10 respostas sobre métodos contraceptivos de longa ação

A MSD procurou a ginecologista Cristina Guazzelli, professora da Escola Paulista de Medicina na UNIFESP, para esclarecer as dúvidas sobre os métodos com ação mais longa.

fonte: Guiame

Atualizado: Quinta-feira, 18 Agosto de 2016 as 8:55

Os inúmeros meios de evitar a gravidez podem facilitar a escolha de acordo com o organismo. (Foto: Shutterstock)
Os inúmeros meios de evitar a gravidez podem facilitar a escolha de acordo com o organismo. (Foto: Shutterstock)

Quando se pensa em métodos contraceptivos, a pílula é sempre a primeira opção lembrada. O que muitas mulheres não sabem é que os inúmeros meios de evitar a gravidez podem facilitar a escolha de acordo com a adaptação de cada organismo.

Para indicar um método anticoncepcional, seja ele de curta ou longa ação, o médico deve avaliar o perfil de cada paciente, entender as suas expectativas e mostrar as vantagens e desvantagens de cada opção.

Conhecidos como LARCs (Contracepção Reversível de Longa Duração, em português), esses métodos oferecem contracepção por muito mais tempo sem exigir compromisso periódico e permitem o retorno da fertilidade depois da sua retirada, geralmente após a próxima menstruação. Existem três opções disponíveis: o implante subcutâneo, o dispositivo intrauterino (DIU) com cobre e o sistema intrauterino (SIU) liberador de levonorgestrel – um DIU com hormônio.

Para entender melhor os benefícios, veja os esclarecimentos da ginecologista Cristina Guazzelli, professora da Escola Paulista de Medicina na UNIFESP:

1. Como são esses contraceptivos?

Implante subcutâneo: é um bastonete de 4 cm de comprimento, produzido por um material plástico especial – chamado EVA (etileno vinil acetato) – flexível e estéril. Contém em sua composição um hormônio sintético, chamado etonogestrel que já é muito utilizado  nas pílulas anticoncepcionais.

Dispositivo intrauterino (DIU): é um contraceptivo que é colocado dentro do útero. No Brasil temos o DIU com cobre e o SIU, um DIU com hormônio (progesterona).

2. Onde são colocados?

O implante é inserido no braço não dominante, embaixo da pele. Tanto o DIU de cobre quanto o DIU com hormônio são colocados dentro do útero, na cavidade intrauterina.

O procedimento para qualquer um dos métodos é simples, rápido e costuma ser realizado no consultório médico.

3. Como funcionam?

Implante subcutâneo: A progesterona, hormônio contido no implante, é liberada gradualmente no organismo, com a função de inibir a ovulação, garantindo a contracepção e impedindo a gravidez.

Dispositivo intrauterino (DIU): transformam o útero em um ambiente hostil aos espermatozoides, evitando a chegada dos mesmos até as trompas.

O DIU com cobre (que é um metal) pode ser utilizado por até 10 anos. O cobre tem ação espermaticida, isto é destrói os espermatozoides, impedindo sua penetração no útero.  

Já o DIU com hormônio libera a progesterona no útero gradualmente, por cinco anos. Esse hormônio altera a secreção do colo uterino impedindo e dificultando a penetração dos espermatozoides.

4. Quanto tempo duram?

O implante contraceptivo tem ação por três anos, o dispositivo intrauterino com cobre dez anos e o sistema intrauterino (SIU) liberador de hormônio (levonorgestrel) age por até cinco anos.

O uso de qualquer um deles é reversível, ou seja, pode ser interrompido se houver o desejo pela maternidade em qualquer momento. Quando retirados, ocorre o retorno da fertilidade pré-existente imediatamente ou logo após não importando por quanto tempo a pessoa utilizou o método.

5. Servem apenas para contracepção?

A função de todos eles é garantir a contracepção e impedir a gravidez, mas podem ter outros benefícios, como melhorar a cólica menstrual, diminuir o sangramento, melhorar tensão pré-menstrual.


Para indicar um método anticoncepcional, o médico deve avaliar o perfil de cada paciente. (Foto: Reprodução)

6. Por que são mais eficazes que os demais métodos?

Porque não exigem uma ação diária ou regular da usuária, não necessitam da lembrança de uso, o que torna a adesão ao método muito melhor.

7. São 100% eficazes?

Nenhum método contraceptivo é 100% eficaz, mas as taxas de falha dos LARCs são realmente baixas, quando analisamos a eficácia dos métodos. A eficácia teórica destes métodos é muito parecida com a eficácia da vida real (uso típico):

DIU com cobre: uma gravidez em cada 125 mulheres que utilizaram o método durante um ano.

DIU com hormônio: uma gravidez em cada 500 mulheres que utilizaram o método durante um ano.

Implante subcutâneo: uma gravidez em cada 2.000 mulheres que utilizaram o método durante um ano.

Quando comparamos com os métodos mais conhecidos e utilizados, podemos entender melhor a diferença: a taxa de falha média no uso típico da camisinha é de 18 a 21 gravidezes por um ano em cada 100 mulheres e da pílula hormonal 9 gravidezes em cada 100 mulheres que usaram o método5.

8. Quem pode usar esse tipo de contracepção?

A princípio, todas as mulheres.que desejam utilizá-los. Há poucas situações em que os LARCs são contraindicados, por isso há necessidade de avaliação médica.

A escolha do melhor método para cada mulher deve ser feita sob orientação médica, após informação sobre todos anticoncepcionais, discussão sobre seus benefícios, riscos com avaliação das suas necessidades e preferências.

Por não terem estrogênio, geralmente, os LARCs podem ser usados por mulheres que estão amamentando ou por aquelas que tem contraindicação para o uso do estrogênio

9. Eles modificam a menstruação?

Os métodos que contem hormônio (o implante e o DIU com levonorgestrel) podem causar alteração no sangramento, produzindo inicialmente um sangramento irregular com uma tendência a diminuição. Após 4-6 meses, algumas mulheres podem apresentar redução ou ficar sem sangrar, outras podem permanecer menstruando normalmente, e em alguns poucos casos, ter pequenos sangramentos prolongados (mancha na calcinha). No entanto, isso não afeta a eficácia do método ou gera qualquer risco para a saúde.

10. Há problemas para engravidar, após a remoção?

Não. A recuperação da fertilidade pré-existente ocorre em seguida à retirada de qualquer um dos métodos, permitindo que a mulher engravide após a próxima menstruação caso não haja fatores clínicos precedentes que dificultem a concepção3.

É importante lembrar que a camisinha (masculina ou feminina) é o único método que previne as doenças sexualmente transmissíveis.

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