Cuide mais da tua alma do que dos teus direitos ou sonhos egoístas!

Que Cristo nos salve da avareza e tantas outras coisas que nos separam do outro

fonte: guiame.com.br

Atualizado: Quarta-feira, 17 Setembro de 2014 as 9:33

alegriaJesus estava empenhado em prosseguir com o Seu propósito de ensinar sobre a graça, o amor e a obediência.
Falava, cheio de autoridade e ternura, sobre o ontem, o agora e a caminhada futura.
No final de um dos seus discursos, um homem se aproxima do Mestre. Pede atenção especial. Deseja ouvi-lo falar diretamente ao seu coração. Precisa de uma porção pessoal.

O que perguntar a Jesus depois de um sermão tão rico?
Do que falar frente ao Deus encarnado?
O que justificaria aquela audiência privilegiada?
Qual sentimento fez aquele homem clamar por atenção divina?

O suspense não durou muito.
Tudo não passava de uma tentativa de ter o apoio de Cristo numa tumultuada causa familiar.

Os irmãos haviam recebido uma herança e, de acordo com um deles, a partilha não estava sendo executada como deveria.

Eles estavam brigando por causa disto. Estavam em disputa. Se acotovelavam para conseguir o espaço do outro.
Chamaram Jesus pra ajudar um dos lados.

Deve ter sido uma decepção para o nosso Senhor.
Depois de um período de profunda manifestação da presença do Amor.
Depois do céu falar suas verdades. Deus do evangelho ter descido e sorrido entre eles. Depois de tudo isto, a pergunta só dizia respeito a valores e desejos aprisionados a este século mal.

Então, Jesus disse para os dois... (aqui entra uma intepretação muito minha e passível de erro, pois alguns entendem que o outro irmão não estava no local e quando o texto registra "lhes disse", isto significa, disse a um dos irmãos e ao povo que compunha aquela audiência).
Disse aos dois que precisavam tomar cuidado. Que todo aquele conflito fraterno não tinha a ver com terra, gado, ou pedras preciosas, mas com o coração adoecido.

E, para nossa alegria, surge uma história.

Um homem muito rico recebe uma benção maravilhosa.
Sua colheita foi formidável e muito mais abundante do que ele esperava.
Muito mais generosa do que seus depósitos poderiam armazenar.
Pensando em como aproveitar cada grão para si mesmo, formulou o plano de destruir seus celeiros atuais e construir outros maiores. Juntar tudo o que lhe pertencia por direito e depois de acumular tudo o que podia, desfrutar da vida com muita alegria.

Mas, enquanto embalava seus planos em pensamentos coloridos, a voz sobreana declarou:
- Louco! Insensato. Ainda esta noite tua alma será recolhida. E este império que ergueu, para quem ficará?

História impactante! Um tanto sombria. De tom cadavérico.

E nela encontrei três avisos aos irmãos!

Primeiro!

Cuide mais da tua alma do que dos teus direitos ou sonhos egoístas!
Nossa vida não é nossa! Foi herança. Recebida da Cruz. Entregue por mãos machucadas. Oferecida por um corpo atravessado. Por um rosto sangrando. Por um assassinato injusto. Por um Amor maior do que o universo.
Mas a vida será devolvida. Alguém a buscará de volta para si.
Prestaremos conta.
Estamos tão preocupados em construir os nossos celereios que nem percebemos que estamos destruindo o celereiro de Deus, a saber, a nossa própria existência.
Pra construir popularidade, destruímos santidade.
Para construir nossa vontade, destruímos a de Cristo.
Para construir nossa panela, destruímos a noiva do Senhor.
Para fazer sucesso, destruímos a humildade.
Nos esquecemos do preço de nossa vida. Esquecemos que ela é reservatório do nosso Deus na Terra.
Ao nos tocarem, precisam encontrar paz, alegria, mansidão, domínio próprio, bondade, graça, perdão, arrependimento, piedade... pois são estas coisas que o Cristo deseja guardar em nós.
Como vai a nossa alma? O que levamos nela?
Aqueles irmãos tinham tanto para doar um ao outro, mas se esqueceram do que havia na alma, iludidos pelo brilho do que poderiam carregar nos bolsos.

Segundo!

Cuide bem do teu hoje, pois é o seu maior Presente!
Se tudo parar agora, o agora valeu a pena?
Brincamos com o tempo. Adiamos decisões. Prolongamos desafetos. Protelamos encontros. Calamos o que deve ser dito, contando com uma certa infinidade de possibilidades. Reagendamentos prioridades.
Nos gloriamos dos ontens estupendos e abandonamos a missão que ainda precisa ser feita.
Como está minha vida hoje? Como vai minha família hoje? Como anda meu relacionamento com a igreja, hoje? Como está minha fé, hoje? O que fiz para sevir ao próximo, hoje? O quanto amei, hoje? O quanto chorei por meu erro, hoje? O que fiz com o hoje que a eternidade me deu?

Os irmãos?
Fizeram o hoje ser palco de conflito. De afastamento. No hoje, eram rivais. Combatentes.

Você e seu pai, hoje! Você e sua mãe, hoje! Você e aquele amigo, hoje! Você e sua ex namorada, hoje! Você e a mãe do seu filho, hoje!
Como vão as coisas, hoje? Se a vida fosse apenas o agora, a tua tem qual avaliação?

Terceiro!

Valorize quem está do teu lado.

Aqueles irmãos brigavam por uma coisa que o personagem da história tinha de sobra.
Eles queriam recursos e o, chamado de Louco, tinha em excesso.
Porém, os manos possuiam algo que o Louco não possuía - um irmão.

A pergunta que atinge em cheio é a seguinte: - Pra quem ficará o que você tem?

Jesus contou a história de alguém rico por fora, mas pobre por dentro.
Sem amigos. Sem gente por perto. Sem comunidade. Sem relacionamentos profundos.

Alguém que, do alto de suas glórias humanas, não via um humano pra abraçar.
Cheio de coisas, mas vazio de sorrisos.

Como um Caim!
Um Caim que mata o seu irmão por querer o que ele tem.

Por desejar o mesmo olhar de aprovação do Pai, ele mata o irmão aprovado. Que estratégia infeliz.

E tempos depois.
Quando Caim tem seu primeiro filho, seu primogênito, ele coloca o nome do filho na cidade.
Creio que isto tem uma explicação poética.
Segurando seu bebê no colo, desejou ter um irmão para dividir a festa.
Queria um colo para oferecer ao seu herdeiro.
Queria Abel de novo. Queria pedir seu carinho emprestado, onde seu filhão poderia descobrir a beleza de ter uma família.
Mas não havia mais Abel.
Havia apenas muros, pedras, portas... Uma cidade que ele ergueu.
E é no colo da cidade que Caim aninha seu filho.
Não havia relacionamentos par dar ao seu amado, apenas coisas.
Isto é pobreza - ter apenas coisas.

Que Cristo nos salve da avareza e tantas outras coisas que nos separam do outro.


- Thiago Grulha

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