O Deus "imperfeito"

O que há por trás de tudo isso e que não admitimos, quando pensamos na “imperfeição de Deus”, em sua “inconstância” – afinal Deus diz que não se arrepende, mas depois se arrepende – é que olhamos para ele com nossa imperfeição

fonte: Ultimato jovem

Atualizado: Segunda-feira, 28 Abril de 2014 as 2:28

adoraçãoMuitos de nós que já se arriscaram nos campos do conhecimento sobre Deus, já se questionou um punhado de controvérsias. Tudo isso fruto das diversas correntes de pensamentos que tivemos acesso. Afinal Deus já foi para muitos um cavalheiro que bate à porta do coração esperando que a pessoa abra-se para Ele, e acabou se tornando um Deus que não pode ser resistido e já tem “os seus” escolhidos.

O que há por trás de tudo isso e que não admitimos, quando pensamos na “imperfeição de Deus”, em sua “inconstância” – afinal Deus diz que não se arrepende, mas depois se arrepende – é que olhamos para ele com nossa imperfeição. São os nossos olhos e não Ele. É miopia nossa, e não sujeira que há nele. Deus é perfeito e nós imperfeitos. Nós o conhecemos em nossa ótica.

Talvez por isso a Bíblia nos estimule a conhecê-lo e “prosseguir” em conhecê-lo. O conhecimento de Deus não acaba, pois Ele não é finito. E nós em nossa imperfeição, em carne, não conseguimos ainda entendê-lo por completo. Mas ele nos entende bem. Um professor no seminário dizia que Deus nos aceita até mesmo com os nossos questionamentos (inclusive, sobre Ele).

Não podemos parar de buscá-lo progressivamente, sem partido teológico. Deus não é conservador ou calvinista, tampouco liberal. Deus É. Por isso devemos sempre ler, especular e reter o que é bom. Um trecho do livro “O Evangelho Maltrapilho”, de Brennan Manning, ilustra bem o quero dizer:

Conta a história que uma jovem e dinâmica mulher de negócios mostrava sinais de fadiga e estresse. O médico receitou tranquilizantes e pediu que ela voltasse para uma consulta duas semanas depois. Quando ela voltou, ele perguntou se ela sentia-se diferente.

— Não. Mas tenho observado que as outras pessoas parecem estar bem mais relaxadas.

Normalmente vemos os outros não como são, mas como nós somos.

Podemos transferir a história para a maneira como vemos Deus. Não vemos a Deus como ele é, mas como nós somos. Por isso orar, por isso meditar na Escritura, por isso o Espírito em nós que nos ensina e convence-nos dia a dia do nosso pecado. É um processo também complexo. Deus já nos deu tudo em Jesus, mas o melhor ainda virá. O que sabemos bem e com toda certeza é que sabemos pouco ou quase nada sobre esse Eterno-Deus. Essa é a verdade que nos norteia e persegue, por isso “conheçamos e prossigamos em conhecer a Deus” (Os 6.3).

Para quem se pergunta como e onde procurá-lo, as respostas virão. Não de mim, mas Dele que se revela. Por isso falamos desse “Abba-Amigo-Mestre” com reverência, pois nem sempre o explicamos bem, mas podemos senti-lo: em oração, num sorriso, no rosto do próximo, na música, no verde. C. S. Lewis disse: “Nossas primeiras palavras, ao chegarmos ao céu, serão ‘Ahhh…’, com um ar de ‘Agora eu estou entendendo’”. Entenderemos sim, pois esperamos a promessa de que um dia o veremos como Ele é.


- Mateus Octávio Alcantara de Souza

 

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