Pastor diz que Europa pode voltar a viver avivamento: “Muros caídos serão levantados”

Na conferência Missão Reversa 2026, Henrique Freitas afirmou que, assim como Neemias, missionários podem reconstruir espiritualmente o continente europeu.

Fonte: Guiame, Cássia KiefferAtualizado: sexta-feira, 16 de outubro de 2026 às 19:53
O pastor Henrique Freitas crê em um avivamento na Europa. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Corrêa).
O pastor Henrique Freitas crê em um avivamento na Europa. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Corrêa).

O pastor Henrique Freitas afirmou que Deus está ferido com as injustiças e sofrimentos que acontecem no mundo e chama pessoas para levar o Evangelho a grupos vulneráveis específicos, durante a conferência Missão Reversa 2026.

O evento reúne pastores e missionários em Mantova, na Itália, para discutir o papel das igrejas formadas por imigrantes brasileiros em países da Europa e do Ocidente. 

A proposta do movimento Missão Reversa, criado pelo pastor Lierte Soares, é incentivar igrejas e cristãos imigrantes a pregarem o Evangelho nos países onde vivem.

Um Deus que chora e se comove

Henrique iniciou sua ministração na conferência, lembrando que Deus se compadece da humanidade e se importa com o seu sofrimento.

“Temos um Deus que chora, ama, sente e se comove. Temos um Espírito Santo que geme. Quando Jesus olha pra multidão, o texto bíblico diz que Ele foi movido de íntima e profunda compaixão; Ele foi tocado pela miséria, pela dor, pelo sofrimento das pessoas”, afirmou.

E enfatizou: “Deus está ferido com os milhares de órfãos ao redor do planeta Terra, com as pessoas que estão vivendo agora como despatriados — mais de 50 milhões sem pátria. Deus está ferido com aquele que está vivendo debaixo de um escombro porque o seu país está sendo atacado, pela criança no útero cuja mãe pensa num aborto, e com milhares de pessoas viciadas em drogas e outras substâncias químicas. Deus está ferido com a desigualdade da humanidade”.

“Ao mesmo tempo, Deus também está ferido com pessoas que são muito ricas de dinheiro, mas que, do ponto de vista espiritual, são muito pobres”.

A missão nasce da dor


O pastor Henrique Freitas crê em um avivamento na Europa. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Corrêa).

Segundo o pastor, toda missão nasce de uma dor quando o Senhor fere um cristão para levar o amor de Deus aos perdidos.

“A missão não nasce de estatística nem de números; a missão nasce de uma dor. A missão nasce quando Deus nos fere com a ferida Dele, quando Deus coloca o sentimento Dele dentro dos nossos corações”, observou.

E deu um exemplo: “Para algumas pessoas, Deus vai dizer: ‘Eu tenho uma dor com as mulheres que vendem o seu corpo por dinheiro, e eu quero que você vá lá e pregue o meu Evangelho para elas’. Deus vai colocar um amor grandioso no seu coração por essas mulheres que ninguém ama. E você vai olhar pra uma prostituta e não vai ver uma prostituta, mas uma filha amada de Deus”.

“Deus precisa nos ferir, e Ele tem muitas dores, mas escolhe pessoas específicas para ferir com feridas específicas. O meu desejo é que Deus fira você. O meu desejo é que você carregue uma ferida de Deus”.

O líder pregou sobre a passagem bíblica de Neemias, onde ele se comove com o estado do seu povo e decide reconstruir os muros de Jerusalém.

“Neemias foi ferido com a dor de quem estava a 1.500 quilômetros de distância. Neemias não sabia o nome, a cor dos olhos ou tinha laços de família com aquelas pessoas, mas Hanani as trouxe até o coração dele”, contou.

O pastor Henrique explicou que é assim que acontece com aqueles que são chamados para a missão: “É o Espírito Santo que vai trazer realidades ao nosso coração, que vai fazer arder compaixão e misericórdia por um povo que não era nosso até então. Mas, a partir do momento em que o Espírito Santo compartilha a dor conosco, aquele povo se torna o nosso povo”.

