Como caminhamos nós: Fortes ou enfraquecidos?

Como caminhamos nós: Fortes ou enfraquecidos?

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:23

Vivemos dias difíceis e confusos e de situações inusitadas nunca antes visto, e que vem se acentuando cada vez mais a partir dos anos 60. O paradigma da secularização toma contas das igrejas, principalmente de seus púlpitos. E essas anomalias se exteriorizam pela presença dos novos movimentos religiosos que se alastram diuturnamente tal e qual a sanha de uma erva daninha e isso vem invadindo até mesmo ambientes tidos outrora como tradicionais. A sã doutrina foi empacotada e lançada no lixo mais próximo, sem que vozes se levantem em seu socorro.

Analisando este fenômeno, Leonildo Silveira Campos, em seu ''Teatro, Templo e Mercado'', resultante de pesquisa de campo e de intensa observação, pontifica que ''o advento dessas novas opções de misticismo e de religiosidade... acabou por beneficiar os novos movimentos religiosos de origem cristã, entre eles os movimentos carismático na Igreja Católica e o neopentecostalismo protestante''.

Paulo, orientando a Timóteo, a quem ele chamou de ''meu verdadeiro filho na fé'': ''prega a Palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas''. Estamos vendo o cumprimento de tudo isto, ali, bem ali, na próxima esquina, próximo a igreja local da qual fazemos parte e contemplamos a tudo isso de braços cruzados, inertes ou como baratas tontas.

A grande verdade, conforme nos aponta Antônio Gouvêa Mendonça, é que ?o protestantismo histórico está perdendo a batalha para as novas formas de cristianismo por duas vias: por evasão direta para as novas igrejas ou por perda simbólica no interior dos seus próprios templos?. Nossos pastores, de linha fundamentalista, esbravejam de seus púlpitos seus desabafos, arrotam indignação, mas não fazem o necessário que precisa ser feito.

Muitos de nós, a partir de mim, não temos tido tempo para dobramos nossos joelhos em terra, em busca do trono da graça para que sejam capacitados pelo próprio Deus, através da instrumentalidade do Espírito Santo. Não temos nos debruçado sobre as Sagradas Escrituras, para aquele encontro diário e extremamente necessário com o Senhor, para que possam extrair o alimento necessário para alimentar o povo que o Senhor o tem confiado, mas o que vemos e ouvimos, são mensagens escolhidas de última hora, fora da realidade e da necessidade daquele povo sob nossa responsabilidade e pastoreio. Proferimos mensagens sem conteúdo nem um e, acima de tudo, de vivência cristã, o que é bem mais grave. Falo em tese.

Muitos de nós, por nossa livre recreação infantil, dizemos: não queremos quantidade, mas qualidade. Mas qualidade de quê? De membros depauperados, esquálidos, quase prontos a morrer de inanição, porque não temos tido bom alimentos para lhes alimentar? O que teremos a dizer sobre isso?

O Brasil é um grande celeiro para o misticismo, isso faz parte do sangue verde-e-amarelo e da cultura do nosso povo, a partir do nosso descobrimento. A estreiteza dogmática de alguns que se dizem fundamentalistas, mas que não conhecem profundamente os verdadeiros fundamentos da fé cristã, fundamentalismo este que dele fazemos parte quase sem nenhum conhecimento histórico, nossos líderes - temos líderes, onde eles estão? - tem se ocupado bem mais em fazer barulhos em seus ajuntamentos. E tentamos analisar isso e daquilo, com a lente dos outros, esmerando-nos em falar do quintal do vizinho, e muitos de nós até mesmo pontificamos em nossas catedrais de fundo de quintal, sem expressão nenhuma, numa atitude muitas das vezes de autodefesa e temos - todos nós - nos esquecido de pregar a Palavra tal qual ela é, para alimentarmos o nosso povo com a inerrante Palavra de Deus. Falo em tese.

