Uma proposta que quer impedir a entrada de militares israelenses como turistas no Brasil foi protocolada na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), na última quarta-feira (18), conforme o Correio.
Uma indicação formal foi enviada ao presidente Lula da Silva (PT) pedindo que o governo federal adote medidas para barrar israelenses militares no país.
O texto, de autoria do deputado estadual Hilton Coelho (PSOL), alega que os turistas podem ter participado de operação na Palestina e no Líbano, classificadas na proposta como “genocídio”.
Segundo a justificativa do projeto, cidades da Bahia se tornaram um dos destinos mais escolhidos para israelenses que serviram nas Forças de Defesa de Israel (IDF) passarem as férias.
O deputado Hilton alegou que a presença dos turistas israelenses tem gerado tensão em locais como Morro de São Paulo, Boipeba, Maraú, Itacaré, Serra Grande e Ilhéus. O texto citou relatos de agressões a ambulantes, turistas e moradores que se manifestam contra as operações militares de Israel.
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O parlamentar argumentou que permitir o lazer de militares envolvidos em “massacres civis” é "absolutamente incompatível" com a política externa brasileira.
Hiltou citou o Artigo 4 da Constituição Federal que prevê a defesa da paz, a prevalência dos direitos humanos e o repúdio ao terrorismo nas relações internacionais, e a Lei nº 13.445/2017 que autoriza barrar a entrada de estrangeiros envolvidos em crimes internacionais ou violações de direitos humanos.
A proposta pede que o governo federal adote medidas práticas para impedir a entrada de militares israelenses no país: identificação pela Polícia Federal de turistas israelenses que tenham participado de operações em Gaza e no Líbano.
Além do impedimento imediato de entrada na nação e articulação internacional para impedir que "envolvidos em genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade utilizem o Brasil como refúgio ou destino turístico".
Protestos pró-Palestina em Itacaré
A proposta protocolada na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) acontece após um protesto contra a presença de turistas israelenses em Itacaré.
No dia 14 de março, o protesto terminou em confusão entre turistas israelenses e manifestantes pró-Palestina.
Segundo a Polícia Militar, ocorreram duas manifestações naquele dia em pontos diferentes do município.
Um dos atos reuniu comerciantes, taxistas e trabalhadores do setor turístico, que defenderam a vinda de israelenses à cidade. A mobilização aconteceu de forma pacífica.
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O outro protesto reuniu moradores contra a presença de turistas de Israel, na Praça das Mangueiras, uma das áreas mais movimentadas do bairro Pituba. Segundo O Antagonista, o ato foi organizado pelo deputado estadual Hilton Coelho (PSOL), com participação de movimentos sociais, lideranças locais e o ativista pró-Palestina Thiago Ávila.
Alguns manifestantes exibiram bandeiras da Palestina e afirmaram que o objetivo da manifestação era cobrar respeito aos moradores e aos espaços públicos.
No protesto pró-Palestina, houve um tumulto entre manifestantes, que gritavam “Free Palestine!”, e turistas israelenses.
Conforme O Globo, vídeos compartilhados nas redes sociais mostraram que houve discussões, gritos e um início de briga, mas policiais militares interviram e restabeleceram a ordem.
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De acordo com o Correio, três israelenses que resistiram à abordagem foram presos. Eles prestaram depoimento na delegacia e foram liberados em seguida.
Xenofobia
A Sociedade Israelita da Bahia criticou o protesto contra turistas israelenses, segundo O Antagonista.
Em nota divulgada na última quarta-feira (18), a entidade acusou os organizadores da manifestação de promover “preconceito racista, xenofobia e discórdia” e incitar a população local a evitar receber visitantes de Israel.
A entidade judaica ainda declarou que os manifestantes “apenas odeiam o povo judeu”. A Sociedade Israelita também informou que as manifestações pró-Palestina tiveram baixa adesão, e que outros moradores e visitantes demonstraram apoio aos turistas israelense.
Turistas israelenses na Bahia
Conforme o Correio, parte dos comerciantes e empresários da região apoiam a chegada de turistas israelenses por movimentarem a economia local.
Alguns moradores, porém, são contrários, relatando casos de racismo, agressão e barulho por parte dos israelenses.
Muitos jovens israelenses viajam ao Brasil após cumprirem o serviço militar obrigatório em Israel.
O comércio local já se adaptou à demanda internacional. Restaurantes e bares contam com cardápios em hebraico e bandeiras de Israel, e pousadas possuem atendimento personalizado para israelenses.
