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São Paulo tem redução da frota de ônibus

São Paulo tem redução da frota de ônibus

Atualizado: Segunda-feira, 24 Março de 2014 as 6

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A Prefeitura de São Paulo registrou em janeiro e fevereiro a menor frota de transporte coletivo dos últimos cinco anos na cidade. A média mensal de ônibus e micro-ônibus no começo de 2014 foi de 14.764 veículos, 208 a menos que o verificado no início do ano passado, quando a capital tinha 14.972 ônibus. O número é o mais baixo desde 2009, quando São Paulo contabilizava 14.748 veículos.
 
Os dados estão no site da SPTrans, órgão da Prefeitura que administra o serviço de transporte coletivo, e dizem respeito ao total de ônibus cadastrados, incluindo os de reserva.
A SPTrans afirma que a redução na frota não significa ônibus mais lotados. Isso porque o número de ônibus articulados aumentou de 914 para 1.324 veículos nos últimos anos.
 
Cada um deles transporta 128 pessoas. A prefeitura afirmou ainda que, desde o ano passado, 111 ônibus foram incendiados na cidade, o que afetou o número de veículos cadastrados, e citou ainda a criação de 318 km de faixas exclusivas, o que "otimizou" o uso dos ônibus já que com mais velocidade eles voltam mais rapidamente ao início do trajeto.
 
Muitos usuários de ônibus da cidade reclamam, no entanto, que a criação das faixas não foi acompanhada de um aumento na quantidade e na frequência dos ônibus. Alguns relatam linhas superlotadas e culpam o corte de linhas feito pela prefeitura no redesenho que começou no ano passado.
 
Segundo a SPTrans, 141 linhas foram substituídas e 31 seccionadas (divididas em trechos). A administração municipal não fala em linhas "excluídas". A maioria das substituições, 84%, ocorreu na Zona Leste, onde a concessionária Itaquera Brasil foi descredenciada após seus funcionários fazerem diversas paralisações. Houve ainda a criação de 73 linhas.
A SPTrans afirma que o objetivo das mudanças é melhorar o transporte público. “A diminuição de sobreposições de trajetos e a criação de linhas mais curtas fazem parte das medidas que têm essa finalidade”, informou o órgão municipal em resposta aos questionamentos do G1.
 
A SPTrans diz ainda que os passageiros de trajetos alterados tiveram, de modo geral, “benefícios com a redução no tempo de viagem em boa parte das linhas”. E que continua monitorando as mudanças.
No entanto, a SPTrans resolveu suspender mudanças nas linhas após uma reunião pública entre o secretário de Transportes, Jilmar Tatto, e o Movimento Passe Livre (MPL), em fevereiro. Integrantes do MPL criticaram a reorganização que vem sendo feita alegando que ela serve para aumentar o lucro das empresas, já que os empresários de ônibus ganham conforme o número de passageiros transportados. Ao final, Tatto prometeu não fazer novas alterações sem falar com a população.
 
Redução
A redução da frota entre 2013 e 2014 é pequena em termos percentuais, cerca de 1,5%. Já o número de passageiros por mês em média foi de 230 milhões entre janeiro e fevereiro, 5,4% do que no mesmo período de 2013.
A principal redução se deu em relação aos ônibus oferecidos pelas concessionárias (ônibus de tamanho convencional e os articulados). Em janeiro e fevereiro de 2014 foram 8.776 veículos deste tipo em média contra 8.988 nos primeiros dois meses de 2013. Já o número de micro-ônibus circulando na cidade sofreu pequena alteração.
 
A manicure Elisabete da Silva, de 52 anos, mora na Vila Clara, na Zona Sul e teve que alterar a sua rotina após a extinção de uma linha que ligava o Jardim Selma ao Terminal Princesa Isabel, no Centro.  “Agora eu preciso andar pelo menos 15 minutos até a Avenida Cupecê para pegar o Largo São Francisco”, contou. Ela tem a opção de pegar dois ônibus. “Eu posso pegar um ônibus até o Detran e outro até a Brigadeiro, mas não compensa. Eu fico 1 hora, 1h10 dentro do Largo São Francisco. Se eu pegar dois ônibus, eu não pago passagem, mas demoro 1h30, no mínimo”, estimou.
 
A agente de relacionamento Cinthia Coelho, de 25 anos, disse que a linha que liga o Jardim Jova Rural até Santana, na Zona Norte, ficou muito mais lotada após o fim da linha Nova Galvão 172T. “A minha linha depois disso ficou muito uma ‘maravilha’. Nunca consigo me sentar. É comum a gente ficar pendurado na porta. Tem ônibus que vem tão cheio que nem para no ponto”, disse.
 
Já o despachante Edson Ribeiro dos Santos, de 38 anos, gostou da mudança. Ele disse que a restruturação nas linhas de ônibus na região de Aricanduva, na Zona Leste, e os corredores de ônibus trouxeram uma economia de tempo para fazer o trajeto até o trabalho, em Congonhas, na Zona Sul de São Paulo.  “Para mim teve uma melhora. Eu pegava três ônibus para ir ao trabalho. Agora eu pego dois. O trajeto que eu levava até 2h30 para fazer, agora eu consigo fazer em até 1h30”, conta. Atualmente, ele pega um ônibus até o Terminal Parque D. Pedro II e outro até Congonhas.
 

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