Cristã morre após quase 3 anos detida em prisão militar na Eritreia

A cristã morreu sob custódia das autoridades, enquanto outros cristãos seguem presos há mais de duas décadas no país.

Fonte: Guiame, com informações de Portas AbertasAtualizado: segunda-feira, 19 de outubro de 2026 às 20:04
A cristã morreu sob custódia das autoridades na Eritreia. (Foto: Ilustração/Portas Abertas)
A cristã morreu sob custódia das autoridades na Eritreia. (Foto: Ilustração/Portas Abertas)

Uma cristã morreu após passar quase três anos presa em uma prisão militar na Eritreia. A informação foi confirmada por parceiros da missão Portas Abertas no Chifre da África. Ela foi sepultada no fim de setembro, mas a causa da morte não foi divulgada.

Conforme a missão, a mulher morreu enquanto ainda estava detida. No país, cristãos que frequentam igrejas não reconhecidas pelo governo ou professam publicamente sua fé em Jesus podem ser presos.

Nos últimos 20 anos, centenas e possivelmente milhares de cristãos foram detidos por causa da fé, de acordo com organizações internacionais de direitos humanos.

Condições precárias nas prisões

Relatos de pessoas que conseguiram sair das prisões indicam que os detentos enfrentam falta de alimentação adequada, isolamento por longos períodos e tortura para que neguem Jesus.

As condições “extremamente precárias” também podem agravar problemas de saúde, como diabetes e hipertensão, além de deixar marcas emocionais. Em alguns casos, os detentos são libertados apenas quando apresentam estado de saúde crítico. 

No entanto, no caso dessa cristã, a morte ocorreu enquanto ela ainda estava detida. 

Sete líderes cristãos continuam detidos há mais de duas décadas na Eritreia. Segundo parceiros da Portas Abertas, eles estão presos no Centro de Investigação Criminal Wengel Mermera, uma prisão de segurança máxima semelhante a uma masmorra, conhecida como Karchele, na capital Asmara. 

Entre eles estão os reverendos Haile Naizge, Million Gebreselassie, Tekleab Menghisteab e Gebremedhin Gebregiorgis; os doutores Kuflu Gebremeskel e Futsum Gebrenegus; e o pastor Kidane Weldou.

Durante esse período, os líderes permanecem incomunicáveis. Com isso, familiares morreram sem conseguir vê-los novamente, enquanto outros foram forçados a deixar o país.

Perseguição religiosa na Eritreia

O governo da Eritreia reconhece oficialmente apenas três denominações cristãs: a Igreja Ortodoxa, a Católica e a Luterana. Quem frequenta outras igrejas pode enfrentar restrições e ser preso por causa da fé.

O serviço militar é obrigatório no país e não permite que as pessoas se recusem a servir por motivos religiosos. Cristãos que praticam sua fé durante o serviço nacional podem sofrer punições severas 

A pressão da família e de comunidades locais também atinge cristãos de origem muçulmana e pessoas que deixam a tradição ortodoxa para frequentar outras denominações.

Em meio ao aumento da perseguição no país, a Portas Abertas pediu que os cristãos ao redor do mundo se unam em oração pela Igreja Perseguida na Eritreia:

“Pedidos de oração pela Eritreia: gratidão pela vida e pelo testemunho da cristã enquanto esteve presa; consolo para os familiares e amigos enlutados; sustento, paz e perseverança para as famílias dos cristãos presos; e força, proteção e esperança para os cristãos que continuam detidos por causa da fé”. 

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