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Marina diz que Dilma quer ressuscitar o medo na campanha

Candidata participou de série de entrevistas do G1 com presidenciáveis. Ela prometeu formular proposta para mandato de cinco anos sem reeleição.

fonte: Globo.com

Atualizado: Quarta-feira, 3 Setembro de 2014 as 1:39

A candidata a presidente da República pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro), Marina Silva, afirmou nesta quarta-feira (3), em entrevista na série do G1 com presidenciáveis, que a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, "está querendo ressuscitar o medo" na campanha eleitoral.
Em resposta a uma questão sobre se a campanha eleitoral está se tornando mais agressiva, a candidata repetiu o bordão usado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de 2002 – "a esperança venceu o medo".

"Eu acredito profundamente que a esperança venceu o medo. A sociedade brasileira, quando faziam todo esse terrorismo contra o Lula, repetia essa frase. E eu acho que a população brasileira acredita e confia nisso, confia na nossa democracia. Infelizmente, quem está querendo ressuscitar o medo é a presidente Dilma. E a pior forma de se fazer política é pelo medo. Eu prefiro fazer política pelas duas coisas que orientaram a minha vida: pela esperança e pela confiança", declarou.

Nesta terça-feira (2), a presidente afirmou que, se aplicado, o programa de governo de Marina "reduz a pó" a política industrial. No mesmo dia, o ministro Guido Mantega afirmou que o programa de Marina pode "paralisar a economia". No horário eleitoral da TV, a campanha de Dilma comparou Marina aos ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor, que não concluíram seus mandatos – Jânio renunciou e Collor sofreu impeachment.

Durante cerca de 45 minutos, Marina Silva respondeu a perguntas de internautas e do portal, em três blocos, conduzidos pelos jornalistas Tonico Ferreira, da TV Globo, e Nathalia Passarinho, do G1. A ordem dos candidatos na série de entrevistas com os presidenciáveis (veja ao final desta reportagem) foi definida por sorteio na presença de representantes dos partidos de todos os candidatos. A presidente Dilma Rousseff, candidata sorteada para o primeiro dia (28 de julho) da série de entrevistas, não compareceu por problemas de agenda, segundo a assessoria do Palácio do Planalto. Além de Marina Silva, foram entrevistados Zé Maria (PSTU), Aécio Neves (PSDB), Mauro Iasi (PCB), Eduardo Campos (PSB), Rui Costa Pimenta (PCO), Levy Fidelix (PRTB), Eymael (PSDC), Eduardo Jorge (PV), Pastor Everaldo (PSC) e Luciana Genro (PSOL)

Mandato de cinco anos
Marina Silva também prometeu enviar ao Congresso uma proposta para aumentar para cinco anos o mandato presidencial, sem reeleição. Ela disse que, se eleita, cumprirá os quatro anos de mandato e não tentará a reeleição.

"Acabar com a reeleição será uma grande contribuição para o país. Estou assumindo compromisso de quatro anos de mandato. Eu vou cumprir quatro anos. O próximo terá cinco anos. Vamos mandar uma emenda", afirmou.

Ela relembrou falas dos ex-ministros Sérgio Mota, do governo Fernando Henrique Cardoso, e do ex-ministro José Dirceu, do governo Luiz Inácio Lula da Silva, de que os projetos de PSDB, no primeiro caso, e do PT, no segundo, eram para períodos de 20 anos no poder. Ela afirmou que não poderia "sacrificar" a democracia em favor de um mandato mais longo. "Democracia é alternância de poder", declarou.

Ela disse ter tomado a decisão de não tentar a reeleição, caso seja eleita presidente, motivada pelo exemplo do líder sul-africano Nelson Mandela. "Tenho inspiração na figura do Mandela. Ele acabou com o apartheid, mas não buscou um segundo mandato. Deixou a África do Sul buscar seu caminho”, disse.

Programa de governo
A candidata desafiou os adversários Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) a apresentarem seus programas de governo, a exemplo do que ela, Marina, fez na semana passada (veja os principais pontos do programa).

"Dilma não apresentou programa, Aécio não apresentou. Então, espero que eles possam apresentar, para a gente fazer o cotejamento", declarou, em relação às críticas que sofreu por ter alterado o programa em dois pontos (casamento gay e energia nuclear) depois de tê-lo divulgado.
Ela voltou a justificar a alteração, dizendo ter se tratado de um erro. "Só as pessoas que se consideram infalíveis são as que acham que nunca vão cometer um erro. Para governantes, é fundamental que, se houver um erro, haverá disposição para corrigí-lo", declarou.

Primeiro ou segundo turno
Na pergunta sobre se já vislumbra a possibilidade de vencer no primeiro turno, Marina disse que o momento é de andar com os “pés no chão”.
“Tenho brincado que, neste momento, temos que andar de pé no chão com sandálias de algodão. Quem decide é o eleitor. Ele está olhando para os candidatos, para suas propostas”, afirmou.
Ela não respondeu se aceitaria o apoio de Aécio Neves, do PSDB, em um eventual segundo turno contra a presidente Dilma Rousseff. Para Marina, “segundo turno deve ser discutido no segundo turno”.
“Eu tenho um respeito pelos concorrentes. Em 2010 eu ficava muito incomodada quando vocês perguntavam quem eu ia apoiar no segundo turno.Segundo turno a gente discute no segundo turno”, disse.

