Corrimento: perigos da secreção vaginal que você deve conhecer

Para redobrar a atenção, entenda a relação entre os tipos de corrimento e as infecções que estão por trás delas.

fonte: Guiame

Atualizado: Sexta-feira, 24 Junho de 2016 as 8:57

A secreção é a causa de um dos grandes incômodos relacionados à saúde íntima da mulher. (Foto: Reprodução)
A secreção é a causa de um dos grandes incômodos relacionados à saúde íntima da mulher. (Foto: Reprodução)

O corrimento nem sempre é sinal de que a saúde íntima da mulher está comprometida — pode se tratar apenas de secreções naturais produzidas pelo organismo. Por outro lado, o conteúdo vaginal pode indicar a presença de infecções causadas por microorganismos.

O desenvolvimento desses microorganismos podem resultar nas infecções do útero e das trompas e, em casos extremos, causar esterilidade. Na gravidez, pode haver aumento no risco de abortamento, parto prematuro e infecção após o parto.

Para redobrar a atenção, entenda a relação entre os tipos de corrimento e as infecções que estão por trás delas:

Candidíase

A candidíase é causada pelos fungo Candida albicans, na maioria das  vezes.  Esse fungo pode existir na vagina em situações normais, sem causar problemas, porque fica em equilíbrio com a flora vaginal.  Entretanto, quando há uma queda nas defesas imunes locais, o fungo prolifera e causa a doença candidíase.

A candidíase provoca um corrimento espesso, esbranquiçado, as vezes com aspecto de "leite talhado" e sem odor. O corrimento causa irritação na vulva, a parte externa da vagina, o que provoca coceira nos genitais.  Além disso, é possível aparecerem escoriações (pequenas rachaduras) na pele da região íntima, que podem evoluir para úlceras. Dessa forma, é necessário estar atenta aos sintomas de coceira, corrimento e alterações na pele dos genitais.

A infecção acomete mulheres de todas as idades, porém existem alguns fatores de risco que contribuem para a ocorrência, são eles: gravidez, diabetes, presença de outras infecções, ingestão de antibióticos, uso de medicamentos imunossupressores ou doenças que causam imunossupressão, uso frequente de roupas apertadas ou molhadas e o excesso de duchas vaginais.

"Em algumas mulheres a candidíase se torna recorrente, ou seja, os sintomas acontecem quatro ou mais vezes no período de um ano. Isso geralmente  por um desequilíbrio  no sistema imune na vagina, o  que permite que os fungos que aí existem se multipliquem e causem a infecção. Um dos grandes responsáveis pela alteração no sistema imune é o estresse, infelizmente tão comum no dia a dia da mulher”, explica a Dra. Iara Moreno de Linhares, livre-docente no departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e chefe do ambulatório de Imunologia e Infecções do Trato Reprodutivo do Hospital das Clínicas.

Vaginite por tricomonas

Principal causa do corrimento, a vaginite por tricomonas (ou tricomoníase), é causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, que é transmitido principalmente através das relações sexuais desprotegidas. A tricomoníase é  considerada uma das principais DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) curáveis do mundo.

A contaminação gera uma inflamação da vagina e tem como principal sintoma o corrimento amarelo-esverdeado, geralmente abundante, que causa sensação de ardor ou queimação nos genitais, incomodando bastante.  Além disso, pode haver  desconforto ou mesmo dor   para urinar e durante as relações sexuais.  A inflamção intensa na vagina pode causar pequenas ulceras, facilitando a infecção pelo HIV e por outras doenças sexualmente transmissíveis.

Vaginose bacteriana

Causada pela diminuição dos Lactobacilos que existem na vagina (e que tem ação protetora), e pelo aumento de algumas bactérias que normalmente existem na vagina, mas em baixas concentrações (Gardnerella vaginalis e outras). O principal sintoma da vaginose bacteriana, além do corrimento de cor branco-acinzentado, é o odor desagradável, que lembra odor de peixe.

"Durante as relações sexuais o cheiro desagradável fica mais evidente, prejudicando bastante a vida sexual do casal. Isso ocorre porque o sêmen tem pH alcalino e faz com que o odor se libere com mais facilidade. Ocorre o mesmo com o sangue menstrual", diz a especialista.

Características da secreção vaginal normal

De acordo com a Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP), a secreção vaginal considerada normal é constituída pelas mesmas substâncias do soro sanguíneo e, por isso, é translúcida e não apresenta impurezas ou odor. Além da secreção normal, uma vagina saudável tem o pH ácido, com o grau de acidez em torno de 4,5.

Tratamento

Existe uma vasta opção de tratamentos disponíveis para pacientes que foram diagnosticadas com infecções. Um desses métodos é caracterizado pelo uso de óvulos vaginais, como acontece com o Gynotran® (metronidazol e nitrato de miconazol), da Bayer. Consulte seu médico para o diagnóstico correto e a prescrição do tratamento adequado.

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