Conheça os encantos de Recife e Olinda, as cidades irmãs

Conheça os encantos de Recife e Olinda, as cidades irmãs

Atualizado: Quarta-feira, 1 Setembro de 2010 as 11:06

Cidades irmãs separadas por apenas sete quilômetros, Recife e Olinda nasceram no período colonial e preservam com orgulho as heranças deixadas pelos portugueses e holandeses - dois povos que disputaram a ferro e fogo, literalmente, os estratégicos pedaços de terra à beira-mar. Dos patrícios restaram os encantos de Olinda, com suas ladeiras tomadas por igrejas, ateliês e restaurantes. Já Maurício de Nassau e sua tropa imprimiram como legado o bairro do Recife Antigo, hoje restaurado, colorido e movimentado.

Tombada como Patrimônio Cultural Mundial, Olinda faz do charme seu cartão de visitas. Com belas construções, mirantes e galerias de arte, surpreende os visitantes também de maneiras singelas - pôr do sol digno de salva de palmas, missas cantadas por monges e freiras, desfiles de blocos de maracatu em plena tarde de domingo... O ritmo, aliás, juntamente com o frevo, predomina no Carnaval da cidade, um dos mais concorridos do país, caracterizado pelos bonecos gigantes. O bucolismo estende-se ainda pelas pousadas, bares e restaurantes que tomam conta da rua do Amparo, o pólo cultural de Olinda.

Já na capital pernambucana, o visual das ladeiras é substituído por uma paisagem cortada por rios, canais e dezenas de pontes ligando um bairro ao outro. Em cada ponto, atrativos que remetem às características marcantes das principais capitais nordestinas. Recife tem praia urbana perfeita para banhos assim como João Pessoa e Maceió; efervescência cultural semelhante à de Salvador e Fortaleza; e conjuntos arquitetônicos tão imponentes quanto os de São Luis do Maranhão. De Boa Viagem - bairro que dá nome à democrática praia - ao Recife Antigo, que tem a rua do Bom Jesus como referência, há muito o que ver e fazer. São igrejas, casarios coloniais e museus que guardam a rica história do estado. A metrópole reserva ainda uma infinidade de restaurantes especializados em frutos do mar e uma vida noturna animada, embalada pelos ritmos pernambucanos.

Nos arredores das cidades, a beleza natural é a marca registrada. Para o Norte ou para o Sul, em um raio de cem quilômetros, destinos como Cabo de Santo Agostinho, Porto de Galinhas e Maria Farinha convidam a passeios que podem ser feitos em um dia. No roteiro, praias para todos os gostos e estilos.

O que ver e fazer

Um pouquinho de cada região do Nordeste se faz presente no Recife, em Olinda e nos arredores. No quesito praias, o burburinho de Boa Viagem reúne moradores e turistas. Quem busca sossego pode seguir para o Norte e curtir as águas mansas de Maria Farinha e Itamaracá. Ou para o Sul e desbravar os encantos de Cabo de Santo Agostinho e Porto de Galinhas.

Para percorrer os caminhos da história, basta andar a pé pelas ladeiras de Olinda – Patrimônio Cultural Mundial - ou pelos bairros do Recife Antigo, Santo Antônio, São José e Boa Vista. Igrejas e conjuntos arquitetônicos remetem ao período em que portugueses e holandeses disputaram o estratégico território. Entre um roteiro e outro, aproveite para apreciar o espetacular pôr-do-sol e se encantar com a criatividade do povo pernambucano.

Praia de Boa Viagem

Ponto de encontro de várias tribos - crianças, jovens e idosos de todas as classes sociais -, a praia de Boa Viagem tem espaço para todo mundo. São sete quilômetros de areias claras, coqueiros e um mar de águas verdes pontuado por piscinas naturais. No extenso calçadão, há quiosques padronizados, pista de Cooper, chuveiros, quadras de vôlei e equipamentos para musculação. Um dos pontos mais concorridos da praia é o trecho entre as ruas Félix de Brito e Melo e Antônio Falcão, em frente ao Edifício Acaiaca.  Repleta de ambulantes, encontra-se de tudo em Boa Viagem - de abacaxi fresquinho a caldinho de sururu e de feijão, além de repentistas e emboladores. Devido à presença de tubarões nesta praia, os mergulhos são permitidos apenas nas áreas protegida por recifes naturais. O surf está proibido.

