Uma professora cristã de 63 anos foi demitida de uma escola pública em Sunderland, na Inglaterra, após se declarar pró-vida ao responder a uma pergunta de um aluno sobre o aborto durante uma aula.
Anita Meston está processando a instituição por discriminação religiosa, com apoio da organização Alliance Defending Freedom (ADF) que defende a liberdade de expressão.
A professora dava aulas na Biddick Academy havia seis meses quando um aluno do 8º ano perguntou se ela era “a favor do aborto”. Ela respondeu que era “a favor da vida”. Segundo Anita, a conversa surgiu espontaneamente durante uma aula de história, e ela apenas respondeu à pergunta antes de retomar o conteúdo.
No dia seguinte, Anita foi chamada para uma reunião com a diretora da escola, que a informou sobre uma reclamação relacionada à aula. Durante a conversa, a diretora afirmou que ela não poderia expressar opiniões pessoais em sala de aula e comunicou que seu contrato seria encerrado.
As opiniões em sala de aula
Anita trabalhava em tempo integral como professora substituta na instituição desde outubro de 2024 e havia tido seu contrato renovado na semana anterior à demissão.
Ao longo de seus 28 anos de carreira, ela também lecionou francês e substituía professores de outras disciplinas quando necessário. Além disso, atuava como tutora de uma turma do 10º ano.
Em março de 2025, durante uma aula de história sobre o bombardeio de Dresden, em 1945, Anita perguntou se questões morais semelhantes envolviam o atual conflito entre Israel e Palestina. Ao ser questionada se era pró-Israel, respondeu que sim, mas lamentou o envolvimento de civis inocentes em Gaza.
Mais tarde, outro aluno perguntou se ela era “pró-aborto”, e a professora respondeu que era “pró-vida”. Em seguida, explicou que defendia essa posição por ser cristã e conhecer mulheres que haviam feito um aborto e se arrependido da decisão.
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O advogado Jeremiah Igunnubole. (Foto: Reprodução/ADF)
Segundo a ADF, Anita não impôs suas opiniões aos alunos em nenhum momento. Ao comentar sua demissão, ela criticou a decisão da escola e afirmou que está recorrendo à Justiça para defender suas crenças e evitar que outros professores passem pela mesma situação.
“Estou profundamente chocada com a decisão da Biddick Academy de me demitir por minhas crenças pró-vida baseadas na fé e por outras opiniões pessoais e políticas comuns. Não acredito que seja papel do professor impor crenças alheias à aula. Eu apenas reconheci as perguntas dos meus alunos e forneci respostas sinceras antes de redirecioná-los para a lição”, disse Anita à ADF.
E continuou: “Se o nosso sistema nacional de educação continuar a afirmar que promove a inclusão e a tolerância, isso deve incluir a tolerância a perspectivas com as quais outros discordam. Com o apoio da Alliance Defending Freedom, estou agora a tomar medidas legais contra a Biddick Academy para garantir que ninguém mais sofra discriminação por expressar crenças pró-vida”.
“Numa sociedade livre e justa, os professores não devem ser demitidos por expressarem honestamente suas convicções mais profundas em resposta a perguntas em sala de aula. O que me aconteceu nada mais é do que censura, e esse precedente não pode ser tolerado”, acrescentou.
‘Estamos apoiando Anita’
Jeremiah Igunnubole, advogado e consultor jurídico da ADF em Londres, também comentou o caso e criticou a decisão da escola:
“O objetivo da educação é formar jovens capazes de interagir com o mundo ao seu redor, e isso inevitavelmente inclui o contato com pessoas que têm perspectivas diferentes. Se professores forem demitidos unicamente por expressarem opiniões com as quais alunos ou funcionários discordam, a próxima geração aprenderá que é aceitável censurar opiniões de que não gostam. Isso não é um bom presságio para o futuro das liberdades fundamentais em nossa sociedade”.
“É inaceitável que expressar opiniões pró-vida e outras visões em resposta a uma pergunta possa resultar na demissão de uma pessoa. A lei protege todos os funcionários contra tratamento discriminatório. Estamos apoiando Anita para garantir que seus direitos como cristã no ambiente de trabalho sejam respeitados e para reafirmar o princípio de que os empregadores não podem demitir funcionários simplesmente porque discordam de suas crenças cristãs”, acrescentou.
A Lei da Igualdade do Reino Unido proíbe a discriminação por religião ou crença, o que inclui convicções pró-vida. No entanto, indivíduos com crenças pró-vida continuam enfrentando discriminação no país.
A ADF informou que o caso de Anita levanta preocupações sobre a liberdade de expressão de cristãos e pessoas com opiniões conservadoras que enfrentam censura crescente.
