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Marina Silva diz que PT colocou diretor para 'assaltar cofres da Petrobras'

fonte: O GLOBO

Atualizado: Quinta-feira, 11 Setembro de 2014 as 3:08

Terceira presidenciável sabatinada pelo GLOBO, Marina Silva (PSB) voltou a defender o fim da velha política e da reeleição e rebateu os ataques do PT quanto à suas posições sobre a exploração do pré-sal, reafirmando que vai explorar a camada, mesmo investindo em novas fontes energéticas. Para a candidata do PSB, as críticas do PT são usadas como "cortina de fumaça" para esconder os problemas na área do petróleo, decorrentes do escândalo de corrupção na Petrobras.

- Nós vamos explorar os recursos do pré-sal. Vamos usar o dinheiro que está destinado para a Saúde e Educação para a Saúde e a Educação, e não para a corrupção, como a sociedade tem medo. O que está ameaçando o pré-sal é a corrupção [na Petrobras]. Existe uma cortina de fumaça que foi lançada para desviar o debate. Uma safra que só dá uma vez precisa ser muito bem utilizada, e não drenada - argumentou Marina, durante a entrevista no Museu de Arte do Rio (MAR).

Depois de falar que "sonhava" que um partido como o PT, "que fez a distribuição de renda, pudesse se referenciar", Marina criticou o esquema de desvio de dinheiro montado na Petrobras, descoberto pela operação Lava-Jato, da Polícia Federal.

- Não consigo acreditar num partido que coloca por 12 anos um diretor para assaltar os cofres da Petrobras.

Em outro momento, a ex-senadora comentou os ataques que tem sofrido. Segundo ela, PT e PSDB estão unidos em uma batalha de "Golias contra Davi". Ela disse que vem sendo vítima, por parte do PSDB "de um trabalho de desconstrução" semelhante ao sofrido por Lula.

- É uma batalha de Golias contra Davi. Dois partidos se uniram temporariamente para fazer essa artilharia pesada. O que eu sinto na sociedade é um movimento, com esperaça de fazer as mudanças. Ele (o Aécio) se perfilou ao PT fazendo a mesma forma de desconstrução - ressaltou Marina - [O PSDB] vem usando os mesmos elementos usados contra o presidente Lula. Sabe por que é dito isso? Pela minha origem e pela forma como me porto. Eu fiz a escolha pelo debate e não pelo embate.

Na sabatina, a ex-senadora também voltou a defender o fim da reeleição e o mandato de cinco anos, bandeira levantada por Aécio Neves (PSDB) no dia anterior. Ela afirmou que "quatro anos podem dar crise de abstinência" a quem quer assumir o poder.

- É preciso criar uma nova qualidade para o processo político. Fico imaginando o dia seguinte da população com a presidente Dilma sendo reeleita. Como acordar com tudo igual no dia seguinte? Sem mudança, fica tudo como está. Quatro anos podem dar crise de abstinência a quem quer muito o poder. Vamos dizer que quem vai governar é o povo. Estou dizendo que são quatro anos para fazer o que tem que ser feito.

A candidata disse que pretende enviar a proposta como parte de uma reforma política.

- Eu vou mandar no contexto da reforma política. Não podemos ficar no caso a caso. Consideramos a reforma política "a reforma das reformas". Nós colocamos alguns pontos para debate, queremos dialogar com as propostas que estão em tramitação - afirmou, garantindo que, apesar da pretensão de aumentar os mandatos para cinco anos, o seu terá quatro porque "não se pode mudar as regras do jogo durante o jogo".

'ESTADO LAICO NÃO É ESTADO ATEU'

Questionanda sobre a influência da religião evangélica em eventual governo, a candidata disse que "nunca negou sua fé", mas que também nunca atuou na política em favor de religião alguma, citando um parecer contrário que ela teria dado sobre projeto de lei que obrigaria a presença de bíblias em bibliotecas. Ela ressaltou, no entnato, que tem direito a exercer sua crença, pois "o estado laico não é ateu".

- Eu sou uma pessoa que tem fé desde que nasceu. Minha avó era uma católica praticante. Em 96, 97, me converti à fé cristã evangélica. Minha fé, eu nunca a neguei, nem quando católica, nem quando evangélica. O estado laico não é estado ateu. Se o presidente da república precisa negar sua fé, os cidadãos dirão: se ele não consegue garantir o Estado laico para exercer sua crença, quanto mais para mim. Estado laico é para defender a crença de todas as pessoas. E eu sou comprometida com o Estado laico.

PROPOSTAS LGBT

No caso das propostas para o público LGBT, Marina justificou as mudanças em seu programa de governo, afirmando que não foram iniciativas dela e, sim, de seus coordenadores de campanha.

- A errata foi feita pelos próprios cordenadores. Os que querem fazer o boato vão falar que eu que quis mudar. Foi uma iniciativa deles.

Marina defendeu que seu programa sobre o tema é o mais completo, mesmo com as modificações, entre os principais candidatos à Presidência.

