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Ministério Público denuncia suspeito de morte de cinegrafista

Ministério Público denuncia suspeito de morte de cinegrafista da Bandeirantes

Atualizado: Segunda-feira, 17 Fevereiro de 2014 as 6

santiago
O Ministério Público (MP) do Rio de Janeiro ofereceu denúncia nesta segunda-feira (17) contra os dois suspeitos de acender o rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade. Fábio Raposo e Caio Silva de Souza podem responder por homicídio triplamente qualificado – motivo torpe, sem dar chance de defesa à vítima e uso de artefato pirotécnico –, além do crime de explosão. Se condenados, podem receber pena de até 30 anos de prisão cada um. Até as 14h40, a Justiça do Rio não havia confirmado se havia recebido a denúncia. A denúncia, obtida com exclusividade pela TV Globo, pede também que a prisão temporária dos dois suspeitos seja convertida em preventiva, como há havia pedido o delegado Maurício Luciano.
 
Na sexta-feira (14), o delegado entregou ao MP o inquérito sobre a morte do cinegrafista, atingido por um rojão durante um protesto no dia 6. Caio e Fábio estão presos no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste.
A promotora Vera Regina de Almeida, titular da 8ª Promotoria de Investigação Penal,  responsável por avaliar o inquérito, de 175 páginas, assina denúncia.
Prisão na Bahia
Fábio foi preso no domingo (9) na casa dos pais, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste, e Caio foi detido na quarta-feira (12), em uma pousada em Feira de Santana, na Bahia.
 
Na quinta-feira (13), o delegado ouviu os últimos depoimentos do caso. Segundo ele, um colega de Caio do Hospital Rocha Faria, onde o suspeito trabalhava como auxiliar serviços gerais, contou na delegacia que no dia 6, durante o protesto em que o crime ocorreu, Caio telefonou por volta das 19h30, ofegante, dizendo que tinha feito besteira e matado um homem.
 
Financiamento
O inquérito sobre o suposto financiamento de grupos e participação de partidos políticos no protesto não será feito pelo delegado Maurício Luciano. A afirmação foi feita por ele durante a entrevista coletiva na quinta-feira. "O que nós temos aqui são provas robustas de testemunhas e materialidade do crime. Essa investigação não pode ser contaminada. Não posso trazer ingredientes políticos para cá", explicou.
Caio nega em depoimento
Caio negou em depoimento ter acendido o rojão que causou a morte de um cinegrafista e jogou a culpa em Raposo. A versão difere do que o suspeito havia afirmado horas antes à TV Globo na Bahia, onde foi preso. Em entrevista à reporter Bette Lucchese, ele disse que acendeu o rojão junto com Raposo. "Acendi, sim", admitiu o jovem (assista).
 
Mulher desabafa
A mulher do cinegrafista, Arlita Andrade, fez um desabafo no domingo (9), em entrevista exclusiva à TV Globo, e disse que "falta amor" às pessoas responsáveis por ferir gravemente seu marido. A declaração foi dada antes da divulgação da morte cerebral dele. "Eles destruíram uma família. Uma família que era unida, muito unida mesmo", lamentou Arlita. Além da mulher, Andrade deixa uma filha e três enteados.
 
Velório e cremação
Santiago foi atingido na cabeça por um rojão quando registrava o confronto entre a Polícia Militar e manifestantes há uma semana na Central do Brasil, no Centro do Rio. Ele sofreu um afundamento do crânio, foi submetido a uma cirurgia e passou quatro dias internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Municipal Souza Aguiar. Na segunda-feira (10), teve morte cerebral, e a família decidiu doar os órgãos do cinegrafista.
O corpo dele foi velado e depois cremado na manhã de quinta-feira no Memorial do Carmo, no Caju, Zona Portuária. Na cerimônia, colegas de trabalho da Rede Bandeirantes e familiares estiveram presentes. Em homenagem, funcionários da emissora usaram uma camiseta com uma imagem em que o cinegrafista aparece filmando do céu.
 

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