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Morre a artista plástica Tomie Ohtake

Japonesa naturalizada brasileira se tornou um dos maiores nomes da arte abstrata no país

fonte: oglobo.globo.com

Atualizado: Quinta-feira, 12 Fevereiro de 2015 as 3:26

Tomie Ohtake
Tomie Ohtake

Tomie Ohtake morreu nesta quinta-feira, aos 101 anos, vítima de um choque séptico causado por broncopneumonia. A artista plástica se recuperava de uma pneumonia desde o dia 2 e, na terça-feira pela manhã, estava prevista sua alta do hospital Sírio Libanês, em São Paulo. No entanto, Tomie sofreu uma grave broncoaspiração com alimentos do café da manhã, e, em seguida, uma parada cardíaca, na noite desta quarta-feira.

O velório será nesta sexta, entre 8h e 14h, no instituto que leva seu nome, em São Paulo, e a artista será cremada em cerimônia reservada para a família. A artista plástica completou em 101 anos em 21 novembro do ano passado.

Mestre na exploração de formas e cores num estilo abstracionista livre, em que tanto a geometria quanto a natureza se prestavam como referências, a artista japonesa Tomie Ohtake, que nasceu em Kyoto, no Japão, e vivia no Brasil desde 1936. "O Brasil tem sol muito claro", disse a artista, em entrevista ao GLOBO, em fevereiro de 2013. "Quando saí do navio, olhei para o céu e senti cheiro de amarelo. Ali, gostei do Brasil".

Ela só começou a pintar profissionalmente quando tinha 40 anos, após ter criado os dois filhos, os arquitetos Ruy e Ricardo. Naturalizou-se brasileira quando tinha 55 anos e se tornou um dos maiores nomes da arte abstrata no país. Vivia imersa em sua arte: na casa-ateliê de aspecto modernista onde morava, projetada pelo filho Ruy no bairro Campo Belo, em São Paulo, ela mandara instalar uma cama, de solteiro, ao lado das telas para poder vê-las já quando acordava.

Ela contava que havia se apaixonado pelo Brasil no momento em que desembarcou no porto de Santos, aos 23 anos, quando viera visitar um irmão: "Brasil tem sol muito claro. Quando saí do navio, olhei para o céu e senti cheiro de amarelo. Ali, gostei do Brasil". Apesar de morar há tanto tempo em São Paulo, ela jamais perdeu o forte sotaque japonês e fazia piada com isso: "Nunca 'aprendeu' a falar português. Agora não 'aprende' mais, né?", brincou, numa entrevista ao GLOBO há dois anos.

Tomie, que também fazia gravuras e esculturas - é dela a polêmica "Estrela do mar", escultura de aço amarela que flutuou sobre o espelho d'água da Lagoa, no Rio, entre 1985 e 1990 - continuou trabalhando até o fim da vida. Estava usando poucas cores nas telas mais recentes, destacando o branco, o vermelho, o azul e algum amarelo, e criando jogos de luz e sombra. Bem-humorada, disse em outubro do ano passado, pouco antes de fazer sua última exposição, com seis grandes pinturas, na Galeria Nara Roesler, no Rio: "Aos 100 anos, a única coisa que posso fazer é arte".

 

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