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Rapaz que arrastou mulher por 800 metros após acidente é solto

fonte: Globo.com

Atualizado: Terça-feira, 19 Agosto de 2014 as 8:53

Julio Cesar Leandro, de 21 anos, foi solto na tarde de domingo (17) do Presídio Regional de Rio do Sul, no Vale do Itajaí, e responderá em liberdade o processo criminal por arrastar Maristela Stringhini, de 40 anos, por 800 metros embaixo de um carro após uma briga de trânsito. Preso desde abril, o rapaz foi solto após pedido de habeas corpus.
A decisão do juiz Cláudio Márcio Areco Júnior, da Vara Criminal de Rio do Sul, foi publicada nesta segunda (18) no site do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. No dia 15 de julho, o mesmo juiz determinou que o caso fosse levado a júri popular. Os advogados do acusado tentaram recorrer a setença, recurso negado pela justiça.

O julgamento popular será pela tentativa de homicídio qualificado, por motivo fútil, cruel e sem direito a defesa da vítima. O acidente ocorreu no dia 13 de abril, às 3h15 da madrugada. Com Suspeita de embriaguez, Leandro teria batido intencionalmente na traseira da moto em que estavam Maristela e o noivo, segundo denúncia oficial.
Maristela Stringhini teve fraturas expostas e o tórax dilacerado no asfalto, um quadro de politraumatismo com lesões do rosto à altura dos joelhos. Depois de 14 cirurgias e 90 dias internada, ela recebeu alta do Hospital de Rio do Sul no dia 15 de julho e voltou para casa em Lages, na Serra catarinense.
Denúncia oficial
Segundo a denúncia oficial expedida pelo Ministério Público e recebida pela Vara Criminal da Comarca de Rio do Sul, na madrugada do dia 13 de abril, Julio Cesar Leandro estava sob influência de álcool quando dirigia um carro Saveiro pela Alameda Aristiliano Ramos, no Centro de Rio do Sul.

Quando dobrou à esquerda na Rua São João, em alta velocidade, desviou subitamente da moto Honda onde estavam os noivos e acabou subindo na calçada da Praça Emembergo Pellizzetti. Wolni José Amorim foi tirar satisfações sobre o quase acidente, aproximou a moto do carro e repreendeu o motorista.

Ofendido, o motorista do carro bateu na traseira da moto intencionalmente após a briga e os noivos caíram. Leandro passou por cima de Maristela e o capacete da vítima ficou preso na parte inferior do veículo, na roda direita frontal. O carro fez manobras em zigue-zague na rua Carlos Gomes para livrar do corpo preso.
O capacete trancou a roda do carro e o carro desligou-se sozinho. Pelos gritos de socorro da vítima, um transeunte bateu no vidro de Julio para avisar da situação. O motorista do carro deu a partida novamente e engatou a marcha-ré, paraPor um desnível na pista, Maristela se despreendeu do carro em frente a Clínica Médica Almanara. Depois, ele fugiu pela rua Rocha Pombo. O percurso total que Maristela foi arrastada pelo carro foi de 800 metros. O Corpo de Bombeiros da cidade atendeu a mulher no local.

Embriaguez
A denúncia oficial ainda consta que Julio Cesar estaria ingerindo bebida alcoólica desde às 22h30 do dia 12 de abril. De acordo com depoimentos, Julio encontrou amigos em um posto de gasolina neste horário. Depois, eles foram ao sítio da família do denunciado no bairro Fundo Canoas, para um "esquenta" com bebidas alcoólicas.
O grupo foi por volta da 00h30 até uma casa noturna da região, no bairro Jardim América. Depoentes afirmam que houve ingestão de álcool novamente. Às 2h45, Julio decidiu voltar para casa e dirigiu sozinho o automóvel, com destino ao bairro Laranjeira. O acidente ocorreu neste trajeto, quando passava pelo Centro da cidade.

Versão do acusado
O motorista Julio Cesar Leandro afirmou não saber que a mulher estava embaixo do veículo e, se soubesse, teria parado imediatamente, conforme depoimento prestado à Justiça no dia 17 de junho. Ao todo, 12 testemunhas – entre taxistas, pessoas que trabalhavam com o acusado e o noivo de Maristela – foram ouvidas na audiência sobre o caso.
O motorista chorou durante o depoimento, afirmou que não havia ingerido bebida alcoólica e negou que soubesse que a mulher estava embaixo do automóvel. Julio Cesar declarou que se sentiu ameaçado pelo motociclista e ficou apavorado, razão pela qual saiu em disparada com o carro.

Maristela diz que tenta não julgar o jovem. Ela considera que ele e a família também estão sofrendo. "Eu sou mãe, me pus no lugar da mãe dele e não posso julgar. Ele é um menino de 21 anos e está começando a viver. O certo e o errado que ele fez não sou eu que vou julgar. Assim como eu fiquei com marcas, ele também vai ficar. Assim como eu estou sofrendo, a família dele está sofrendo também", conclui a catarinense.

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