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Irmão de rapaz que deu cotovelada em mulher, diz que ele "não é esse monstro"

fonte: Globo.com

Atualizado: Segunda-feira, 25 Agosto de 2014 as 3:03

A família do comerciante Anderson Lúcio de Oliveira, preso após agredir com uma cotovelada a auxiliar de produção Fernanda Regina Cézar Santiago, de 30 anos, na madrugada de 16 de agosto, em São Roque (SP), falou pela primeira vez sobre a agressão. O comerciante, apontado como o responsável pela agressão, está preso e deve responder por tentativa de homicídio qualificado, já que a vítima não conseguiu se defender. Fernanda permanece no hospital em estado estável e recebe cuidados médicos. Amilton de Oliveira, irmão de Anderson, diz que o comerciante está arrependido. "Ele chora muito, está arrependido. Falou pra gente ver tudo que precisar com a família dela, porque ele não é esse monstro que estão falando que ele é. Ele é um trabalhador", afirma.

As imagens da agressão foram registradas por uma câmera de segurança. Nelas é possível ver que Fernanda discute com o Oliveira, que está com um grupo de pessoas em frente a uma loja de motos, perto de uma casa noturna onde eles estavam momentos antes, na avenida Antônio Dias Bastos, no Centro de São Roque. No vídeo, a mulher fala algo para o homem, que a atinge com uma cotovelada. Ela cai e pessoas que estavam no local chamam o resgate, que chega pouco tempo depois.

Para a cunhada de Anderson, ele não pensou no que estava fazendo. "Ele é uma pessoa calma. Por ser dono de comércio é bastante conhecido na cidade. Foi um choque pra nós. E pelas informações que os advogados trazem ele está muito chocado com o que fez. Ele realmente não pensou nem um minuto no que estava fazendo", afirma Cristiane da Cunha.
O bar de Anderson, que fica no centro da cidade, está fechado desde terça-feira (19), dia em que ele foi preso temporariamente por determinação da Justiça. 

Família quer saber motivo da agressão
O pai de Fernanda ainda tenta entender o motivo que levou o comerciante a agredir sua filha. "Ela não pegou nele, não bateu nele, não fez nada nele pra levar essa cotovelada. Sinto uma revolta muito grande de ver um homem tão frio e fazer uma coisa dessas", afirma.
Em entrevista ao G1, o irmão de Fernanda, Eduardo Cézar, disse que a família não consegue entender o que aconteceu. "Nós estamos indignados pelo que houve com a minha irmã. Foi uma atitude bruta, totalmente ignorante. Ninguém esperava que ele fosse reagir daquela forma e ninguém sabe ao certo qual o motivo da agressão", afirma o vendedor.
“Tivemos acesso às imagens porque sou amigo do dono da loja. Quando vi a cena levei um choque muito grande. Nós o conhecemos e ninguém esperava uma reação tão violenta como aquela”, afirma Eduardo.

Fernanda deixou a Unidade de Terapia Intensiva no sábado (23) e passa regularmente por exames para avaliar quais regiões do cérebro foram afetadas e quais as medidas que devem ser tomadas. Segundo o irmão, Fernanda pode ficar com sequelas. "Eles acreditam que possa ficar com sequela, porque uma parte do cérebro 'moeu' devido à pancada, segundo o médico", afirma Eduardo Cézar.

Investigações

Para a Polícia Civil de São Roque, o depoimento da vítima não será determinante para a conclusão do inquérito. “As imagens dizem tudo, foi quase um nocaute”, destaca a delegada responsável pelo caso, Priscila de Oliveira Rodrigues. A polícia aguarda ainda um laudo do Instituto Médico Legal (IML) e do prontuário médico, que irá relatar com detalhes todas as lesões sofridas.
A delegada também avalia se irá convocar novamente as testemunhas do fato para depor. Na sexta-feira (22), seis pessoas prestaram depoimento na delegacia. “Todos disseram não terem visto o golpe e sim ouvido um barulho, depois disso viram a vítima caída no chão. Mas as imagens mostram claramente que houve testemunhas do golpe”, complementa a delegada. Neste caso, as pessoas ouvidas poderão responder criminalmente por falso testemunho.

Enquanto isso, Anderson segue preso temporariamente na Unidade Prisional de Transição de São Roque. Após a conclusão do inquérito, a prisão preventiva será solicitada à Justiça e o caso relatado ao Ministério Público.

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