O Brasil judaico: Raízes, cultura e afeto

Luiz Sayão destaca as raízes judaicas do Brasil e os laços históricos, culturais e afetivos que aproximam brasileiros e israelenses.

Fonte: Guiame, Silas AnastácioAtualizado: terça-feira, 18 de agosto de 2026 às 16:52
Luiz Sayão em Israel. (Foto: Arquivo pessoal)
Luiz Sayão em Israel. (Foto: Arquivo pessoal)

Nesta semana, abro este espaço para compartilhar com vocês uma reflexão especial de Luiz Sayão, teólogo, pastor, escritor e profundo conhecedor de Israel e do contexto bíblico.

Em seu texto, Sayão nos convida a olhar para uma conexão que atravessa séculos e se manifesta na história, na cultura e no afeto: a relação singular entre o Brasil, o povo judeu e Israel.

Acompanhe:

Em minhas primeiras viagens a Israel me surpreendi. Muitos judeus de Israel com sorriso me diziam: eu amo o Brasil.

Eles sonham conhecer nosso país. Alguns aprendem português. Amam bossa nova e torcem pelo Brasil. Nunca vi isso em outro lugar.

A recíproca é verdadeira. Não há lugar no mundo onde se ame tanto Israel como no Brasil. Minha descoberta é: o Brasil é muito judaico. Nosso país nasce com Cabral, vindo da cidade mais judaica de Portugal, acompanhado de Gaspar da Gama, judeu poliglota polonês, que tentou conversar com os indígenas.

Fernando de Noronha e Bento Teixeira marcam a presença judaica histórica em nossas terras tropicais.

A primeira sinagoga das Américas foi fundada em Recife. De lá saíram alguns judeus que fundaram Nova York. Milhares de judeus fugindo da inquisição acharam refúgio no Brasil. Milhões de brasileiros são descendentes dos judeus sefaraditas que aqui se enraizaram.

Muito da nossa cultura tem tempero judaico.

Milhares de asquenazitas imigraram para o Brasil a partir de 1872 formando uma das maiores comunidades do mundo. Sílvio Santos, Clarice Lispector, Stefan Zweig, Adolpho Bloch, Joseph Safra, Marcelo Gleiser, Leon Feffer, Jacó do Bandolim e Lasar Segall são alguns nomes que marcam a bênção judaica na construção do Brasil.

Esse amor é recíproco. O brasileiro é povo mestiço, mescla de etnias e culturas. Essa gente simples e cheia de fé se identifica com a saga de sofrimento judaico. As histórias bíblicas da libertação do Egito e da prevalência de um povo pequeno diante de impérios batem fundo no coração da dona Maria e do seu João.

Gente da elite, herdeira do antissemitismo estrangeiro, repudia de modo ciumento esse amor espontâneo. Mas a face cristã popular do Brasil sempre vai amar Israel. Está no sangue e no coração. Ninguém pode impedir essa conexão.

A gente brasileira continuará sonhando em conhecer Israel, a Terra Santa, a Terra Prometida. Os israelenses continuarão amando o lindo Brasil e o sabor único da terra brasileira que come falafel com macaxeira.

Em dias de terror indesculpável e antissemitismo condenável Brasil e Israel celebram um amor incomparável, sob a luz de Oswaldo Aranha, nossa herança memorável.

 

Silas Anastácio (@silasas15) é uma figura de destaque no fomento das relações entre o Brasil e Israel. Autor, articulador, palestrante e estrategista institucional, trabalha para fortalecer o diálogo entre líderes, defender a liberdade religiosa e combater o antissemitismo. Suas iniciativas interligam as esferas cultural, diplomática e social, reforçando a cooperação entre comunidades e instituições.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Congresso de Arqueologia Bíblica reúne especialistas internacionais em São Paulo

 

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