Reconstruindo os muros da Europa

Henrique ainda fez um paralelo da ruína de Jerusalém nos tempos de Neemias com a situação espiritual da Europa, considerada hoje um continente pós-cristão.

“Jerusalém já foi a capital espiritual de Israel. No tempo de Davi, havia 24 turnos de adoradores cantando os Salmos de manhã e à noite; havia adoração contínua. Na inauguração do templo de Salomão, a glória de Deus encheu o lugar e os sacerdotes foram tomados pela fumaça da presença de Deus. Jerusalém era a sede espiritual, para onde as pessoas peregrinavam nas festas”, disse. 

“Mas Nabucodonosor destruiu Jerusalém entre 605 e 586 a.C., e aquela terra de tanto avivamento, música e adoração ficou em ruínas, em desgraça e em vergonha. As festas cessaram, as pessoas passaram a se preocupar apenas em fazer suas próprias casas, enquanto a casa de Deus ficou por último, porque o avivamento parou”.

E continuou: “Eu vejo a Europa nisso. Quantos avivamentos saíram da Europa? Lembram dos Moravianos e seus 100 anos de oração espalhando missionários pelo mundo? Lembram de John e Charles Wesley e dos avivamentos que nasceram lá? E aí hoje você volta à Europa e encontra lugares onde você não tem mais uma igreja aberta. Está como Jerusalém: muros caídos e fendidos, portas queimadas”.

O pastor afirmou que a Europa necessita de pessoas como Neemias para um despertar.

“Deus precisa levantar os seus Neemias. Alguém que olhe e diga: ‘Nós vamos reconstruir a Europa do ponto de vista espiritual’. Quem são os Neemias de Deus que vão levantar os muros e as portas caídas da Europa e ajudar a reacender um avivamento?”, desafiou.

“Não tem como fazer missão sem empatia”

Segundo Henrique, o cristão que deseja ir ao campo missionário precisa ter compaixão genuína pelos perdidos.

“Neemias diz: ‘Eu estou triste, porque não posso estar alegre enquanto o meu povo está com os muros caídos’. Quem é ferido com a ferida de Deus não consegue mais viver para si”, ensinou.

“Não tem como fazer missão se você não tem empatia, se não se colocar no lugar do outro e ir até o nível dele. Sabe quem foi o primeiro a fazer um processo transcultural? Jesus. Sendo Deus, não usou isso como usurpação, mas esvaziou-se e transformou-se em servo, descendo até o nosso nível para sentir o que sentimos”.

“Não posso parar”

O pastor comentou que os missionários enfrentarão oposição e intimidação, assim como Neemias enfrentou quando iniciou a reconstrução dos muros e das portas de Jerusalém.

“Mas Neemias sabia quem o havia enviado. A oposição é normal e existe em todos os lugares, mas Neemias declarou aos inimigos: ‘Se o Senhor se agradar de nós, nós reconstruiremos os muros. Estou ocupado fazendo uma grande obra e não posso parar’”, declarou.

E Henrique encorajou: “Não se acovarde, não se intimide, você não vai parar. Se lembre da palavra a Josué: ‘Não pasme, nem te espante, eu sou o Senhor teu Deus’”.

Henrique Freitas finalizou dizendo que crê em um avivamento na Europa. “Os muros estiveram caídos por 140 anos, mas Neemias demorou 52 dias para fazer o que ninguém fez em todo esse tempo. Está para chegar o dia na Europa, um avivamento como não se vê há 140 anos, onde Deus vai fazer em dias o que não fez em anos”, profetizou ele.

A conferência Missão Reversa 2026 iniciou na quinta-feira (15) e acontece até domingo (18) em Mantova, recebida pela CCEBAM, Igreja Evangélica Batista de Mantova, liderada pelo pastor brasileiro Evandro Coelho.

A “Missão Reversa”, conceito criado pelo pastor e missiólogo Lierte Soares, é uma das maiores transições espirituais da história do cristianismo.

Durante décadas, países da Europa e dos Estados Unidos enviaram missionários para diferentes partes do mundo. Agora, cristãos de regiões que receberam esses missionários estão fazendo o caminho de volta para anunciar o Evangelho aos europeus e norte-americanos. 

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