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Em Goiás, suposto Serial Killer tenta se matar em cela de cadeia

Segundo a corporação, vigilante se cortou com o vidro de uma lâmpada. Ele é apontado pela polícia como autor de ao menos 39 mortes em Goiânia.

fonte: Globo.com

Atualizado: Quinta-feira, 16 Outubro de 2014 as 9:49

O vigilante Thiago Henrique Gomes da Rocha, de 26 anos, apontado pela Polícia Civil como autor de pelo menos 39 mortes na capital, entre elas uma série de homicídios contra mulheres, tentou se matar em uma cela da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos, onde está detido em Goiânia, segundo informações do Corpo de Bombeiros. A corporação informou aoG1 que o homem cortou os pulsos com o vidro de uma lâmpada. Duas equipes foram enviadas ao local para prestar socorro. Não há informações sobre o estado de saúde de Thiago.

Advogado do suspeito, Thiago Huascar confirmou ao G1 que o cliente tentou se matar. “Estou aqui na delegacia com ele. Ele tentou suicidar e estou prestando assistência a ele”, disse.

A assessoria de imprensa da Polícia Civil não confirmou a informação ao G1 até a publicação desta reportagem.

O vigilante foi preso na noite de terça-feira (14). Segundo a assessoria da Secretaria de Segurança Pública informou, na quarta-feira (15), o vigilante confessou ter cometido os 16 homicídios investigados por uma força-tarefa da corporação. Já o titular da Delegacia de Homicídios, Murilo Polati, disse, na noite do mesmo dia, que das mortes que o suspeito admitiu, apenas 13 fazem parte da investigação da força-tarefa

Série de assassinatos
O primeiro crime da série de assassinatos contra mulheres em Goiânia ocorreu em 18 de janeiro deste ano, quando Bárbara Luiza Ribeiro Costa, de 14 anos, foi executada no Setor Lorena Park. A morte mais recente foi a de Ana Lídia Gomes, baleada em um ponto de ônibus no Setor Conjunto Morada Nova, no dia 2 de agosto. Um motociclista passou pelo local e disparou contra a garota, que não resistiu aos ferimentos.

Entre as outras mortes investigadas pela força-tarefa estão a da dona de casa Lílian Sissi Mesquita e Silva, de 28 anos, em 3 de fevereiro, e a de Janaína Nicácio de Souza, de 25 anos, morta no dia 8 de maio. Todas as vítimas de série de assassinatos eram jovens, mas não tinham perfil parecido.

Ao contrário do que foi divulgado pela polícia no início das investigações, o delegado-geral da Polícia Civil, João Gorski, afirmou, na quarta-feira (15), que se trata de um caso de assassino em série."Eu acredito que é um serial killer. No começo, ele matava aleatoriamente. No fim, ele estabeleceu um padrão", afirmou.

De acordo com a polícia, dentre os demais crimes cometidos pelo homem, estão mortes de moradores de rua e homossexuais. Os outros homicídios de mulheres não assumidos pelo homem, segundo Gorski, continuarão sendo investigados.

A polícia afirma que há cerca de um mês as investigações já apontavam para o suspeito como autor dos crimes, mas ele só foi preso na terça-feira (14), na Avenida Castelo Branco, na capital. Com o suspeito foi apreendida uma motocicleta. Na residência dele também foi apreendido um revólver calibre 38. A polícia não informa a quantidade de material apreendido nem suas características. O homem está detido na Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios.

O advogado do suspeito disse que não tinha como se pronunciar sobre o caso, pois só teve acesso à procuração na manhã de quarta-feira. “Vou aguardar os andamentos e ver o que está sendo a acusação contra ele”, informou Thiago Huascar.

No ano passado, o Ministério Público Estadual ofereceu denúncia contra o suspeito por furtar uma placa de uma motocicleta no estacionamento de um supermercado de Goiânia. Imagens de câmeras de segurança mostram ele cometendo o crime.Também no ano passado, ele foi preso em flagrante em uma motocicleta com placa roubada, mas foi solto. O caso foi registrado no 5º Distrito Policial.

Segundo a Polícia Civil, o jovem foi identificado em imagens registradas por câmeras de segurança no último domingo (15), próximo à lanchonete em que uma mulher foi agredida por um motociclista. O caso foi incluído na força-tarefa. Segundo testemunhas, o motociclista de capacete vermelho atirou na jovem, mas a arma falhou. Então, ele deu um chute na boca dela.

Força-tarefa
A força-tarefa da Polícia Civil foi instaurada em 4 de agosto e investiga 15 assassinatos de mulheres, a execução de um homem, a tentativa de homicídio contra uma jovem e uma agressão a outra.

Participam do grupo 16 delegados, sendo os nove da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), três que atuam em outras delegacias e mais três do interior do estado. Além deles, 30 agentes e dez escrivães integram a equipe.

Segundo a polícia informou no início das investigações, os crimes tiveram dinâmica semelhante e em todos eles os autores foram motociclistas. Porém, a corporação dizia não acreditar na ação de um serial killer porque os veículos usados foram de marcas e cilindradas diferentes, além das descrições físicas dos suspeitos não serem as mesmas.

Outros suspeitos
Até agora, outros dois homens haviam sido detidos por suposto envolvimento nas mortes. Um deles, que não teve a identidade revelada, foi preso em flagrante no mês de agosto na cidade de São Luís de Montes Belos, a 120 km da capital. Na casa de parentes do rapaz foi encontrada uma moto roubada desmanchada, que, segundo a Polícia Militar, era semelhante a utilizada nos crimes contra as jovens.

Ele acabou condenado no último dia 22 de setembro por receptação. O homem foi sentenciado a dois anos e seis meses de prisão pelo crime, mas não se comprovou a participação dele na execução das mulheres.

O outro suspeito é o entregador Leandro Cardoso de Oliveira, que cumpria pena em regime semiaberto e usava tornozeleira eletrônica. Em agosto, a Justiça decretou a prisão preventiva dele pelo suposto envolvimento na tentativa de homicídio de uma jovem de 18 anos, no Setor Jardim América. Dias depois, ele acabou liberado por falta de provas.

 



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