Mais de 750 crianças são vítimas de violência no Brasil todos os dias, de acordo com o Disque 100, canal federal do Ministério dos Direitos Humanos. E esse número não para de crescer.
Para a delegada e deputada estadual Sheila Oliveira, o dado justifica cada página do livro Proteja as Crianças: Estratégias, soluções e esperança na luta contra o abuso infantil. A obra chega pela Editora Vida às vésperas do 18 de maio para mobilizar a sociedade sobre o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Um dos pontos centrais do lançamento é o alerta ao perfil do agressor. Na maioria dos casos, não se trata de um desconhecido: está dentro de casa, na escola e até na igreja. E age principalmente enquanto os adultos ao redor não reconhecem os sinais.
Com mais de três décadas de trabalho policial, Sheila documenta esse padrão com casos reais e nomes alterados: Lorena, de seis anos, deixou uma calcinha manchada de sangue à vista da mãe e ninguém interpretou o gesto. Diego voltou a fazer xixi na cama após meses de desenvolvimento normal e os adultos chamaram isso de “fase”.
Dona Elvira, aquela mulher simples e aposentada, foi o anjo que quebrou o ciclo do silêncio, pois Letícia, como tantas outras, poderia ter passado anos vivendo um terror velado, e isso dentro da própria casa. Aquela menina não era sua filha, mas Dona Elvira ouviu seu choro. E agiu com coragem. O silêncio protege o agressor, mas a coragem salva vidas. (Proteja as Crianças, p. 25)
A autora aponta os principais sinais de alerta que adultos devem prestar atenção: mudanças bruscas de comportamento, isolamento, agressividade, medo de pessoas ou lugares específicos, regressão comportamental, sexualização precoce, queixas físicas sem explicação, alterações no sono, queda no desempenho escolar e o uso de frases ou símbolos ligados à pedofilia na internet – triângulo em espiral azul (preferência por meninos), o coração em espiral rosa (preferência por meninas) e a borboleta colorida ou símbolo duplo (interesse por ambos os sexos ou por vítimas muito novas).
E ainda apresenta ferramentas práticas para ajudar crianças a reconhecer situações de risco, como o “Semáforo do Toque”, método criado pela escritora Vitória Reis para ensinar quais contatos físicos são permitidos e quais devem ser comunicados a um adulto de confiança.
Delegada Sheila ainda dirige críticas ao sistema: judiciário lento, falhas institucionais e hipersexualização precoce figuram na obra com a mesma objetividade aplicada ao comportamento do agressor. Para a especialista, a omissão tem custo direto, e identificar, falar e agir são etapas que qualquer adulto pode cumprir. O primeiro passo é ligar para o Disque 100 e denunciar, canal gratuito e disponível 24 horas.
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O livro pode ser encontrado no E-commerce da Editora Vida, na Amazon e nas principais livrarias do Brasil.