Poucos, pouquíssimos somos os pregadores da Palavra de forma expositiva. Não temos nos dado ao trabalho de expô-la assim desta forma. Muitos de nós não temos debruçado para lermos e meditarmos na Palavra para levarmos alimento sólido para o povo tão sofrido povo. Somos pelo exercício do mesmíssimo, achamos que nossos cultos aos domingos, pela manhã e, mormente o da noite, precisa ser única e exclusivamente para o ''incrédulo'' e estamos perdendo uma excelente oportunidade de alimentar toda a igreja local ali reunida, como se a exposição da Palavra não atingisse todos os homens, crentes e descrentes. Precisamos mudar este modelo ineficiente.

Estamos perdendo a grande oportunidade de alimentar o nosso povo com alimento de primeira qualidade. O nosso povo está faminto, e saem de nossos templos vazios, esquálidos, depauperados, correndo o risco de inanição espiritual. Saem dominicalmente de nossos templos da mesma forma como ali entraram, porque ouviram mensagens mal-elaboradas, ''estudadas'' ali mesmo no púlpito, de última hora, sem conteúdo bíblico-teológico, muitas das vezes sem vivência nenhuma por parte do pregador. E o nosso povo percebe, ele não é mais tão menos observador que outrora o era... E estas pessoas retornam para as suas casas enfraquecidas, desanimadas, por falta de uma clarinada correta, para enfrentarem mais uma semana de vida. Esta é a realidade.

Sei que muitos que me lêem irão ficar revoltados, nervosos com tudo isso que trazendo à lume, dizendo a queima roupa, mas quero dizer, de antemão, que não estou preocupado com o que pensam ou deixam de pensar acerca do teor das minhas palavras, pois não há mínima intenção de minha parte de agradar a quem quer que seja, pois o meu compromisso, acima de tudo e de todos, é com o meu Deus, a quem eu tenho procurado servi-Lo ao longo de todos estes anos de experiência verdadeiramente cristã bíblica.

Mas ali, na esquina mais próxima, ou quase defronte ao nosso templo, está um grupo de aparência forte, cujos espaços todos estão tomados, pouco importa se o ambiente está ou não climatizado (a coqueluche do momento), bem acomodados ou não em bancos de madeira, cadeiras de plástico. Muitas dessas pessoas até mesmo já se despencaram ao chão, pela fragilidade dessas cadeiras ou confortavelmente sentados em poltrona acolchoadas. Mas que ouviram uma mensagem, até mesmo distorcida das Sagradas Escrituras, mas que aparentemente satisfazem aos seus anseios e os fortalecem para uma nova semana que se inicia. Nós temos o melhor e não estamos sabendo usar. E isto precisa ser mudado. Já. Agora. Sem perda de mais tempo. Haja o que houver, aconteça o que acontecer. Para a maior glória do Nome do Senhor.

Pr. José Barbosa de Sena Neto foi sacerdote católico romano, tendo pertencido à  ''Ordem dos Frades Menores Capuchinhos-OFMCap'' e, posteriormente, integrante do clero diocesano, exercendo o sacerdócio católico romano durante 22 anos consecutivos, além dos 12 anos em seminário menor e maior e noviciado. Trabalhou no interior de São Paulo e os últimos 10 anos, no interior do Estado do Ceará, 3 anos dos quais  na Região do Cariri, na cidade do Crato e os últimos 7 anos  na região do Sertão Central,  na cidade de Quixadá. Após deixar o Catolicismo, fez curso de bacharel em Teologia,  pelo Seminário Bíblico de São Paulo e, após  aprovado em concílio examinatório, foi ordenado pastor batista no dia 08 de outubro de 2000.  Tem mestrado em Teologia Pastoral pelo Seminário Teológico de Fortaleza, além de  licenciatura plena em Filosofia, Pedagogia, Letras/Espanhol e História, pela Universidade Estadual Vale do Acaraú-Sobral/CE. É professor, educador, administrador escolar, orientador educacional, ministra seminários para casais e noivos, palestrante em acampamentos e retiros para jovens e adolescentes. É capelão hospitalar, orientador e ministrante de curso de Capelania Hospitalar. Tem percorrido todos os estados brasileiros e sua principais cidades, atendendo a convites, ministrando conferências evangelísticas, inserindo seu testemunho de vida, como ex-padre. Suas palestras são gratuitas.  

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