Estava meditando em Romanos 12 quando o apóstolo Paulo nos exorta: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Romanos 12:1 – grifei).
A expressão “sacrifício vivo” me chamou a atenção. Pensando sobre ela, à primeira vista, me pareceu até contraditória. Como pode um sacrifício – algo que associamos à morte – ser vivo?
Meu pensamento imediatamente se fixa na imagem do altar, do sangue derramado, da vida que se encerra. No entanto, o Espírito Santo me despertou para uma compreensão mais profunda e transformadora.
No Antigo Testamento, o sacrifício era, de fato, apresentado morto. Animais eram colocados sobre o altar como substitutos, apontando profeticamente para algo maior. A morte fazia parte do rito porque o salário do pecado sempre foi a morte (Romanos 6:23).
Já no Novo Testamento, após a obra perfeita de Cristo, o altar muda de lugar. Não é mais um animal que se oferece, mas nós mesmos – e não mortos fisicamente, mas vivos espiritualmente. A cruz de Jesus encerra o sistema antigo, e Sua vida ressurreta inaugura uma nova forma de entrega.
O que parece incoerente é, na verdade, uma grande revelação espiritual!
Um sacrifício vivo significa que estamos mortos para o pecado, mas vivos para Deus.
Paulo explica isso com clareza: “Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus” (Romanos 6:11). Não se trata de perfeição sem falhas, mas de uma nova posição espiritual. Morremos para o domínio do pecado, para a velha natureza, e passamos a viver sob o governo da graça.
O tema central de Romanos é o Evangelho de Deus – mais especificamente, a justiça que vem de Deus. Essa justiça possui duas dimensões inseparáveis:
- primeiro, a justiça que o próprio Deus é e manifesta em todas as Suas ações;
- segundo, a justiça que Ele concede gratuitamente ao pecador pela graça, mediante a fé.
Como está escrito: “Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, de fé em fé” (Romanos 1:17).
É essa justiça que nos capacita a viver como sacrifício vivo. Não é esforço humano, é fruto da graça recebida e do amor do Pai.
No artigo anterior, refletimos sobre o Sol da Justiça, que nunca deixa de brilhar, mesmo quando atravessamos invernos espirituais. Se você ainda não leu, vale a pena retornar àquela reflexão, pois o que Paulo ensina aqui só é possível à luz desse Sol que nunca se apaga.
Talvez você pense: “Eu jamais serei esse tipo de sacrifício, porque falho demais, caio demais, sou fraco demais.”
Mas Paulo não diz: “sejam perfeitos”, e sim: “apresentem-se”.
O sacrifício vivo é diário, consciente e dependente da graça. Que graça é essa? É Jesus: “Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la” (Filipenses 1:6). Apenas continue. Creia. E viva cada promessa.
O Pai ama você!
Darci Lourenção (@pra_darci_lourencao) é psicóloga, pastora, coach, escritora e conferencista. Foi Deã e Professora de Aconselhamento Cristão. Autora dos livros “Na intimidade há cura”, “A equação do amor”, “Viva sem compulsão” e “Devocional Minha Família no Altar”.
* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.
Leia o artigo anterior: O Sol da Justiça nunca deixa de brilhar
