidades em Minas, na cobertura de telefonia celular para todo o estado e na construção de aeroportos regionais em todo o estado. "Muito provavelmente é possível que tenham familiares meus morando em alguma dessas cidades", disse.
 
Maconha, bafômetro
Aécio reafirmou ser contra proposta defendida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para legalizar o uso da maconha no país. "Eu tenho enorme respeito por ele, mas não tenho concordância com todas as opiniões dele".

Em outro momento, foi indagado se havia se arrependido de, em 2012, ter recusado a se submeter ao teste do bafômetro quando parado por uma blitz no Rio de Janeiro enquanto dirigia. Ele disse que, se o episódio tivesse ocorrido hoje, "faria com certeza". "Sou cidadão, homem comum, não ando com motorista", afirmou.

Ele justificou que não fez o teste porque estava com a carteira vencida e por isso, passou o volante para quem o acompanhava.

Política externa
Ao final da entrevista, Aécio foi questionado sobre o que pensava sobre a atual política externa do Brasil, sobretudo em relação ao Mercosul. "Ficamos amarrados ao longo dos 12 anos ao que é do interesse específico de alguns vizinhos", criticando "alinhamento ideológico da política externa".

Ele disse, no entanto, ser favorável que o bloco evolua da categoria de união aduaneira para área de livre comércio, mas que também possa firmar acordos bilaterais com outros países.

 

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