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Em Itu, morador improvisa carro pipa para distribuir água

Além de consumo próprio, água é usada para emergências. Cidade sofre com seca e enfrenta racionamento desde fevereiro.

fonte: Globo.com

Atualizado: Quarta-feira, 24 Setembro de 2014 as 3:58

Um morador de Itu (SP) improvisou e inventou um carro-pipa para ajudar no abastecimento de água dele e de vizinhos. A cidade sofre com a falta de água desde fevereiro e os moradores precisam usar a criatividade para conseguir lavar louça, tomar banho e cozinhar.

O consultor Alexandre Oliveira, adaptou o carro dele colocando uma caixa d´água com capacidade para 400 litros no bagageiro. Com esse carro, ele pega água em uma mina e leva para a casa dele, além de ajudar outras pessoas. “Se alguém está com uma pessoa doente em casa, idoso, ou criança, eu faço um socorro em caso de necessidade”, conta.

As escolas também estão pedindo a colaboração dos pais. Alexandre recebeu um comunicado da escola da filha para que os pais mandem os filhos com garrafinhas cheias de água, porque a água que a escola tem não é suficiente para atender todas as necessidades.

O posto de saúde do bairro Cidade Nova está sendo abastecido um dia sim e outro não, conforme o cronograma de racionamento. Mas como ele fica em uma parte alta da rua, o volume não está sendo suficiente para encher a caixa d´agua. Então a água só é suficiente até as 10h da manhã, depois disso,  todos ficam sem água.

Após o protesto por falta d'água, que terminou em tumulto e confronto com a Polícia Militar na tarde de segunda-feira (22), em Itu (SP), o prefeito da cidade, Antônio Tuize, informou nesta terça-feira (23) que não vai decretar estado de calamidade pública no município. O problema da falta d'água na cidade, que enfrenta racionamento desde fevereiro, tem afetado profundamente a vida dos moradores da cidade. Muitos relatam que já chegaram a ficar até 20 dias sem água nas torneiras.

Após o Ministério Público reforçar a importância de que as reclamações sobre a falta d'água na cidade sejam denunciadas, o órgão já registrou mais de mil ocorrências em menos de uma semana. Em um só dia, 400 reclamações de moradores foram protocoladas e anexadas ao inquérito encaminhado ao Poder Judiciário. Na ação, o MP apresentou uma carta de recomendação ao prefeito para que tome previdências no sentido de tentar amenizar a situação dos reservatórios.

Entenda o caso
Os moradores de Itu enfrentam o drama da falta d'água desde 5 de fevereiro, quando a concessionária Águas de Itu implantou o racionamento na cidade. No início, o rodízio era feito apenas nos bairros mais altos, onde a distribuição de água é mais difícil. Nos meses seguintes, o racionamento foi ampliado pelo menos mais três vezes e atualmente está em vigor na cidade toda.

Mas os moradores reclamam que o rodízio não é cumprido como anunciado pela empresa. Há dezenas de relatos de pessoas que chegam a ficar 15 dias sem água. O abastecimento com caminhões-pipa também é alvo de reclamações. Até o atendimento ao consumidor gera queixas, já que muitas vezes o morador fica vários minutos no telefone e não consegue ser atendido. (Veja vídeo acima)
Em 25 de julho, a promotoria de Justiça do Ministério Público instaurou um inquérito civil para apurar a responsabilidade da prefeitura, da agência reguladora e da Águas de Itu no problema de abastecimento de água.
 
O MP também recomendou à prefeitura que decretasse estado de calamidade pública, o que permitiria realizar obras com mais facilidade, principalmente para aumentar a captação de água, já que o processo de licitação não seria necessário. A prefeitura não atendeu a recomendação, mas anunciou medidas para tentar contornar o problema, como a suspensão de todas as licenças para a construção de novos empreendimentos habitacionais.
 
Em entrevista à TV TEM no dia 7 de agosto, o secretário de Assuntos Jurídicos da cidade, Denis Ramazini, afirmou que a recomendação do MP era desnecessária. "Acreditamos que isso [decreto do estado de calamidade] não era preciso, já que todos os serviços públicos como escolas, postos de saúde e a polícia estão funcionando normalmente. É possível o município dar uma resposta para o problema do abastecimento”, afirmou, na época. 

Outra alternativa à recomendação do MP foi o decreto que permite à prefeitura captar água em represas particulares da região, mediante indenização aos proprietários.

A sequência de problemas no abastecimento culminou no desligamento da empresa Águas de Itu, anunciado em 18 de agosto. O Grupo Águas do Brasil comprou o direito à prestação dos serviços de água e esgoto na cidade. No entanto, a nova empresa, que chamará Águas da República, ainda aguarda a autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para assumir os serviços.

O Ministério Público em Itu reforça a importância de que as reclamações sobre a falta d'água na cidade sejam registradas, já que os protocolos serão anexados no inquérito e encaminhados ao Poder Judiciário. O prédio do Ministério Público está localizado na Rua Goiás, 194, no bairro Brasil. Ao lado da Delegacia da Mulher.

Na tarde desta segunda (22), cerca de dois mil moradores se reuniram nas ruas do centro da cidade e caminharam até a Câmara Municipal. Um grupo conseguiu abrir à força o portão e invadiu o local e promoveu um quebra-quebra. Manifestantes atiraram pedras, ovos e tomates no prédio da Câmara. A Tropa de Choque da Polícia Militar foi acionada e usou bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar os moradores.

Durante o confronto, um jornalista de 49 anos foi atingido por uma bala de borracha na perna e precisou ser atendido.

 


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