Adultolescencia - Parte I

Adultolescencia - Parte I

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:32

Nas paginas amarelas da Revista Veja, de 23 de janeiro deste ano, há uma entrevista com João Guilherme Estrella, protagonista do livro "Meu nome não é Johnny". Livro que virou filme. Comentando sua vida, Estrella, que era usuário e traficante de drogas diz que só começou a se preocupar com sua situação aos 28 anos. Então, o Jornalista pergunta: o que exatamente o atraía [nessa vida]? "... O principal deles, pela minha experiência, é que elas [as drogas] representam à extensão da adolescência".

Dias atrás recebi um e-mail interessante que tratava de um fenômeno existente já algum tempo em nosso meio, porém pouco percebido. O fenômeno é denominado Adultolescencia. Termo cunhado por Christian Smith, professor de sociologia de Notre Dame. Para Smith, a Adultolescencia é a postergação da adolescência, ou a adolescência estendida. O atraso da maturidade que tem avançado até aproximadamente a faixa dos 30 anos de idade. Acontece quando a pessoa é um adulto na idade, mas ainda adolescente na vivência e especialmente na ausência dos compromissos básicos da vivencia de um adulto. O relato acima exemplifica a adultolescencia.  

Agora, o que tem levado ao atraso da maturidade? Segundo Smith, há pelo menos quatro fatores. O primeiro é a crescente busca de educação e consequentemente um maior tempo da vida sendo gasto nos estudos, o que dificulta o engajamento em outros compromissos. O segundo, o atraso nos casamentos, produto das ultimas décadas. Na América do norte, a título de exemplo, entre 1950 e 2000 a média de idade dos casamentos para mulher subiu de 20 para 25 anos. Para o homem durante o mesmo tempo subiu de 22 para 27. O mais agudo aumento de ambos se deu depois de 1970.  Meio século atrás o sonho era: fazer segundo grau, casar, estabelecer-se, ter filhos e iniciar a carreira á longo prazo.

O terceiro fator, que retarda a maturidade, é a transformação na economia global e a instabilidade na carreira profissional. A maioria dos jovens sabe que necessitam de uma gama quase infinita de ferramentas para serem colocados no mercado de trabalho. E ainda assim, não tem a certeza de que permanecerão nele. E por último e como decorrência destes, o financiamento feito pelos pais aos filhos já adultos ou adultolescentes.

Para o teólogo John Piper, esse quadro da adultolescencia, que se dá na faixa entre 18 e 30 anos, produz pelo menos: a exploração da identidade, instabilidade, ensimesmamento, prisão no indefinido e também senso de possibilidades, oportunidades e esperança sem igual.

Heliel Carvalho é pastor e professor de teologia em Goiás.

Siga-nos

Mais do Guiame