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Geraldo Alckmin diz que 3ª cota do volume morto não trará problemas

Segundo Alckmin, a utilização da 3ª cota não está nos planos do governo. Governador também criticou o governo federal por interferência no assunto.

fonte: Globo.com

Atualizado: Quarta-feira, 29 Outubro de 2014 as 1:54

O governador Geraldo Alckmin afirmou, durante visita a Santos, no litoral de São Paulo, na manhã desta quarta-feira (29), que a utilização de uma terceira reserva técnica (volume morto) do Sistema Cantareira não está nos planos do governo, apesar da crise hídrica enfrentada pelo estado de São Paulo. De acordo com ele, caso seja utilizada um dia, a água desse volume não trará nenhum tipo de problema ambiental nem para a população.

A explicação sobre a nova reserva técnica de Geraldo Alckmin foi uma resposta ao presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Abreu, que durante evento na Assembleia Legislativa afirmou ser impossível fazer a captação de mais um volume morto e, caso ele fosse retirado, seria apenas de lodo. "Essa reserva não está contaminada. Qual o motivo de não fazermos a retirada se o reservatório é o mesmo? É perfeitamente possível. A gente não pensou nisso antes simplesmente porque não tinhamos um sistema de tubulação suficiente. A água da Sabesp é potável. Ela é controlada. Se não estiver limpa não será distribuída", explica.

Alckmin esteve na Baixada Santista pela primeira vez após ter sido reeleito governador de São Paulo. Durante a visita, ele anunciou um repasse de R$ 4,4 milhões para o início das obras de duas policlínicas na cidade, uma no morro São Bento e outra na Ponta da Praia. A previsão é de que os equipamentos fiquem prontos em até 10 meses.

Durante o evento, Alckmin não conseguiu fugir das dezenas de perguntas sobre a crise hídrica no estado de São Paulo. Segundo ele, o Governo Federal utilizou parte das águas das represas de Jaguari e Paraibuna para a produção de energia elétrica. "Nós vínhamos preservando a represa de Jaguari. Ela estava com 40% da capacidade total. Essa água ia garantir o abastecimento humano do Vale do Paraíba, do Rio de Janeiro e de Campinas. A Agência Nacional de Águas, que pertence ao Governo Federal, nos obrigou a fazermos a abertura das águas a ponto de ameaçar uma intervenção. A represa, que antes estava 40% preenchida, chegou a 12%. Parte dessa água foi para produzir energia elétrica. A represa de Paraibuna está com 5% da capacidade e cai 0,4% por dia. Boa parte dessa água não está indo para abastecimento humano", critica Alckmin.

De acordo com o tucano, o governo estadual planeja uma interligação entre a represa do Jaguari e a represa de Atibainha, que faz parte do sistema Cantareira. Como houve essa grande queda em Jaguari, o governo estadual pretende acabar com a geração de energia por parte da represa. "Ela gera muita pouca energia. É insignificante do ponto de vista elétrico. Nós vamos pedir para encerrar a concessão e manter a represa de Jaguari só para o abastecimento humano. O operador nacional do sistema não poderá mais fazer o que fez", garante.

Alckmin também voltou a descartar o rodízio de água na região metropolitana de São Paulo. "Não há necessidade. Já adotamos os bônus para quem economizar e não criamos problemas para a população. Se você ouvir os melhores técnicos e professores do país, eles vão dizer que isso não é adequado. Um racionamento é socialmente injusto e tecnicamente inadequado", explica.

Para evitar a falta de água no Estado, o governador também diz que está realizando investimentos, inclusive na Baixada Santista, para a temporada de verão. "Mambu Branco e Jurubatuba, estão prontas. Estamos preparados para o verão. Aumentamos a captação de água, aumentando a nossa reserva e o tratamento está melhor também", explicou Alckmin.

Sistema Cantareira
Apesar das chuvas que atingiram a Grande São Paulo durante o fim de semana, o Sistema Cantareira registrou nova queda nesta segunda-feira (27) atingindo 13% de sua capacidade. O valor conta com a segunda cota da reserva técnica, que ainda não está sendo utilizada. No domingo (26), o nível estava em 13,2%.
Na sexta-feira (24), a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) incorporou ao índice total 10,7 pontos percentuais do volume morto. A primeira parte dessa reserva começou a ser utilizada em 16 de maio, quando o nível das represas estava em 8,2%. Na época, foram adicionados 18,5 pontos percentuais ao total, que saltou para 26,7%.

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