Pastores e missionários estão reunidos na conferência “Missão Reversa 2026”, na Itália, para falar sobre uma das maiores transições espirituais da história do cristianismo.
Durante décadas, países da Europa e dos Estados Unidos enviaram missionários para diferentes partes do mundo. Agora, cristãos de regiões que receberam esses missionários estão fazendo o caminho de volta para anunciar o Evangelho aos europeus e norte-americanos.
A conferência iniciou na quinta-feira (15) e acontece até domingo (18) em Mantova, recebida pela CCEBAM, Igreja Evangélica Batista de Mantova, liderada pelo pastor brasileiro Evandro Coelho.
Um dos principais temas do evento é o papel das igrejas formadas por imigrantes brasileiros em países da Europa e do Ocidente. A proposta do movimento Missão Reversa, criado pelo pastor Lierte Soares, é incentivar igrejas e cristãos imigrantes a pregarem o Evangelho os países onde vivem.
“Passem à Macedônia”
O pastor João Melo, líder da Igreja Baptista Local em Portugal, fez a primeira ministração da conferência.
Baseado na passagem bíblica de Atos 16: 6-10, onde o Espírito Santo impediu Paulo de ir pregar na Ásia, o pastor refletiu sobre as mudanças de rotas que Deus realiza na vida dos missionários para levar o Evangelho a todo mundo.
“Paulo teve que ir pra uma outra cidade e houve ali uma visão. E esse talvez seja um dos textos mais conhecidos em missões. Paulo, na cidade de Trôade, teve uma visão onde ele viu um homem clamando: ‘Passem à Macedônia, venham à Macedônia, nós precisamos’”, iniciou João.
“Talvez Paulo, naquele momento, não tivesse ideia do que o aguardava na Macedônia. Ele não tinha ideia que conheceria Lídia, que ele teri um encontro com aquele carcereiro em Filipos. Ele não tinha ideia de que a partir de Tessalônica, igrejas nasceriam. Ele não sabia o impacto do Evangelho naquele território”, observou.
Mudança nas rotas missionárias
O pastor João destacou que o apóstolo Paulo obedeceu a voz de Deus e mudou sua rota, assim como os líderes e missionários de hoje precisam fazer.
“Deus tem mudado as nossas rotas. Nós pensamos, nós planejamos, mas Deus muda as nossas rotas”, disse.
Falando sobre a Missão Reversa, ele afirmou que as rotas missionárias mudaram nos últimos anos.
“As setas de missões de envio normalmente partiam do Norte para o Sul. A Europa e a América enviaram missionários para o mundo. E hoje essas setas estão para todo lado. Agora a missão é policêntrica. Ela vai de todos os lados para todos os lados”, explicou.
“O movimento da Missão Reversa procura entender essa realidade. Igrejas que antes eram vistas como enviadoras, agora recebem”.
E esclareceu: “A Missão Reversa não é: ‘Agora o Sul Global vai salvar o Norte’. Não. Agora é: nós entendemos que não é só de lá pra cá, é daqui pra lá, é pra todo lado”.
Deus é o dono da missão
João Melo ponderou que a missão não é de um continente em específico e nem dos missionários, mas de Deus.
“A missão nunca pertenceu à Europa, nunca pertenceu à América. A missão pertence ao Senhor. É Ele quem chama, quem envia, é Ele quem muda planos, as rotas. É Ele quem diz vai, é Ele quem impede de ir. Ele é o dono da missão, não nós”, enfatizou.
“Paulo tinha o Evangelho, tinha o chamado, a experiência, a disposição. Ele tinha tudo, mas o dono da missão é quem define para onde a gente vai”.
Para o pastor, a mudança do centro missionário do mundo é uma oportunidade de alcançar aqueles que ainda não conhecem Jesus.
“O Espírito Santo continua dizendo: ‘Atravessem a Macedônia, atravessem a Macedônia’. Deus muda as nossas rotas. A pergunta é: Estamos preparados para isso? Estamos preparados de coração para nos lançarmos ao que Deus quer?”,
“É hora de nos revestirmos da armadura de Deus e obedecermos o que Ele tem a nos dizer”.
Nesse contexto, o líder ainda pontuou que o Brasil é uma potência missionária: “Deus tem levado o brasileiro pro mundo todo. Não é por acaso. Deus tem uma missão”.
A missão é feita com união
Nessa nova fase da missão global, o trabalho evangelístico não será feito de forma isolada, garantiu o pastor João.
“A missão não será construída por heróis isolados. Talvez nos lembramos de grandes homens da história das missões, como William Carey ou como Hudson Taylor. Mas hoje é um tempo em que nós precisamos uns dos outros e a Macedônia volta a clamar”, afirmou.
E ressaltou: “Nós olhamos para a Palavra de Deus e percebemos que a missão deve ser vivida com mutualidade, colaboração e reciprocidade. Nenhuma igreja é tão forte que não necessite de ajuda. E nenhuma igreja é tão pequena que não possa participar desse movimento e ajudar”.
