Passageiros contam que oraram durante tentativa de derrubada de avião para Israel

Após tentativa de derrubar o avião com destino a Israel se impedida, passageiros agradeceram a Deus e atribuíram a sobrevivência a um “milagre”.

Fonte: Guiame, com informações do Times of Israel e Israel National NewsAtualizado: quinta-feira, 1 de outubro de 2026 às 13:40
Tzvika Manes; o rabino-chefe de Israel, Kalman Ber; e Assaf Rajuan. (Capturas de tela: Channel 12; Israel National News; X)
Tzvika Manes; o rabino-chefe de Israel, Kalman Ber; e Assaf Rajuan. (Capturas de tela: Channel 12; Israel National News; X)

Momentos de terror a bordo de um voo da flydubai com destino a Israel foram marcados por orações e pedidos de socorro enquanto a aeronave perdia altitude.

Após uma tentativa de derrubar o avião ser impedida, passageiros agradeceram a Deus e atribuíram a sobrevivência a um “milagre”.

Após os momentos de tensão vividos a bordo, os passageiros celebraram com emoção o retorno a Israel.

Durante o voo que os levou de volta ao país, eles cantaram juntos “Hashem Yitbarach tamid ohev oti”, expressão em hebraico que significa “Deus sempre me ama”, transformando a viagem de retorno em um momento de gratidão e celebração pela sobrevivência.

O voo FZ1073 seguia de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para Tel Aviv, na quarta-feira (30), quando o copiloto esfaqueou o comandante, Smit Machchhar, e tentou derrubar o avião, segundo autoridades israelenses.

Passageiros e membros da tripulação conseguiram entrar na cabine, dominar o agressor e permitir que pilotos da companhia que viajavam a bordo assumissem o controle da aeronave.

O Boeing fez um pouso de emergência em Tabuk, na Arábia Saudita.

Mais de dez horas depois, os passageiros chegaram em segurança ao Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Israel.

Ao desembarcarem, passageiros emocionados testemunharam que acreditavam ter vivido um milagre.

‘Agradecemos a Deus por termos sobrevivido’

Lital Shahar estava no avião acompanhada de suas quatro filhas. Sentada perto da cabine, na fileira 10, ela ouviu os gritos e soube que havia ocorrido um esfaqueamento.

Depois de chegar a Israel, ela resumiu sua sobrevivência em uma palavra: “milagre”.

“Só posso dizer que foi um milagre”, declarou Lital à Reuters.

Ela contou que a situação foi terrível e afirmou: “Foi horrível, uma loucura, e agradecemos a Deus por termos sobrevivido. Não achávamos que conseguiríamos, mas graças a Deus estamos em Israel. Estamos de volta para casa. E estamos felizes em ver todos aqui”

Em entrevista ao Times of Israel, ela afirmou que enxergou “dois milagres” no episódio: a presença de israelenses que entraram na cabine para enfrentar o agressor e o fato de haver pilotos fora de serviço a bordo capazes de conduzir o avião até o pouso na Arábia Saudita.

“Foi assustador demais. [...] Não há palavras para descrever o que vivemos”, afirmou.

‘Nós oramos: Shema Yisrael’

Enquanto a aeronave perdia altitude e o pânico se espalhava pela cabine, outros passageiros recorreram à oração.

Uma passageira contou ao Channel 12 que ouviu gritos e, quando a porta da cabine foi aberta, viu sangue e soube que o comandante havia sido esfaqueado.

Capitão Smit Machchhar, comandante do voo da flydubai atacado pelo copiloto durante viagem de Dubai a Tel Aviv, em 30 de setembro de 2026. (Foto: Danny Danon/X)

Diante da possibilidade de morrer, ela e outros passageiros começaram a recitar o Shema Yisrael, uma das orações centrais do judaísmo.

“Nós oramos: ‘Shema Yisrael’”, contou. “Houve momentos em que pensamos que não sairíamos vivos.”

O Shema começa com as palavras de Deuteronômio 6.4: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor”. A oração ocupa lugar central na tradição judaica e também é recitada por judeus diante da morte.

