Haverá uma onda de igrejas fechando nos EUA? Pastor questiona previsão

Em resposta ao artigo que prevê o fechamento de 100 mil igrejas nos EUA na próxima década, o pastor Ed Stetzer questionou os números.

Fonte: Guiame, com informações de The Christian PostAtualizado: quarta-feira, 4 de novembro de 2026 às 13:28
O pastor refletiu sobre o futuro das igrejas nos EUA. (Foto: Reprodução/Unsplash/Terren Hurst)
O pastor refletiu sobre o futuro das igrejas nos EUA. (Foto: Reprodução/Unsplash/Terren Hurst)

Um artigo publicado pela CNN levantou preocupações sobre o futuro das igrejas nos Estados Unidos ao prever uma onda de fechamentos que poderia transformar o cenário religioso do país. A publicação aponta que cerca de 100 mil templos podem fechar ou ter seus prédios destinados a outras atividades na próxima década.

O jornalista John Blake, autor do artigo, comparou o possível cenário americano ao da Europa, com “catedrais vazias e prédios de igrejas convertidos em condomínios". 

“Especialistas projetam que cerca de 100 mil igrejas nos EUA fecharão ou serão reaproveitadas na próxima década. Muitas igrejas não conseguirão escapar desse 'tsunami' de fechamentos — uma trajetória sombria que um pastor descreveu como: 'A cada ano, os bancos ficam mais vazios e os pratos de coleta mais leves'”, disse John.

Um dos casos citados é o de uma igreja que já chegou a reunir mil pessoas, mas que atualmente conta com apenas 12 membros e está prestes a encerrar suas atividades.

Segundo o artigo, menos de um terço dos americanos frequenta os cultos semanalmente. Há 75 anos, esse número chegava à metade da população. 

‘Não há evidências’

No entanto, após a repercussão do artigo, especialistas questionaram esses números e afirmaram que não há evidências de que os EUA estejam prestes a enfrentar uma onda tão grande de fechamentos.

Em resposta a publicação, o pastor Ed Stetzer, reitor do Seminário Talbot, explicou: “Não há evidências — citadas no artigo ou nos dados reais — de que algo como um tsunami de fechamentos de igrejas esteja por vir. Os dados apontam para um declínio. Mas é um declínio lento e gradual, não um tsunami”.

Stetzer também questionou a estimativa de que os EUA perderiam 10 mil igrejas por ano. Como exemplo, ele observou que, em 2024, cerca de 4 mil igrejas protestantes fecharam nos EUA, enquanto outras 3.800 foram abertas. Isso representa uma redução de aproximadamente 200 congregações naquele ano.

“Mesmo incluindo as igrejas católicas romanas na análise, o número não se aproxima de 10 mil”, afirmou o pastor.

Stetzer também explicou que a estimativa de 100 mil igrejas na próxima década se refere principalmente aos prédios que podem ser vendidos ou reaproveitados, e não necessariamente ao fim das congregações.

“Além disso, os números não abordam os experimentos relativamente recentes com congregações em vários locais, ou a grande quantidade de pequenas igrejas não denominacionais que operam discretamente em pequenos estabelecimentos”, disse ele. 

E continuou: “Igrejas que mudam de endereço não são contabilizadas nessas estatísticas, e pelo menos parte da variação na frequência aos cultos tem a ver com cristãos que mudam de congregação, e não com aqueles que entram ou saem da igreja”. 

O futuro das igrejas

O artigo também apontou alguns fatores que estariam contribuindo para a redução da frequência aos cultos, como a desconfiança nas instituições, as divisões políticas, os debates sobre moralidade sexual e identidade, além de escândalos envolvendo líderes e igrejas ao longo dos anos.

A publicação ainda destacou a importância das igrejas na formação de comunidades e na prestação de serviços sociais. Porém, Stetzer também questionou essa visão:

“A discussão sobre os aspectos positivos que as igrejas proporcionam se limitou a coisas como a importância da comunidade e um senso de conexão com o passado. Ele se preocupou com o que aconteceria com os serviços sociais oferecidos pelas igrejas caso elas deixassem de existir”. 

“Embora suas preocupações sejam válidas, essas são coisas que as igrejas fazem. Elas não definem o que as igrejas são. A Igreja é o povo reunido de Deus. Uma igreja é o lugar onde a Palavra de Deus é proclamada, seus sacramentos são praticados e seu povo é discipulado”, acrescentou o pastor.  

Sobre a ideia de que as igrejas precisam adaptar suas doutrinas às mudanças culturais para atrair as novas gerações, Stetzer afirmou: 

“Blake ignorou qualquer questão de verdade ou espiritualidade genuína. Como muitos outros, ele presumiu que, se as igrejas não se ‘acompanhassem os tempos’ e atualizassem suas doutrinas para atrair as gerações mais jovens, elas morreriam”. 

E continuou: “Em sua visão, os credos são secundários às preocupações de marketing. Não se deve ignorar que as igrejas que estão diminuindo são justamente aquelas que se enxergam dessa forma”.   

Apesar dos desafios enfrentados pelas igrejas americanas e da queda na frequência aos cultos, o reitor afirmou que “os relatos sobre a morte da Igreja são muito exagerados”. 

“A igreja americana certamente tem alguns problemas e, até agora, as recentes esperanças de reavivamento não se concretizaram. Mas é a Igreja Dele, não nossa. Ele prometeu preservá-la, não necessariamente fazê-la crescer. As previsões da decadência da Igreja não são incomuns. Jesus foi ainda mais enfático. Ele prometeu edificar a sua Igreja, e que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela”, concluiu. 

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