Comer com culpa engorda? Especialistas dizem que sim

A master coach Cema Santos e a nutricionista Andrezza Botelho falam sobre como os comandos do cérebro podem interferir no equilíbrio alimentar.

fonte: Guiame

Atualizado: Quarta-feira, 17 Agosto de 2016 as 10:36

(Foto: Reprodução)
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Além dos fatores genéticos e alimentares, a quantidade de gordura absorvida pelo organismo depende da forma como o cérebro registra essa carga. Isso significa que o sentimento de culpa pode contribuir para o aumento de peso? De acordo com especialistas, sim.

Um estudo realizado pela Universidade de Cantebury, na Nova Zelândia, constatou que dentre os 300 voluntários entre 18 e 86 anos, os que sentiam culpa ao comer apresentaram uma atitude mais descontrolada perante o alimento e acabaram ingerindo mais quantidades do que aqueles que celebravam a comida.

Sentir culpa pode estimular comportamentos maléficos para o corpo, como o hábito de ficar em jejum. “[Isso é] errado. Quando o corpo passa por um período muito longo sem comer entende que precisa reter o máximo do potencial energético do alimento”, diz Cema Santos, master coach na Time Line Therapy, que trata pacientes que convivem com a culpa no ato de comer.

Ficar em jejum pela manhã ativa o cortisol, hormônio do stress.  “A concentração crônica desse hormônio no sangue leva ao estresse constante e ao aumento da irritabilidade, o que também pode desencadear uma relação menos equilibrada com a comida”, diz a nutricionista Andrezza Botelho, defensora da ingestão de alimentos funcionais e de uma dieta balanceada. Além disso, a alta quantidade do hormônio por períodos estendidos leva à destruição do tecido muscular (menos músculo = mais gordura).

Ter uma relação pouco saudável com a comida também pode fazer com que a pessoa só se interesse por alimentos gordurosos e pouco nutritivos. “O inconsciente, neste caso, atua como um autossabotador. É como numa relação não saudável entre homem e mulher em que um deles é agressivo, mas o outro aceita por falta de autoestima. No caso do alimento, a pessoa não gosta do corpo que tem, mas por acreditar que não tem jeito, compensa com o prazer da comida sobre a qual tem ciência que engorda e pode até fazer mal”, comenta Santos.

A dependência de remédios para emagrecer também pode ter origem emocional. Além da culpa, pode remeter a períodos de felicidade. A pessoa tem o registro cerebral da facilidade que o remédio inibidor de apetite, por exemplo, proporcionou no quesito “não ter tanta fome” e acredita que só emagrecerá se tomá-lo, sem questionar de onde vem sua fome desmedida ou o porquê de ter vontade de açúcar em determinado momento.

Optar por shakes ao sentir culpa por estar acima do peso e querer um resultado rápido pode ser um erro grave. O organismo precisa do ato de mastigar para ativar a sensação de saciedade no cérebro. O resultado pode vir, mas não será mantido.

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