Passageiros enfrentaram agressor

Segundo relatos reunidos pelo Times of Israel, três passageiros israelenses – Yaniv Hayun, Assaf Rajuan e Tzvika Manes – participaram diretamente da luta para dominar o agressor. Hayun chegou a segurar os controles para ajudar a estabilizar a aeronave.

Assaf Rajuan (à esquerda), um dos três israelenses que ajudaram a dominar o copiloto, e o capitão Smit Machchhar (à direita), após ser esfaqueado durante o ataque ao voo da flydubai, em 30 de setembro de 2026. (Capturas de tela/X)

Manes estava viajando com a família. Sua esposa acompanhava a filha pequena ao banheiro, próximo à cabine, quando percebeu que algo estava errado. Pouco depois, o comandante ferido apareceu e a aeronave começou a perder altitude.

O pai relatou ter ouvido suas filhas gritarem: “Não queremos morrer”. Ele então deixou a menina em segurança e correu para ajudar os outros passageiros.

O agressor foi finalmente dominado e amarrado. Um médico que estava a bordo prestou atendimento ao comandante ferido, enquanto os pilotos que viajavam fora de serviço assumiram a condução do avião até o pouso de emergência.

Assaf Rajuan, outro dos israelenses que ajudou a subjugar o copiloto, também agradeceu após retornar para casa.

“Agradeço a Deus e a todos que ajudaram”, declarou. “A vida é mais forte do que tudo, e decidimos lutar por ela.”

‘Precisamos agradecer a Deus’

Nesta quinta-feira (1º), o rabino-chefe de Israel, Kalman Ber, também atribuiu a sobrevivência dos passageiros à intervenção divina e pediu que os israelenses agradecessem a Deus.

O rabino-chefe de Israel, Kalman Ber, durante encontro em uma sukkah na celebração de Sukkot, em Tel Aviv. (Captura de tela: Israel National News)

Durante um encontro realizado em uma sukkah – cabana tradicional construída durante Sukkot, a Festa dos Tabernáculos – em Tel Aviv, Ber classificou o ocorrido como um “grande milagre”.

“Precisamos agradecer ao Santo, bendito seja Ele, pelo milagre que realizou por nós hoje, pelo fato de judeus terem sido salvos”, declarou.

Segundo o rabino, o país chegou muito perto de uma tragédia e deveria oferecer a Deus um “Salmo de Ação de Graças”.

Ber também destacou a sucessão de circunstâncias que permitiu que a aeronave pousasse em segurança – entre elas, a presença de pessoas capazes de enfrentar o agressor, um médico para socorrer o comandante e outros pilotos no avião.

Para ele, a sequência não poderia ser vista como simples coincidência.

“É preciso ser cego para não enxergar os milagres”, afirmou o rabino, atribuindo a Deus a preservação das vidas.

Investigação continua

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que Israel pretende acompanhar e possivelmente participar da investigação sobre o agressor.

Autoridades israelenses consideram que houve uma aparente tentativa de derrubar deliberadamente a aeronave, mas a motivação e os antecedentes do copiloto ainda estão sendo investigados.

Benjamin Netanyahu recebe Yaniv Hayun, um dos israelenses que ajudaram a dominar o copiloto da flydubai, no Aeroporto Ben Gurion. (Foto: Kobi Gideon/Escritório de Imprensa do Governo de Israel)

O presidente de Israel, Isaac Herzog, também conversou com quatro israelenses que participaram do resgate e anunciou que pretende recomendá-los para uma condecoração por heroísmo civil.

Segundo Herzog, a atuação do grupo “evitou uma terrível catástrofe”.

Para os passageiros que finalmente reencontraram suas famílias em Israel, porém, a explicação dada em meio às lágrimas e abraços foi mais simples.

“Não achávamos que conseguiríamos, mas, graças a Deus, estamos em Israel. Estamos de volta para casa.”

Mais do Guiame

O Guiame utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência acordo com a nossa Politica de privacidade e, ao continuar navegando você concorda com essas condições