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No Rio de Janeiro, garis decidem manter greve

No Rio de Janeiro, garis decidem manter greve

Atualizado: Quinta-feira, 6 Março de 2014 as 6

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Os garis decidiram manter a greve na manhã desta quinta-feira (6) em assembleia na Rua Major Ávila, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Diversos bairros da cidade permaneciam com grande quantidade de lixo espalhado pelas ruas até as 11h30. As lixeiras na região da Praça Saens Peña, na Tijuca, Zona Norte, estavam abarrotadas por volta das 6h30.
Na Praça da Bandeira, a população queimou entulho para conter o mau cheiro. Era possível ver montanhas de lixo e larvas no chorume acumulado no meio fio. Perto do Morro da Mangueira, a combinação de lixo acumulado e bueiros vazando tornava a situação ainda pior. Até as 10h30, não foi possível ver garis fazendo coleta de lixo nessa região.
Na Rua Sotero Reis, na Praça da Bandeira, nem o aviso "Não jogue lixo aqui" impediu que a via ficasse suja, sem coleta. A mesma situação foi encontrada próximo aos Arcos da Lapa, um dos cartões-postais do Rio, na Região Central.
 
Escolta para garis
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciou nesta quarta que uma escolta armada garantiria o trabalho dos garis a partir de quinta. Em Botafogo, na Zona Sul,  guardas municipais realizavam a escolta de profissionais de limpeza desde a madrugada.
 
Na Tijuca, a situação ainda era crítica. Em outras ruas do bairro, o Bom Dia Rio flagrou montanhas de lixo impedindo a circulação nas calçadas. Na rua dos Araújos, em um intervalo de 50 metros havia pelo menos três focos de lixo. Para piorar a situação, móveis velhos foram depositados e se misturavam ao detrito. A recomendação é que moradores acondicionem o lixo dentro de casa, em sacos plásticos, para não agravar a situação nas ruas.
A coleta na cidade está irregular desde sábado (1º), quando um grupo de garis resolveu cruzar os braços. Cerca de 150 garis participaram de um protesto na noite desta quarta-feira, na porta da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), para reivindicar melhores condições de trabalho.
 
Na segunda (3), a prefeitura fez um acordo com a categoria e anunciou um aumento de 9% no salário dos garis, que junto com o adicional de insalubridade chegaria a R$1224,70. No entanto, o grupo de funcionários que vem realizando essas paralisações pede um aumento de 40% no adicional de insalubridade e um salário base de R$1.200. No total, a remuneração chegaria a mais de R$1.600.
 
Escolta armada 
Na quarta, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciou que a partir da madrugada desta quinta escoltas armadas vão acompanhar todos os caminhões da Comlurb para garantir a coleta. Durante entrevista coletiva, Paes afirmou várias vezes que a maioria dos garis compareceu ao trabalho durante o carnaval, mas foi impedida de trabalhar por "delinquentes", inclusive grupos armados.
Paes também disse que vai suspender todas as demissões para os garis que retornarem ao trabalho até esta quinta-feira nos seus respectivos turnos. A decisão foi tomada depois de pedido do defensor geral do estado Nilson Bruno Filho, que se reuniu mais cedo com o representante dos garis grevistas.No início da semana, a Comlurb havia anunciado que 300 garis seriam demitidos por não comparecer ao trabalho.
Para viabilizar a escolta, a prefeitura disse que iria contratar empresas de segurança particular. No entanto, no início desta manhã, somente a Guarda Municipal foi vista realizando a segurança. O prefeito afirmou também que não teme que a situação se repita durante a Copa do Mundo.
 
“Não estou preocupado com Copa do Mundo. Estou preocupado com a limpeza da minha cidade. É muito mais difícil fazer o carnaval do Rio que a Copa do Mundo.Os lugares que tiveram maior sujeira foram exatamente onde passaram os blocos. Não me preocupa com o que os turistas estão pensando, estou preocupado com os cariocas”, disse Paes.
 
Lesão corporal
Na manhã desta quarta, um gari foi preso por lesão corporal contra um gerente da Comlurb. De acordo com a vítima, o funcionário estava com um grupo de grevistas que tentou impedir o trabalho dos garis nas ruas. “Um desses empregados tentou quebrar o ônibus, eu tentei impedir, botei a mão no peito dele e ele me agrediu com um soco”, disse Everaldo Vargas, gerente da companhia. Luis Fernando de Souza, suspeito pela agressão, prestou depoimento e foi liberado.
"Não houve ameaça alguma, a gente está só conversando e chamando outros garis para fazer parte da greve”, disse Rogério Coutinho, um dos grevistas presentes na delegacia.
 
Ameaça de grevistas
Funcionários da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) do Rio, que estavam trabalhando na Quarta-Feira de Cinzas em Ipanema, Zona Sul, na altura da rua Maria Angélica, dizem ter sido ameaçados por alguns garis que estão em greve. A assessoria da companhia informou que policiais da região chegaram minutos depois e levaram três garis para a 12ª DP (Copacabana).
De acordo com Isabela Santoni, delegada titular da 12ª DP, a denúncia foi feita pelo subprefeito da Zona Sul, Bruno Ramos, que acompanhava a operação de limpeza da Comlurb no inicio da tarde e chamou a Policia Militar. Os suspeitos devem responder em liberdade até o juízo, já que o crime é de pequeno potencial ofensivo.
Os suspeitos que estavam na delegacia foram reconhecidos por um gari no local, mas negaram a intimidação. Fabiano Fernandes, Anderson Miguel Cardoso e Paulo da Silva disseram que estavam no local, durante o horário de trabalho, e que foram levados a delegacia porque os PMs suspeitaram que eles estavam armados.
"Estávamos lá, no nosso horário de trabalho, mas não houve ameaça. Eles viram que não tinha arma, mas tivemos que vir até aqui e passar por esse constrangimento", disse um deles.
 
Multa de R$ 50 mil
Uma decisão da Justiça do Trabalho divulgada nesta quarta-feira determinou que a multa para o sindicato dos garis passou para R$ 50 mil para cada dia de descumprimento do acordo que estabelece volta imediata da coleta de lixo na cidade. Segundo a Comlurb, foi estabelecido ainda que os garis que não aderiram à paralisação não podem ser impedidos de trabalhar.
 
Greve
A greve de um grupo de garis da Comlurb, que começou no sábado (1º), deixou as ruas do Rio de Janeiro cheias de lixo em pleno carnaval.
A paralisação realizada por parte dos garis da Comlurb não tem apoio do sindicato municipal, que negou ter paralisado o serviço de coleta de lixo. O sindicato atribuiu a um "grupo sem representatividade a propagação de rumores de ameaça de paralisação".
 

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