Mercado do Varadouro

As lojas não abrem aos domingos, dia em que a fachada do mercado serve de moldura para apresentações folclóricas.

Andar a pé pelo centro histórico de Olinda

Bater perna pelas ladeiras de Olinda é a melhor maneira de observar o belo casario, as igrejas, as paisagens e ainda curtir o clima da cidade. Comece pela Praça do Carmo e siga em direção à rua do Amparo, repleta de museus, ateliês, restaurantes e a Casa dos Bonecos Gigantes, onde ficam guardados os bonecos que desfilam durante o Carnaval. Caso seja um domingo, continue até o Largo do Varadouro para circular na feira de artesanato e, de quebra, acompanhar algum desfile de maracatu no final da tarde.

Casa de Cultura de Pernambuco

Além das lojas de artesanato, o espaço tem como atrações as apresentações de grupos folclóricos, musicais e de dança.

Convento de São Francisco

A riqueza da decoração em azulejos portugueses azuis, amarelos e vermelhos impressionam no conjunto do Convento de São Francisco (século XVI), que compreende ainda a igreja de Nossa Senhora das Neves e as capelas de Sant´Ana e de São Roque. Também chamam a atenção as pinturas da Sagrada Família, do século XVIII.

Igreja e Mosteiro de São Bento

Considerada a igreja mais rica de Olinda, São Bento é totalmente barroca – paredes de cedro talhado e coberto com ouro, painéis no teto, colunas de arenito, púlpitos trabalhados, sacristia suntuosa... O maior tesouro é o altar, com 14 metros de altura e  folheado a ouro de um extremo ao outro. A obra perfeita já foi exposta no Museu Guggenheim de Nova York. Nas manhãs de domingo, os próprios monges abrem as pesadas portas de jacarandá e convidam os passantes para a missa cantada. Diariamente, no final da tarde, o pátio em frente à igreja vira ponto de encontro de moradores e turistas.

Oficina Cerâmica Francisco Brennand

Maior escultor vivo do Brasil, o pernambucano Francisco Brennand tem obras espalhadas por todo o Recife - a mais famosa é o obelisco no Marco Zero. Os trabalhos do artista podem ser apreciados de perto em seu ateliê de cerâmica, aberto para visitação. Instalado em uma área de 15 mil metros quadrados de um antigo engenho colonial, o espaço exibe centenas de esculturas com temas fantásticos expostos em galpões e em um imenso jardim com alamedas e lagos. Em 2004 o complexo ganhou mais um motivo para ser visitado: o Espaço Accademia, com desenhos e pinturas do próprio Francisco.

Pôr do sol no Alto da Sé (Olinda)

A vista privilegiada do Alto da Sé é perfeita para contemplar o pôr do sol. Aproveite para degustar um queijo coalho ou uma tapioca de massa fininha nas muitas barraquinhas montadas no pátio da Catedral, a igreja mais importante de Olinda, com altares folheados a ouro, azulejos portugueses e o túmulo de D. Hélder Câmara, ex-arcebispo da cidade.

Recife Antigo

A melhor maneira de desbravar o bairro é andando a pé pelas suas ruas de paralelepípedos e pedras portuguesas. Comece pela Rua do Bom Jesus, com casario peculiar holandês e galerias de arte. O tour deve incluir ainda o Observatório Cultural Torre Malakoff, que descortina uma das mais bonitas vistas da cidade; e o Teatro Apolo - inaugurado em 1846 e fechado durante mais de um século, é hoje um dos mais concorridos cinemas de Recife. Para terminar, aprecie o visual da cidade a partir do Marco Zero, à beira do rio Capibaribe.

Mercado da Ribeira

O espaço tem um pouco de tudo: de artesanato típico a antigüidades, passando por redes e utilitários.

Mercado de São José

O espaço oferece de tudo - de cerâmicas de Mestre Vitalino a bolsas de couro, passando por carne-de-sol e ervas.

