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O terceiro dia do julgamento do ex-cirurgião plástico Farah Jorge Farah, está previsto para ser retomado nesta quarta-feira

O terceiro dia do julgamento do ex-cirurgião plástico Farah Jorge Farah, está previsto para ser retomado nesta quarta-feira

fonte: Globo.com

Atualizado: Quarta-feira, 14 Maio de 2014 as 8:47

O terceiro dia do julgamento do ex-cirurgião plástico Farah Jorge Farah, acusado de matar e esquartejar a paciente e amante Maria do Carmo Alves em 2003, em São Paulo, está previsto para ser retomado a partir das 9h30 desta quarta-feira (14), no plenário 10 do Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital.
De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo, o júri será reiniciado com o interrogatório do réu pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, depois pelos promotores e em seguida pelos advogados de defesa. Ao término desta etapa, terá início o debate entre a defesa e acusação. O resultado final do júri deverá ser conhecido na quinta-feira (15).
Na terça-feira (13), o segundo dia de julgamento terminou por volta das 21h10. Ao todo, 16 testemunhas, sendo oito de acusação e oito de defesa, foram ouvidas nos dois primeiros dias de júri.
Após ter sido adiado por cinco vezes, a última vez foi em março deste ano, o julgamento começou oficialmente por volta das 12h e foi interrompido por volta das 22h de segunda-feira (12). O júri é composto por cinco mulheres e dois homens. No primeiro dia foram ouvidas sete testemunhas, sendo seis de acusação e uma de defesa.
A última a depor, já na noite desta segunda-feira, foi Sandra Maria Pinto Sampaio, que acusou Farah de assédio. As primeiras testemunhas de acusação foram ouvidas na tarde de segunda. O médico psiquiatra Itiro Shirikawa explicou ao júri o que é “estado crepuscular”. Essa condição consiste no “estreitamento do campo da consciência”: a resposta a estímulos da pessoa exteriores é quase nula. A defesa de Farah alega que ele agiu nesta condição após uma crise epiléptica e que ficou assim por 12 horas.
Porém, o médico Shirakawa diz que esse estado dura no máximo 30 minutos. Farah pode ter matado nesse estado, mas todas as outras ações, como esquartejar e colocar os pedaços em uma sacola, não teriam sido cometidas em “estado crepuscular”. Ele acrescentou que Farah não é psicopata nem epiléptico.
O também médico Mauro Gomes Aranha da Lima foi a segunda testemunha da acusação a ser ouvida. Ele disse que o réu tem uma conduta “histriônica”: ele tem tendência a representar um determinado sentimento ou um valor, de forma desproporcional, teatralizada, com toque de dramaticidade. Isso é um problema comportamental. Ambos os médicos participaram da avaliação psiquiátrica de Farah.
Uma ex-paciente também foi ouvida. Maria das Graças Amaro acusou Farah de abusá-la durante cirurgia estética nos seios. “Lembro de ter ouvido ele falar no meu ouvido: 'Quer namorar comigo, quer namorar comigo'.”
Além do assédio, Maria das Graças afirma que o médico errou na cirurgia, chegando a causar necrose. Para reparar o erro, a mulher procurou outro médico. "Tive que vender um carro para consertar", disse. "Eu não gostaria que mulher nenhuma mais passasse por isso que eu passei."
Júri
Segundo o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, o julgamento deve terminar na quinta-feira. Em 10 de março, o juiz aceitou o pedido da defesa do réu, que alegou que duas de suas oito testemunhas não foram localizadas e isso prejudicaria seu cliente. No ano passado, já haviam sido quatro adiamentos.
"Farah é perverso. Se finge de frágil. É teatral", afirmou o promotor Andre Luiz Bogado, responsável pela acusação contra o ex-médico.

jorge farahAtualmente com 64 anos de idade, Farah responde em liberdade pelo homicídio doloso, no qual há a intenção de matar. Ele é apontado como responsável pela morte, esquartejamento e ocultação do cadáver da dona de casa, paciente e amante Maria Alves. Ela tinha 46 anos quando foi morta. "Farah premeditou o crime. Ele atraiu a paciente para uma cirurgia reparadora, depois a sedou e a esquartejou", disse o promotor Bogado.

O então médico era solteiro à época e a vítima estava casada. O marido de Maria, João Augusto, foi uma das oito testemunhas escolhidas pela acusação para depor no júri. Também foram chamados o delegado do caso e perito.

O advogado Odel Mikael Jean Antun sustenta a tese de que seu cliente matou a vítima para se defender. “O Farah narra essa história de legítima defesa. Ela entrou com faca, ele se desvencilhou e acabou matando. E o ato do esquartejamento é de um surto psicológico que ele teve naquele momento diante da perseguição que ele sofria dessa mulher”, disse o advogado.

A defesa pretende pedir a absolvição do réu ou a redução de sua pena em uma eventual condenação baseando-se em laudo que atesta que ele é semi-imputável.

O advogado diz que, no momento, Farah “não quer falar com a imprensa.” Segundo o defensor, o ex-cirurgião está passando por dificuldades financeiras, já que passou em concursos públicos, mas nunca foi chamado para trabalhar por causa do crime que responde. Além disso, teria trancado um curso que estava fazendo em uma faculdade.

O crime
Maria foi morta em 24 de janeiro de 2003 na clínica de cirurgia plástica que Farah tinha em Santana, Zona Norte de São Paulo. Partes do corpo foram encontradas pela polícia dias depois no porta-malas do carro do então médico. O veículo estava na garagem do prédio onde ele morava.
Naquela ocasião, Farah confessou ter cometido o assassinato e ficou preso por quatro anos. A defesa alegou que ele agiu sob "violenta emoção". O defensor mostrou que, em março de 2002, Maria telefonou 3.708 vezes para o consultório do amante. Além de ameaçá-lo, Farah contou que no dia do crime, ela o "atacou com uma faca".

Em 2006, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) proibiu o cirurgião de exercer a profissão.

Em maio de 2007, seus advogados conseguiram no Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de ele aguardar pelo julgamento em liberdade.
Em abril de 2008, ele foi a júri e acabou condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato e ocultação de cadáver, mas o julgamento foi anulado pela Justiça. À época, a defesa alegou que laudos que atestavam que o ex-médico era semi-imputável (tinha compreensão parcial de seus atos) não foram levados em consideração pelos jurados.

O documento mostrava que ele não entendia totalmente o caráter criminoso de sua conduta. Segundo a defesa, o laudo mostra que Farah não é um psicopata e não tinha problema mental que exigisse tratamento. Mas que perdeu o controle por um instante e cometeu o homicídio.

O júri já foi remarcado seis vezes, quatro delas em 2013 e duas agora neste ano. Além do juiz do caso, a Promotoria e a defesa já pediram o adiamento.

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