- O nosso programa é o que assegura da melhor forma os direitos da comunidade LGBT. Veja o que tem no programa do Aécio? Uma linha. No da Dilma? Uma linha. Não poderíamos trair o debate que nós fizemos. Se as pessoas tem preconceitos em relação à minha condição, eu sei que sou mais perguntada que os demais. Se vocês observaram, em 2010, e agora do mesmo jeito, eu não faço perguntas aos adversários do ponto de vista religioso. Fiz a campanha da Martha Suplicy e do Gabeira, que tinham posições diferentes das minhas. O Estado não é nem para impor a vontade da maioria à minoria nem da minoria à maioria.

NOVA POLÍTICA: 'ESTOU FAZENDO AERÓBICA DO BEM'

Sobre a construção de alianças para garantir a governabilidade, a candidata do PSB disse que está surgindo um "novo sujeito político" e que "não existe classe política", porque os políticos seriam colhidos em diferentes classes. Ela chegou a afirmar que essa tendência se estenderia ao Congresso, questionando se "as pessoas acham que esse movimento que estamos vivendo na sociedade não vai melhorar a qualidade do Congresso?"

- Eu tenho dito que é preciso buscar uma nova governabilidade na realidade do Brasil. Vivemos um profundo atraso em vários aspectos da política. A sociedade começa a ter um descolamento da política.

Marina Silva negou que esteja "satanizando" partidos políticos ao criticar alianças e acordos entre siglas. Demonstrando irritação com a pergunta, Marina afirmou que está fazendo "a aeróbica do bem" e que evita falar de quadros ruins e sim exaltar os bons.

- Mesmo que esses partidos estejam vivendo em profunda dificuldade, é preciso fazer um esforço muito grande de otimismo. Ministros são colocados e depostos por minutos de televisão. Eu estou fazendo a aérobica do bem, porque eu poderia fazer a aeróbica do mal. Eu nem gasto muito tempo em falar do Renan, do Collor, do Sarney. Eu poderia pegar os piores exemplos para satanizar os partidos.

Mesmo argumentando que falou "simbolicamente" do tucano José Serra, ao acenar com a possibilidade de que ele pudesse integrar seu governo, sobraram fagulhas ao PSDB quando Marina criticou duramente a crise hídrica enfrentada pelo Estado de São Paulo. Ela defendeu que uma "racionalização" do uso da água não está sendo implantada por causa das eleições.

- Em relação ao governo Alckmin, existem muitas diferenças. O PSDB está há 20 anos no governo em São Paulo. Estamos vivendo uma das maiores crises de abstecimento de água. No governo da presidente Dilma e do Alckmin, foram desmontados os comitês de bacias, todo o processo virtuoso que a gente tinha. Não se pode colocar em risco uma população tão densa quanto a de São Paulo. O sistema Cantareira já está colapsaso, e o governo do Estado de SP não toma providência.

A candidata citou Pedro Simon (PMDB), Eduardo Suplicy (PT) e Cristovam Buarque (PDT) como nomes qualificados das legendas. E afirmou que busca uma "governabilidade programática, e não pragmática".

- No caso do Brasil, você tem um ministro de Minas e Energia, que não entende de energia, que é vergonha alheia quando começa a falar de energia.

JATO DE CAMPOS

Cobrada, em pergunta enviada por um dos leitores do GLOBO, Marina disse que aguarda a conclusão das investigações e pediu que Campos não seja "julgado e morto duas vezes".

- Eduardo precisava de um avião para fazer seus deslocamentos. Ele procurou empresários que tinham um avião e iria pagar conforme a lei. A Justiça está investigando. Aguardamos essas investigações, também queremos as informações. Não queremos que ele seja julgado ou morto duas vezes. Não temos como esclarecer aquilo que é responsabilidade dos empresários.

ECONOMIA

A candidata disse estar comprometida a realizar uma reforma tributária, enviando a proposta já no primeiro mês de governo. E ainda prometeu criar um conselho de responsabilidade fiscal e fazer o dever de casa "de forma sustentável"

- O problema é que quando as coisas estão dando certo é 100% de responsabilidade da política interna e, quando dá errado, é 100% de responsabilidade da política externa - disse Marina, afirmando que o cenário internacional vem melhorando em relação à crise de 2008 e que o Brasil vem retrocedendo.

Quando foi perguntada sobre que remédios ofereceria à economia nacional, a candidata foi pouco precisa.

- Eu diria aumentar investimentos. Os recursos da educação não são gastos. São investimentos. Nós precisamos de uma coisa também. Recuperar a credibilidade do país. Sem credibilidade não há investimento, não há crescimento. Todos esse fatores, somados, tornarão o ambiente melhor.

Marina negou que vai aumentar juros para controlar a inflação no país.

- O programa diz que vamos reduzir a inflação, não que o método será a elevação de juros. É possível que se faça isso também por outros meios. Quem disse que será pelo meio mais ortodoxo dos ortodoxos? Existem outros meios que podem ser combinados.

No cenário econômico, a candidata criticou o governo e afirmou que a própria Dilma "admitiu" uma crise ao acenar com a saída do atual ministro da Fazenda, Guido Mantega.

- A presidente admitiu isso de forma contundente, só que dramática, porque disse que vai substituir seu ministro depois de todos os erros que foram praticados. Só que essa demissão está sendo feita pelo povo brasileiro, que com certeza vai fazer a mudança.

 

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