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Guarapiranga passa Cantareira e se torna principal fornecedor de água

Cantareira teve vazão reduzida em 56%; Guarapiranga aumentou oferta. Manancial na Zona Sul da capital virou alternativa contra a crise.

fonte: globo.com

Atualizado: Terça-feira, 10 Março de 2015 as 8:51

Represa de Guarapiranga em Interlagos, zona sul de São Paulo
Represa de Guarapiranga em Interlagos, zona sul de São Paulo

O Sistema Guarapiranga passou o Cantareira e se tornou pela primeira vez o maior fornecedor de água de São Paulo, informou a Sabesp nesta segunda-feira (9). O reservatório da Zona Sul da capital repassou em média 14,49 metros cúbicos por segundo em fevereiro, contra 14,03 metros cúbicos por segundo do Cantareira, o mais afetado pela crise hídrica.

Nesta segunda, o Guarapiranga ficou com nível de 69,3%, contra 12,9% do Cantareira, que já faz uso do segundo volume morto. A mudança de posição se deu pela redução da vazão do Cantareira, em oposição ao aumento da água ofertada pelo Guarapiranga.

O Cantareira teve um corte de 56% em relação a fevereiro de 2014, quando disponibilizava 31,77 mil litros por segundo. Já o Guarapiranga teve um aumento de vazão de 13,77 mil litros por segundo para 14,9, entre fevereiro de 2014 e de 2015.

O sistema Cantareira, que abastecia 8,8 milhões de pessoas antes da crise, produz hoje água para 5,6 milhões de clientes. Já o Guarapiranga, que no começo de 2014 atendia 3,9 milhões de pessoas, hoje atende 5,8 milhões, informou a Sabesp.

Economia
A redução de 17,74 mil litros por segundo na vazão entre fevereiro de 2014 e fevereiro de 2015 é suficiente para abastecer uma cidade de cerca de 7,1 milhões de pessoas durante um mês, segundo a Sabesp. Considerando os seis sistemas que abastecem a Grande São Paulo, a economia o período é de 21,4 mil litros por segundo, suficiente para abastecer 8,6 milhões de habitantes durante um mês.

Fevereiro
O sistema Cantareira teve seu fevereiro mais chuvoso em 20 anos, com precipitação 61,9% acima da média histórica para o período, segundo a Sabesp. O conjunto de represas subiu 5,1 pontos percentuais e fechou o mês em 11,4%, melhor desempenho do sistema desde o começo da crise, em janeiro de 2014.

Apesar disso, o conjunto de represas do Cantareira, que abastece 6,2 milhões de pessoas na Grande São Paulo, conseguiu recuperar apenas o 2º volume morto e sofre forte redução na retirada de água. Na prática, a a medida tem deixado parte da população sem abastecimento em determinados períodos.

Rodízio
Apesar do desempenho de fevereiro, a situação do sistema ainda é crítica, já que o período de chuvas termina em março. O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, afirmou acreditar que não será necessária a implantação de um rodízio de água na Grande São Paulo, mas a alternativa ainda não foi descartada.

"Minha percepção é que não será necessário fazer rodízio. Porque eu fiz contas de quanta água temos em estoque, de quais os cenários de quanta água pode chegar e de quanta água está saindo", afirmou, ressaltando não ser possível garantir que não haverá racionamento.

Segundo ele, as chuvas de fevereiro mudaram os prognósticos. O sistema Cantareira começou o mês com 5% da capacidade. As represas só terão recuperado a primeira cota do volume morto quando alcançarem 29,2% da capacidade.

Multa
A Sabesp começou a entregar neste mês contas de água com multa para quem excedeu a média do consumo. A sobretaxa na conta foi autorizada pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) e a multa varia entre 40% e 100% para quem consumir mais água neste ano no comparativo entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014.

A multa foi de 40% para quem consumiu até 20% a mais do que a média do período anterior e a taxa foi de 100% para quem utilizou mais que 20%. A medida é válida somente na parte do gasto de água encanada, que representa metade do valor da conta. Os outros 50% são referentes ao serviço de coleta de esgoto.

 

 

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