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Chove em SP, mas não resolve nível de água na Cantareira

Chove em SP, mas não resolve nível de água na Cantareira

Atualizado: Quarta-feira, 19 Fevereiro de 2014 as 6

cantareira
As chuvas da última semana dobraram a vazão do Rio Piracicaba, mas não chegaram a ser relevantes para a recuperação do manancial, que enfrenta a pior seca para o período em 50 anos. A vazão chegou a 26 mil litros por segundo na tarde desta terça-feira (18), o dobro do volume de 13 mil litros por segundo observado na semana passada (veja antes e depois na comparação de fotos acima). O nível do manancial atingiu 1,13 metro nesta terça-feira, ante os 93 centímetros registrados no período pré-chuvas.
 
Na avaliação do coordenador de projetos do Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), José César Saad, as precipitações deram uma "falsa sensação" de que a situação do Sistema Cantareira, formado pelas nascentes dos rios PCJ, foi resolvida. "Nos últimos dias houve chuva em bom volume, o que provoca o aumento da vazão durante 24 ou 48 horas, mas na cabeceira a situação ainda não melhorou", disse. O Sistema Cantareira abastece a Região Metropolitana de São Paulo e parte do interior paulista.
 
Saad é autor do cálculo que prevê o esvaziamento de toda a água utilizável do reservatório do Sistema Cantareira até 29 de abril caso não haja chuvas constantes até lá. Ele estima que serão necessários 1.000 milímetros até a data para que o sistema recupere 50% de sua capacidade e não comprometa o abastecimento ao longo do período de estiagem, que começa em maio. "Até agora as chuvas trouxeram alívio para o calor, mas não são suficientes para melhorar a situação do reservatório. É preciso muito mais para mudar a situação."
 
Mortandade
Na última quarta-feira (12), peixes foram encontrados mortos no Rio Piracicaba e a causa da mortandade está relacionada à baixa vazão, ao excesso de matéria orgânica (esgoto) e às altas temperaturas da água. A Prefeitura retirou 6,6 toneladas de peixes mortos do manancial. O Instituto Beira Rio calcula que 20 toneladas morreram. O desastre ambiental deve afetar a diversidade da vida aquática pelos próximos oito anos, já que ocorreu durante a piracema (período de reprodução dos peixes).
 
A avaliação é do pesquisador e biólogo Paulo Sérgio Ceccarelli, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Peixes Tropicais (Cepta). Em entrevista no último dia 6, o especialista disse que somente o problema da estiagem na piracema exigiria cinco anos para a revitalização do ecossistema. Nesta segunda-feira (17), ele relatou que o prazo aumentou para oito anos em razão da mortandade, que potencializou os danos.
O pesquisador explicou que os peixes demoram três anos para atingir a fase adulta e se reproduzirem. "Serão necessárias ao menos duas gerações para o ecossistema voltar a se equilibrar. A natureza sempre busca a estabilidade, mas quando isso acontecer não será como era antes: teremos novas espécies e uma nova cadeia alimentar no rio", explicou.
 

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