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Após 48 horas, presos libertam reféns e rebelião acaba em presídio do Paraná

Motim iniciou às 11h30 de segunda (13) e acabou às 11h30 de quarta (15). Segundo Seju, 28 presos serão transferidos para unidades de SC e PR.

fonte: Globo.com

Atualizado: Quarta-feira, 15 Outubro de 2014 as 12:23

Após 48 horas, acabou a rebelião na Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG), na região central do Paraná. O motim começou no fim da manhã de segunda-feira (13) e terminou por volta das 11h30 desta quarta-feira (15). Treze agentes penitenciários e diversos detentos foram feitos reféns, de acordo com a Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) do Paraná. Até pouco antes do fim da rebelião, oito pessoas haviam ficado feridas, sendo cinco presos e três agentes penitenciários. Com o fim do motim, todos os agentes reféns foram encaminhados a hospitais da cidade. O balanço final, como a contagem de presos, quantidade de feridos e estado de saúde de todos os envolvidos, ainda deve ser informado pela Seju.

Segundo o diretor do Departamento de Execução Penal do Estado do Paraná (Depen), Cezinando Paredes, cerca de 160 detentos estavam indo para um canteiro de trabalho, quando alguns deles aproveitaram para render os agentes e outros presos. A penitenciária abriga 240 detentos e trabalha com um modelo em que os detentos podem estudar e trabalhar no local. Ainda de acordo com Paredes, assim que a rebelião terminou, verificou-se que os presos danificaram o canteiro de trabalho, o setor de saúde e os telhados. Os demais locais estão intactos.

Conforme a Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju), por volta das 10h desta quarta, os presos concordaram em terminar a rebelião assim que 28 detentos sejam transferidos. No mesmo horário, a Seju deu início ao processo de transferência para uma penitenciária de Santa Catarina e outras unidades do interior do Paraná, que não serão divulgadas.

Além disso, o tenente da Polícia Militar (PM), Fábio Zarpellon, afirmou que foram ajustadas algumas das reivindicações apresentadas pelos presos na terça-feira (14), como melhorias na alimentação e nas condições físicas. 

A rebelião na PIG
O motim começou na manhã de segunda-feira com treze agentes penitenciários como reféns, além de dezenas de presos. Rebelados subiram nos telhados com os reféns e quebraram vidros da penitenciária. Poucas horas depois, um dos agentes foi liberado e hospitalizado após presos terem jogado cola no corpo do rapaz. No fim da tarde de segunda, cinco detentos também ficaram feridos e foram encaminhados para hospitais da cidade. De acordo com o Samu, quatro deles tiveram ferimentos leves, enquanto um teve traumatismo craniano moderado.

No segundo dia de rebelião, outros três agentes penitenciários foram libertados pelos presos. Nesse mesmo dia, os rebelados entregaram uma lista de reivindicações aos negociadores, como melhorias nas condições da PIG, a troca da direção da penitenciária e progressão de regime de alguns presos para o semi-aberto. Além disso, os presos também geraram um tumulto ao exigir que policiais colocassem na sombra as famílias , que aguardavam em frente à penitenciária. Os rebelados chegaram a pendurar um preso pelos pés, amarraram e vendaram um agente em um para-raios, além de espacarem outros reféns constantemente.

Um grupo de três policiais militares manteve contato direto com os presos durante os dias de rebelião na tentativa de se chegar a um acordo. Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Comando de Operações Especiais (COE), o diretor do Depen, uma promotora pública e um defensor público deram apoio durante as negociações.

Esta foi a primeira rebelião na PIG, que foi inaugurada há 15 anos. Conforme a vice-presidente do Sindarspen, a unidade já foi exemplo de penitenciária para o país. "Na PIG, só entravam presos que gostariam de se ressocializar. Existia uma seleção para isso. Hoje, não existem mais critérios. Entram presos perigosos, que participaram de outras rebeliões, e que conseguem disseminar a revolta entre os outros detentos quando algo não os deixam satisfeitos lá dentro", alega.

De acordo com a Seju, dez presos que participaram da rebelião em Cascavel, em agosto, que resultou na morte de cinco detentos, foram transferidos para a Penitenciária Industrial de Guarapuava. A Seju ainda não sabe informar se, entre os rebelados de Guarapuava, estão os transferidos de Cascavel.

21 rebeliões em 10 meses
O ano de 2014 tem sido marcado por diversas rebeliões no Paraná. Em 10 meses, presos se rebelaram 21 vezes em várias cadeias e penitenciárias do estado. O período mais violento foi entre agosto e setembro. Em menos de um mês, cinco motins foram registrados. No fim de agosto, detentos da Penitenciária Estadual de Cascavel, no oeste do estado, fizeram um motim que durou 45 horas e deixou cinco pessoas mortas e muita destruição na unidade. O espaço não estava superlotado antes da rebelião, mas foi preciso transferir mais de 800 presos, devido à destruição das celas e corredores.

No dia 7 de setembro, foi a vez da Cadeia Pública de Guarapuava, quando 14 detentos renderam três agentes penitenciários. Eles exigiam a transferência de alguns dos presos, já que o local estava com superlotação. O pedido foi atendido e o motim se encerrou após nove horas.

Ainda houve a rebelião na Penitenciária deCruzeiro do Oeste (Peco), no noroeste paranaense, no dia 10 de setembro. A unidade recebeu 124 detentos da Penitenciária de Cascavel, após o motim do fim de agosto. Mesmo assim, não havia superlotação. Segundo a Seju, o presídio pode receber até 1.108 presos, mas abriga 844.

Nos dias 16 e 17 de setembro, presos da Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP II), na Região Metropolitana de Curitiba, realizaram uma rebelião por mais de 24 horas. Os presos renderam os funcionários enquanto eles serviam o café da manhã e dominaram duas galerias do presídio. Dois agentes penitenciários foram feitos reféns. Uma das reivindicações dos presos era de que fosse construído um muro para que os presos faccionados, que pertencem a facções criminosas, ficassem separados dos demais.

A Seju informou que a construção do muro era inviável, mas disse que reforçou a grade que separa os blocos. Os presos também receberam 50 colchões para repor os que tinham sido queimados na última rebelião, no dia 12 de setembro.

 

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