O homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más. (Mateus 12:35)
As palavras do perverso matam, mas o discurso do justo salva (Provérbios 12:6)
Não estou falando contra a intelectualidade, contra o conhecimento, contra a erudição. Longe disso. Jamais faria isso. Fomos dotados de inteligência pelo Criador e usar todas as nossas capacidades para a glória Dele e para o bem do próximo faz parte de Seu projeto. O que não faz parte de Seu projeto é usar a mente para guerrear contra Ele.
Os últimos séculos da história Ocidental viram surgir grandes mentes com grandes capacidades. O problema é que essas grandes mentes estavam destituídas de um elemento essencial: o temor do Senhor. E o temor do Senhor é o princípio do entendimento e da sabedoria. (Provérbios 1:7; Jó 28.28)
Vivemos em um mundo que idolatra os intelectuais como os fenícios idolatravam a Baal e os seguem cegamente como infalíveis oráculos divinos. Eles não são capazes de cogitar que esses intelectuais, apesar das aparências, podem ser cegos guiando cegos para um abismo do qual não há volta.
A quantidade de conhecimento e ideias que eles são capazes de armazenar e aplicar é verdadeiramente espantosa. Sua compreensão de muitos aspectos da vida atinge dimensões inimagináveis. São verdadeiros gênios. Mas gênios do mal.
Por trás do comunismo, do fascismo, do nazismo só para citar alguns exemplos, estavam mentes prodigiosas como as de Karl Marx e de Friederich Nietzsche. E esses são apenas dois dos exemplos mais conhecidos, cujas pilhas de cadáveres testificam quão mortal foram seus pensamentos.
Práticas que outrora foram desvios de conduta, desde o assassinato de crianças no ventre até expressões sexuais das mais bizarras, passando pela zoofilia e até o canibalismo, são sustentadas por teóricos eruditos que dominam as cátedras e, partir delas, as mentes em toda a sociedade. Há até mesmo intelectuais famosos, que dominam a academia há décadas, cujas práticas pedófilas são muito bem conhecidas.
Como escreveu A. W. Tozer, o grande profeta do século XX:
Um cérebro superior sem a salvadora essência da piedade pode virar-se contra a raça humana e embeber em sangue o mundo ou, pior ainda, pode soltar na terra ideias que continuarão a amaldiçoar a humanidade durante séculos depois de ele ter voltado ao pó. [1]
As universidades se tornaram usinas de ideologias absurdas, onde a realidade é desafiada a todo instante. Do marxismo ao wokismo, dos livros didáticos às HQs, de ideias subjetivas até a criação de leis, tudo tem passado pela mente dos intelectuais, que vendem suas concepções no mercado das ideias e recebem muito por isso.
Utilizando-se de conceitos como “raça, classe e gênero”, os intelectuais têm produzido divisões, criminalizações, acusações e ódios ao mesmo tempo que dizem combatê-los. Estão reformulando não apenas os conceitos de famílias, mas da própria essência humana.
Os intelectuais começaram com a negação de Deus. Ou ele estava morto, ou era uma projeção da mente humana ou era uma mera ilusão. E isso não era uma mudança pequena na cultura. Era uma metamorfose plena. “Se Deus não existe, tudo é permitido”. A moral foi por terra. Mas não parou por aí, pois “se Deus não existe, tudo muda”. O que seria projeto divino, vira construção social – família, feminilidade, masculinidade, a própria humanidade. Se alguém se acha um cachorro, então é um cachorro e assim deve ser tratado. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos (Romanos 1.22)
“O homem criado à imagem divina, protagonista de um grande drama no qual sua alma estava em risco, foi substituído pelo homem animal, caçador e consumidor de riquezas” [2]
E pela mão dos intelectuais, a morte de Deus tornou-se a morte do próprio homem. Chamaram ao Deus vivo de mito, para que pudessem construir, adorar e perecer em seus próprios mitos.
[1] TOZER, A. W. A conquista divina. Curitiba: Aliança Cristã e Missionária, 1987, p. 69
[2] WEAVER, Richard M. As ideias têm consequências. São Paulo: É Realizações, 2016, p. 18
Eguinaldo Hélio de Souza (@eguinaldohelio) é pastor, professor de diversas matérias teológicas, jornalista, apologista, autor de mais de 15 livros. Casado com Lídia Hamon de Souza, pai de Charles e Rebecca e avô da Catarina.
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