Rede Sustentabilidade
A candidata afirmou que continuará "como presidente eleita pelo PSB" ao ser questionada se, como presidente, se filiará à Rede Sustentabilidade, partido que não conseguiu criar para disputar a eleição deste ano.
"Eu vou continuar como presidente da República eleita pelo PSB porque não quero Instrumentalizar esse lugar [de presidente]", declarou. Ela disse ter o "compromisso" de ajudar o PSB "a encontrar sua estabilidade interna" e afirmou que a criação da Rede não depende só dela.
O grupo político de Marina Silva se abrigou no PSB depois que ela firmou uma aliança com o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos. A ex-senadora não conseguiu obter a tempo o registro da Rede na Justiça Eleitoral, e os integrantes da nova legenda se filiaram ao PSB para poder concorrer nas eleições deste ano.

"Melhores"
A candidata foi questionada sobre a proposta apresentada durante a campanha de governar com a ajuda dos "melhores" quadros de todos partidos, mesmo os que não sejam aliados.
Ela comentou a possibilidade de não haver essa esperada adesão de nomes de outros partidos. Segundo afirmou, “as pessoas não vão se omitir”.
“Já sinto que há uma mudança muito grande em relação a muitas pessoas dentro dos partidos. Pude experimentar isso como senadora. Quando o FHC mandou a CPMF, meu partido era contra, mas eu e o senador Suplicy votamos a favor [...] Tenho 16 anos de vida política dentro do Congresso. Sei que tem muitas pessoas boas. Sei que se houver um movimento bonito da sociedade brasileira de me eleger, as pessoas não vão se omitir de me ajudar”, disse a candidata.

Igrejas e templos
A candidata, que é evangélica, defendeu um princípio de "isonomia" ao ser indagada se era favorável à taxação de igrejas e templos. Segundo ela, a Igreja Católica não sofre taxação e por isso as demais igrejas devem ser tratadas com "equidade".
"Não se pode ferir o princípio da isonomia. Nós temos de trabalhar na lei com o princiípio da isonomia, para que não se tenha dois pesos e duas medidas", afirmou.

Casamento gay

Marina Silva afirmou que o programa de governo que apresentou é o que mais assegura direitos à comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros).
Questionada sobre se é favorável ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo (pelo qual, cada parceiro passa legamente a ter a condição de "casado"), ela afirmou que "no nosso programa, no nosso debate, o consenso que foi estabelecido é o da união civil".
Pela união civil, os parceiros têm os mesmo direitos legais, mas permanecem com a condição de solteiros.

Eficiência do gasto público e ministérios
Marina Silva disse que pretende "corrigir" o que apontou como erros em obras estratégicas em andamento no país. Segundo ela, há projetos em execução que são "uma verdadeira máquina de destruição dos recursos dos contribuintes".

Ela mencionou o exemplo da transposição do Rio São Francisco. "Será que o que está sendo feito hoje é o mesmo projeto originário? O primeiro ponto é buscar eficiência, transparência, gestão. Existem os mecanismos de controle. As obras são necessárias e estratégicas. Você tem de corrigir", declarou.

A candidata não quis revelar quais ministérios pretende extinguir se eleita. Nas propostas de campanha, ela prega a redução do número de pastas.
"A decisão de que vamos fazer essa redução, ela está tomada. Agora, quais serão reduzidos, é algo quevocê faz no momento em que está eleito. Ninguém pode fazer qualquer ilação se você ainda não está à frente do processo", disse.

Política externa
A presidenciável disse que a política para a área de relações exteriores será se orientar por "princípios e valores".
Segundo ela, os valores fundamentais para a política externa do Brasil são respeito à democracia, à liberdade e aos direitos humanos.
Ela se disse favorável ao fortalecimento do Mercosul, mas também quer acordos bilaterais. "Defendemos o fortalecimento do Mercosul. Isso não significa que seja feito em prejuízo da autonomia que temos para fazer acordos bilaterais", declarou.
Segundo a candidata, "não precisamos ficar de costas para Europa e EUA para nos relacionarmos com Africa e América do Sul".

Pré-sal
A candidata também respondeu sobre a opinião que tem com relação aos investimentos no petróleo do pré-sal. A presidente Dilma Rousseff tem criticado o programa do PSB na parte que se refere ao pré-sal. Ela chegou a dizer que a visão de Marina sobre o tema é “obscurantista”.
“Não é verdade isso que está sendo dito pelos concorrentes sobre o pré-sal. O pré-sal é uma realidade que continua com a prioridade que tem e precisa ter. Mas vamos priorizar também outros investimentos [...] Não há necessidade de tirar recursos do pré-sal para o etanol. precisamos é corrigir políticas erráticas que o governo fez em relação aos combustíveis. A exploração do pré-sal vai gerar riquezas para podermos investir os 10% em educação e investir em tecnologia e inovação para outras formas de energia, uma matriz mais limpa”, disse.

Pinga-fogo
Ao final da entrevista, os jornalistas pediram à candidata respostas "sim" ou "não" para perguntas num formato "pinga-fogo".
Marina se disse favorável à adoção de crianças por casais homossexuais, desde que, segundo ela, sejam respeitados os critérios que a Justiça impõe nos casos de adoção. Também respondeu "sim" ao voto obrigatório. Afirmou que é contra a eutanásia, a redução da maioridade penal e a revisão da Lei da Anistia.

Ela afirmou que “os juristas dizem que não é possível” uma assembleia constituinte exclusiva para elaborar uma reforma política, proposta lançada pela presidente Dilma Rousseff.
Sobre aborto em caso de estupro, a candidata disse que “o previsto em lei deve ser mantido” – estupro é um dos casos em que lei brasileira permite o aborto.
Sobre imposto para grandes fortunas, disse que o tema deve ser discutido na reforma tributária. Disse que deve ser feita uma discussão sobre o fim do serviço militar obrigatório. Em relação ao ensino religioso obrigatório nas escolas, Marina respondeu que a questão já foi definida pela lei.

 

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