Bairros de Santo Antônio, São José e Boa Vista

Repletos de igrejas e conjuntos arquitetônicos, os bairros guardam muito da história do Recife. Por lá estão a Rua da Aurora e seu casario colonial; a Praça da República, emoldurada por jardins e construções neoclássicas; e templos como a Capela Dourada, expressão máxima do barroco na capital, e a Catedral de São Pedro dos Clérigos, cercada por bares que ficam lotados nos finais de semana.

Forte Orange & Coroa do Avião

O município de Itamaracá, a cerca de 50 quilômetros ao Norte do Recife, tem dois atrativos que valem o passeio. O primeiro é o Forte Orange, erguido pelos holandeses em 1631, em taipa, e que foi reconstruído pelos portugueses em pedra em, 1654. Hoje, o espaço é ocupado por um museu onde estão guardados fragmentos arqueológicos encontrados em escavações e painéis com reproduções de mapas da época. De lá, avista-se a Coroa do Avião, uma aconchegante ilhota com boa infra-estrutura de barracas. Para chegar à Coroa, pegue um barco ou uma lancha na praia do Forte Orange.

Passear de catamarã pelo rio Capibaribe

O passeio é uma das maneiras mais baratas e inusitadas de conhecer parte da capital, totalmente cortada por canais. O city tour aquático dura pouco mais de uma hora, percorre as três ilhas do centro do Recife e permite que os passageiros vejam de ângulos diferentes alguns cartões-postais como o Marco Zero, o Parque das Esculturas de Francisco Brennand e o casario da Rua da Aurora. Ao longo da passeio, os guias contam a  história da capital de Pernambuco. O tour é diário e o embarque acontece no cais das Cinco Pontas, às 16h e às 20h.

Maria Farinha

A 35 quilômetros do Recife, a praia de Maria Farinha tem águas calmas, rasas e claras, perfeitas para a prática de esportes náuticos como windsurf, caiaque, mergulho e jet-ski. Situada entre o Rio Timbó e o mar, a praia de areias brancas e fofas se estende por quatro quilômetros, contornada por coqueirais e muito mangue. Na maré baixa, passeios de barco levam às caravelas - pequenos bancos de areia e cascalho que formam piscinas naturais repleta de peixes coloridos. Outra atração é o Veneza Water Park, com toboáguas e piscinas que fazem a alegria da criançada. Convém confirmar os dias de funcionamento pelo telefone (81) 3436-6363.

As Praias

O sol nasce bem cedo no Recife, incentivando a sair da cama sem preguiça e curtir as praias. A dica é imprescindível para quem for aproveitar as piscinas naturais de Boa Viagem - por volta das duas e meia da tarde a sombra dos prédios chega à areia e encerra o programa. E por falar em Boa Viagem, a praia urbana mais badalada da capital pernambucana reúne moradores e turistas que chegam em busca de banhos de mar, caminhadas no calçadão e petiscos nos quiosques.

As praias de Olinda são urbanizadas, mas não são indicadas para banhos. Aproveite para seguir para Maria Farinha, ao Norte, indicada para a prática de esportes náuticos. Na mesma direção fica Itamaracá e a ilhota de Coroa do Avião, acessível por barco ou jangada. Cinqüenta quilômetros ao Sul do Recife, o município de Cabo de Santo Agostinho reúne algumas das praias mais bonitas do estado.

Esportes e Ecoturismo

Conhecido como "Capital Brasileira dos Naufrágios", o Recife faz sucesso entre os mergulhadores. São mais de cem embarcações afundadas na região, sendo as mais procuradas as que se concentram entre Cabo de Santo Agostinho e Itamaracá. Neste trecho, há 23 pontos para a prática do esporte, com profundidades que variam entre cinco e 60 metros. A rica e colorida vida marinha, repleta de peixes, moluscos e crustáceos, atrai mergulhadores do Brasil e de diversos países. A melhor época para apreciar as belezas escondidas no fundo do mar é na primavera, quando as águas estão bem calmas e claras.

O surf, que era praticado na praia de Boa Viagem, está proibido em função dos freqüentes ataques de tubarões.

Tempo e Quando ir

Faz sol o ano todo no Recife e em Olinda, entretanto, evite os meses de maio a julho quando chove bastante. No verão, todas as atrações funcionam a pleno vapor, mas os preços de passeios, hospedagens e alimentação ficam mais altos. Para quem quer agitar, as melhores épocas são o Carnaval e as festas juninas.

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