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Situação do abastecimento de água no estado de São Paulo é mais crítica que a do Rio

Sistema Cantareira opera com menos 24,17% das reservas. Paraibuna e Santa Branca estão no volume morto

fonte: globo.com

Atualizado: Quinta-feira, 29 Janeiro de 2015 as 8:35

crise hídrica
crise hídrica

A crise hídrica enfrentada pelos paulistas é pior que a vivida pelos cariocas. A Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp) afirma que o sistema Cantareira, o principal de São Paulo, está em 5,1% de suas reservas — ou seja, isso é o que resta do total que a empresa foi autorizada a captar do volume morto, do qual já foram consumidos 237,4 bilhões de litros. É como se o sistema operasse no negativo em 24,17% do volume útil, já gasto (um total de 982 bilhões de litros). A situação é ainda mais dramática porque não há garantias de que São Paulo poderá contar com toda a água restante no reservatório, que atende 6,5 milhões de pessoas.

No caso do Rio, 12,3 milhões de pessoas (75% da população do estado) que vivem em 66 municípios (incluindo capital e Baixada Fluminense) dependem de quatro reservatórios no Rio Paraíba do Sul, que serve ao sistema Guandu. Os dois reservatórios que atingiram o volume morto — conhecido assim porque a água está abaixo dos túneis de captação — ainda contam com um volume considerável armazenado. Até esta quarta-feira, na represa do Paraibuna, tinha sido consumido do volume morto apenas 0,30%, sem oscilações em relação ao dia anterior. Em Santa Branca, que também está no volume morto, a situação teve uma pequena melhora: o nível passou de -1,68% para -1% em 24 horas. Os níveis das outras duas represas continuam positivos: Jaguari manteve-se em 1,72% das reservas, enquanto no Funil houve queda de 3,89% para 3,77%.

— Em São Paulo, a situação é mais crítica porque os níveis dos reservatórios já estavam baixos em 2013 e pioraram com a estiagem. Será difícil para os paulistas se livrarem de um racionamento mais forte, a menos que ocorram chuvas excepcionais nas áreas dos reservatórios, o que é pouco provável. No casso do Rio, há problemas. Mas o volume de água disponível é suficiente para escaparmos de um colapso, adotando medidas menos severas para racionar água — avaliou Paulo Canedo, professor do Departamento de Hidrologia da Coppe/UFRJ.

Embora a taxa de reserva tenha ficado estável nos últimos quatro dias, o nível do Cantareira continua muito baixo e pode levar as agências reguladoras a reduzirem a vazão. Nos últimos 12 meses, a quantidade de água retirada do sistema caiu de 33 mil litros por segundo para 16,5 mil litros. Caso esse limite seja reduzido para 12 mil litros, a Sabesp estuda fazer um rodízio na Região Metropolitana, com cinco dias por semana sem água nas torneiras. Nesta quarta-feira, o secretário estadual de Recursos Hídricos, Benedito Braga, disse que o racionamento não está descartado e que, caso o governo opte por adotá-lo, a população será avisada. Além disso, informou, serão feitas obras para garantir o abastecimento em prédios públicos.

A estiagem em São Paulo começou no segundo semestre de 2013, quando passaram a ser registradas chuvas abaixo das médias históricas. O governador Geraldo Alckmin e a Sabesp só começaram a admitir a gravidade da situação, no entanto, há três semanas. Nesta quarta-feira, foi a primeira vez que um representante do governo se reuniu com prefeitos da Região Metropolitana para tratar do assunto. Os prefeitos cobraram a elaboração de um plano de contingência.

DADOS NO SITE DA SABESP

São Paulo difere do Rio na metodologia adotada para avaliar as reservas disponíveis. Mesmo usando o volume morto, os índices do Cantareira costumam aparecer como positivos. Isso porque as autoridades paulistas contabilizam a quantidade de água obtida abaixo das bombas como “reservas positivas”. No caso do Rio, são seguidos os parâmetros da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que divulgam dados negativos.

Em São Paulo, os níveis dos reservatórios podem ser facilmente consultados no site da Sabesp. No Rio, O GLOBO buscou nesta quarta-feira, sem sucesso, dados atualizados de todos os reservatórios, mas não encontrou informações em sites do governo do estado. A Cedae repassou o pedido de informações à Secretaria estadual do Ambiente, que, por sua vez, transferiu a questão para o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que também não deu resposta.

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