Doze organizações holandesas pró‑vida divulgaram uma carta conjunta dirigida a todas as igrejas do país – protestantes e católicas – manifestando preocupação crescente com as recentes mudanças na política de aborto no país.
No documento, enviado nesta semana, os grupos pedem que as comunidades cristãs intensifiquem a oração, promovam formação sobre o tema e assumam um papel mais ativo na defesa dos nascituros.
O alerta das organizações se apoia, entre outros fatores, no forte aumento do número de abortos no país.
Desde 2022, os procedimentos cresceram 27%, totalizando 39.438 em 2024 – uma média de 758 por semana.
Acesso ao aborto
As entidades também destacam a recente ampliação do acesso ao aborto no país.
Entre as mudanças citadas estão o fim do período obrigatório de cinco dias de reflexão, revogado em 2023; a autorização para que clínicos gerais prescrevam a pílula abortiva, prevista para entrar em vigor em 2025; e, desde 23 de março de 2026, a possibilidade de solicitar a receita pela internet, com exigência reduzida de contato presencial com um médico.
Segundo os grupos, essas mudanças deixam especialmente expostas mulheres em situação de vulnerabilidade e seus bebês não nascidos.
Acompanhamento pastoral e oração
As organizações destacam que, no debate público, o aborto costuma ser tratado quase exclusivamente sob a ótica da autonomia da mulher, enquanto o nascituro permanece praticamente ausente da discussão.
Essa abordagem unilateral, afirmam, pode influenciar a forma como cristãos passam a enxergar o tema.
Por isso, os grupos pedem que as igrejas abordem a questão de maneira mais ampla em suas comunidades, oferecendo informação clara, acompanhamento pastoral e momentos de oração.
Ação igrejas
As organizações também detalham uma série de ações que, segundo avaliam, poderiam ser adotadas pelas igrejas.
Entre elas estão orações pelas mães, pelos pais e pelo fim da prática do aborto; apoio pastoral e diaconal a mulheres que enfrentam uma gravidez não planejada; atividades educativas por meio de encontros congregacionais ou reuniões de jovens; além da organização de coletas e da participação em iniciativas públicas, como vigílias e a Marcha pela Vida.
Movimento pró‑vida
As doze organizações que assinam a carta compõem o núcleo do movimento pró‑vida na Holanda e representam um amplo espectro cristão – de grupos protestantes a católicos romanos – atuando em áreas como educação, apoio pastoral e assistência jurídica.
Entre as entidades estão Kies Leven, Schreeuw om Leven, NPV – Zorg voor het Leven, DCBR, Juristenvereniging Pro Vita, Stirezo, Powerful Woman, Prolife Europe, Guido de Brès‑Stichting, One of Us Nederland, Jezus Leeft e Herman Boon Ministries.
“Com que direito podemos negar a vida e um futuro a crianças que ainda não nasceram? Elas também, desde o seu início, são portadoras da imagem de Deus”, afirmam as organizações na carta conjunta.
O documento foi enviado a todas as igrejas da Holanda nesta terça-feira (19).
